À tardinha

Está em seu quarto, lendo e ouvindo música. Música essa que começa a cantar e faz com os peixes no aquário se aproximem curiosos. Um pardal pousa na janela, olha. Até formigas aparecem. Ele canta cada vez mais alto, mais forte. A raiva começa a ir embora. Aumenta o rádio, fecha a leitura e entra num banho. Há uma lagartixa que pára com o inseto e fixa os olhos nele; há algo diferente na textura da água e ele canta, canta sozinho em casa. Percebe que já faz calor, é setembro, e muda o chuveiro para o verão. A água fria a princípio o estremece e a última porção de raiva que continha o deixa, logo se acostuma com a água. Refrescado, termina. Se olha no espelho secando os cabelos e gosta do que vê. Gosta muito. Leva as mãos à face, aos cabelos, pescoço... relaxa ainda mais. Volta para o quarto, põe uma roupa limpa, entra na cama, respira, agradece, satisfaz; vira para o lado e dorme tranqüilo. Acordará muito bem disposto amanhã, um dia diferente.

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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