segunda-feira, janeiro 31, 2005

Discordo

Eu discordo plenamente do companheiro Lunatic e, ainda, digo mais! Digo mais! Ele, o companheiro Lunatic, falou que aquele horóscopo de sagitário não tem nada a ver com o cab sem um pingo de envergadura moral para com isso. Vejamos bem. Estou indo para a faculdade esse ano, lá no horóscopo diz que “planos em longo prazo estarão favorecido em 2005”, isso é ótimo e, ainda digo mais... Digo mais! Tem T-U-D-O a ver. Fazer um curso de quatro anos é um plano a longo prazo. Lá diz também que as economias pessoais melhoram no meio do ano. Sendo a faculdade particular e causando um rombo danado no orçamento da família, é muito possível que a estabilidade chegue no meio do ano. Tem T-U-D-O a ver! Tudo a ver, companheiro, Lunatic.

Outra: “Os caminhos vão se abrir”, não há o que discutir aqui. É bóbvio dizer que quando se está na faculdade muito mais portas se abrem para você. Outra: “Mais confiança faz seu discurso muito mais convincente, e o trabalho cresce a olhos vistos”, bem, eu sou meio calado em rodas de pessoas por certa falta de confiança em mim mesmo, admito. E, certamente, fazer a faculdade, morar longe dos pais, novos amigos, outras cabeças... Tudo isso contribuirá para que eu venha a ter um melhor discurso por parte da minha pessoa e, ainda, digo mais... Digo mais: fazendo faculdade de c-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o, as minhas colocações serão carregadas das mais sólidas lógicas envergaduras morais possíveis e até de existência duvidosa nesse, no outro e no outro outro mundo.

Mais uma: “Esteja pronto para novas paixões, que podem ser efêmeras mas vão encher sua vida de emoção e mistério”, antes mesmo de mudar de cidade, já estou, de certa forma, na órbita das mais belas das luas que circulam o planeta do desejo. É uma lua misteriosa, muito desconheço dela e quero descobrir. Certamente, esse astro encherá a minha vida de emoções se algo acontecer e, ainda, digo mais! Digo mais! Vai me envergar em envergaduras nunca antes alcançadas nesse, no outro e no outro outro mundo! É isso.

Já vai amanhecer

Fui ao banheiro agora. Saí daqui um pouco. O céu está lindo. Já não é o escuro da noite, mas as estrelas mais vivas ainda aparecem. A lua está maravilhosa! Tem com ela uma estrela, a sua preferida, que lhe dá um charme de pintinha no rosto. Elogiei o céu para ele mesmo.

Pensar Enlouquece, Pense Nisso

"Amor platônico na verdade é um jeito de sentir amor por si mesmo. Pelo que você seria, pra te agradar, se fosse a tal pessoa" Renata Parpolov

domingo, janeiro 30, 2005

efêmero1 -editado-

[Do gr. ephémeros.]
Adj.
1. Que dura um só dia.
2. De pouca duração; passageiro, transitório.
3. Bot. Diz-se da flor que fenece no próprio dia em que se abre.
Fonte: Dicionário Aurélio Buarque de Hollanda


Gostei muito desse número 3 (oh, eu tinha lido "florecem" e não "fenecem" - bem que parecia não ter muito sentido). Estou doido/curioso para que 2005 comece logo.

Sagitário

Planos em longo prazo estarão favorecidos em 2005. As finanças melhoram depois do meio do ano, e os caminhos se abrem com mais facilidade durante todo o período. Mais confiança faz seu discurso muito mais convincente, e o trabalho cresce a olhos vistos. Esteja pronto para novas paixões, que podem ser efêmeras mas vão encher sua vida de emoção e mistério.

Estou feliz

Mesmo por ter cometido um erro bobo em raciocínio e ter simplificado porcamente algo tão complexo como é definir o espírito humano, eu fico contente por vocês entrarem em contato, amigos. Muito contente! Afinal, são amigos que nos constroem nas nossas melhores partes. Obrigado.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Comentário -editado 2 vezes-

Ana Paula: só uma opinião: o físico muitas vezes pode interferir no psicológico. Basta ver Machado de Assis no cap CLX das MPBC. tudo o que o Brás Cubas não foi, o Machado também não. além de Bocage no seu famoso poema sobre seu próprio nariz. de certo o povo ficava tirando com o nariz dele e então decidiu escrever o poema, para descontar a sua angústia de ser narigudo. às vezes o fisico das personagens nos ajuda a descobrir sua mente. espero que tire um bom proveito da minha opinião.

