Quantos quentes corações

Esse final de semana eu achei meus óculos. Foi em Roseira que eu fui. Na casa do Lucas Catón. E pude muito enxergar. Roseira é uma cidade do mundo, uma cidadezinha do interior. Daquelas onde as coisas não importam. A vida vale muito mais.

A casa é grande, janelas altas, chão de madeira; construção de antigamente. O quintal é tão delicioso quanto a casa. Há plantas que parecem ter mais de cem anos e mais vida do que a maioria. As minhas favoritas são as duas grandes árvores. Os troncos são recobertos por outras plantas, que parecem estar com essas árvores desde o princípio. As folhas formam um teto verde que se observado, é o mesmo que estar numa floresta, até bate um gosto de ar bom. É como se o mundo fosse uma coisa só e a natureza fosse essa coisa, então aquelas árvores são extensões do planeta que nos jogam nas mãos da mãe, da mãe Terra, e ficamos ali, passeando entre seus dedos. Observando o seu desenvolver, cortando as unhas quando preciso e compartilhando o simples prazer estar ali, o simples prazer de estar.

As pessoas do interior são sabiamente simples! São a própria Gente Humilde do Chico: "...Casas simples com cadeiras na calçada e na fachada escrito em cima que é um lar". Onde estão pessoas simplesmente acolhedoras, simplesmente bondosa, que simplesmente conhecem toda a gente da cidadezinha, simplesmente pés descalços no chão, simplesmente simples. Estar entre elas como passear entre versos que falam da vida. Estar entre elas é viver e puramente viver. É Maravilhoso.

Há muitos cachorros no quintal. Há algumas galinhas e um galo sempre ao alto. No quintal do Lucas, há até coelhos. E eu até vi um bicho da ceda que desceu do alto de uma das grandes árvores pelo o seu valioso fio e pousou numa plantinha rasteira.

Chupamos cana. Jogamos Qual é a Música, rimos muito! Tomamos coca-cola e jantamos e almoçamos lasanha. Conheci pessoas. Mãe, Pai, irmã, cunhado, amigo, avó, todos lá. Atravessamos a cidade em vinte minutos de caminhada no clima gostoso da noite de verão.

Eu tive que vir embora, uma pena. Espero voltar. Me despedi das pessoas, da Dona da Casa cantando Gonzaguinha no coração:

Moça, me desculpe, acho que falei demais
E a dona estrada tá chamando novamente por meu pé
Moça, me perdoe, já vou indo
Mas volto qualquer dia com certeza, quando der
Levo o tamanho desse abraço
Novo laço, nó de aço, nova fé
Levo no tamanho deste abraço
Uma história nova no meu peito
Adeus, inté

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Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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