Assino em baixo, Ananinha. E ainda digo mais, a alma do ser humano é a soma do seu físico com o seu psicológico. Algo que gosto quando chamam de Coração. E nesse psicológico estão: raciocínio, emoções, desejos e tudo mais o que é grande e tem valor.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Tá explicado

Ainda sobre rostos

Na história, para mim, não importa como eles eram, mas sim, como estavam. Isto pois.

Descreve-se expressões (3)

Sartre, no seu livro A Idade da Razão, fala de um homem que tem "os olhos muito unidos e os lábios grossos", logo no 3º parágrafo do capítulo 1. Eu imagino tudo quanto é tipo de sujeito, mas nenhum parece chegar perto do que o autor quer demonstrar; acabo sempre desistindo de tentar imaginar. Parece que algo me impede e que isso não tem a menor importância. Não crio rostos para personagens de livros que estou lendo; rosto, simplesmente, é uma coisa que não existe nas histórias que se passam em minha cabeça. Acho estranho, porém eu gosto disso. O que vale mesmo é a alma do personagem; o que ele sente, expressa, pensa e etc.

Odeio (não seria bem essa palavra, mas que seja), odeio descrições detalhadas de coisas físicas que enxergaríamos. Ler O Primo Basílio do Eça de Queirós foi um verdadeiro trabalho desenvolvido. Para mim, o que vale mesmo no personagem, é a sua descrição psicológica. É isso o que importa. Eu, quando for descrever um personagem, falarei se é branco ou negro, tem barba ou não, falo o sexo e a situação financeira (o que já será um gancho para falar da psique dele, que é o que importa). Nariz? Boca? Pra quê saber isso? Deixa cada leitor criar a boca, o nariz e a testa que quiser para cada personagem se é que ele dá um rosto para cada. Falarei se tem ou não, vide o exemplo da barba, não falarei como era.

PS: Ao invés de Sartre ter dito "olhos muito unidos" por que não disse: "...muito humildes", "...muito miúdos"? "Tristes"? "Suplicantes" ou "tocantes"? Algo que coubesse com a vida atual do personagem e não com a cara de sempre dele, imudável.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Registra-se almas (2) -editado-

Às vezes penso que eu (espírito; cérebro, coração/expressão, pulmão, estômago, rins, intestino e fígado) registro mesmo é a alma de cada um, a sua vibração, o seu jeito de pensar e expressar esse pensamento; como sente e expressa esse sentimento também. E por isso não guardo rostos. Ou talvez não seja bem por isso. Guardo o espírito da pessoa, o que realmente vale/importa. Quando penso e sinto que sou assim, estou ótimo.

Não se registra faces (1)

Estudávamos juntos. No colégio que tudo começou. Já fazia uns três meses que namorávamos. Víamo-nos todos os dias, sem falta. Até que chegaram as nossas férias. As viagens com os familiares nos separaram durante duas semanas, uma eternidade naquela fase apaixonada em que vivíamos. A primeira vez sem se ver por tanto tempo assim foi dramatizada demais por nós dois e adorávamos viver dramaticamente, tornava tudo mais Shakespeare, mais amor de verdade. Dois adolescentes.

Quando a encontrei de novo não acreditava na face dela, aquele rosto não era ela, nem a pau! E não havia nenhum outro rosto desenhado na minha memória que lhe servisse. Parecia que a lembrança dela não tinha rosto na minha memória. Fui tomado por uma sensação excessivamente estranha. Lembrei de uma coisa que vira na TV, algum personagem falando em um filme qualquer:

Quando você tenta lembrar do rosto de uma pessoa, não consegue; mas tente lembrar de algo que ela fazia, que você gostava nela, que o rosto lhe vem à mente num instante

Estava ali, parado em frente a minha namorada, uma pessoa que eu amava, beijava, e era como se fosse a primeira vez que eu a visse. Tentava lembrar dela fazendo algo, como a TV indicara, mas não tinha rosto a pessoa que era ela na minha lembrança. Levei três horas do namoro me re-acostumando com o rosto dela. Algo, de certa forma, totalmente novo para mim.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

L.

O seu pai? Bem... Eu conheci o seu pai no colégio. Estudamos juntos. Não éramos lá muito próximos nem nada ou coisa que o valha. Ele até tinha uma namorada. Em 2004 eu fui para São Paulo, fazer a usp, e em 2005 ele foi para lá também, fazer a puc. Tínhamos um contato, nada demais, éramos amigos. Um dia voltamos juntos para Aparecida, nós dois éramos de lá, você sabe. Chegando, fui para casa da sua avó e ele para a casa da mãe dele que ainda era viva na época, você ia adorar ela, ela era professora de primeira série assim como a sua noiva. Chegamos na sexta-feira e no sábado ele me ligou marcando um almoço no domingo. Bem... Eu aceitei. Estava lendo o blog dele e gostava de algumas coisas que eram realmente muito boas. Não é à toa que os livros dele venderam um bocado, você sabe. Ele tinha levado uma pá de textos antigos do cab para o almoço, pode? Alguns hilários, como de quando ele confessou que fazia xixi sentado, que certa vez pintou de vermelho os pêlos do saco, outro que fez um teste para ver se meninas davam em cima de rapazes que usavam aliança mais do que davam em cima de garotos de mãos livres. Um monte de coisas. Nos divertíamos. Eu derretia por certas linhas, tinha uns outros textos, uns poéticos, lindos de morrer. Eu fui bem louca até ter você e sua irmã, depois disso sosseguei um pouco, mas naqueles tempos... Meu filho... Você não conseguiria imaginar se tentasse. Os versos misturados nas prosas dele me animaram, comecei a declarar aquele poema do Carlos Drummond que eu adoro. Sei até hoje, de cabo a rabo. Ah, nós bebíamos um pouco. As pessoas já estavam olhando para a gente enquanto o seu pai lia os textos para mim, quando eu comecei meu show então... Foi uma delícia. Ele não resistiu, enfiou a mão pelos meus cabelos e nos beijamos como nunca ninguém jamais beijou e jamais beijará nesse e no outro mundo. Foi maravilhoso. Transamos uma hora depois disso tudo. O almoço tinha sido a mais adorável desculpa, quase não tocamos na comida. Tocamos um no outro, isso sim. E eis você aqui agora ouvindo tudo isso de mim. Olha a campainha! Ela chegou, vai lá abrir a porta para minha futura nora. Seu pai já fechou o chuveiro, já estamos indo. Esperem na sala. Não fiquem tão à vontade que eu conheço o fogo de vocês. Salpicado de saudade então...
Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado
Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado

terça-feira, janeiro 18, 2005

L. V.


Nos conhecemos no colégio. Estudamos dois anos na mesma sala. Eu tinha namorada na época. Ela, não a minha namorada, era linda. Um corpo perfeito. Deve ter recebido homenagens de cada um dos sexualmente solitários estudantes. Em mim, era bom quando a homenagem era para ela. Devia transar como um furacão, se imaginava. Aqueles cabelos compridos, ondulados, soltos. Os seios gostosos, muito sexy se cobertos por uma camisa bem solta no corpo; irresistíveis se desnudos. Perna e bunda, duas peças, carnes fortes com contornos suaves de mulher. Ela era deliciosamente atraente. Carnuda. Seu temperamento não nos permitia classifica-la como gostosa. Ela não era essa palavra. Era tentadora. Sexualmente tentadora. Queria-se abraça-la, mas, na amizade por ela permitida, isso não cabia.

Terminado o terceiro ano do colegial, o próximo ano veio. Ela já na usp fazia letras, eu, ainda no interior, cursinho. Esse ano se passou com poucos encontros da turma. Cheguei a dar carona para ela, tinha permissão para dirigir. Ela e mais duas amigas. Nunca, pelo menos penso, demonstrei a atração fatal que sempre sentia. Conseguia esconder essa pulsante com uma pedra enorme dentro de mim, bloqueava bem.

Já tinha ido para São Paulo fazia dois meses. O cursinho acabou, passei na puc, me mudei. Estando nós na mesma cidade, começamos a nos ver. Não sozinhos, sempre com mais gente. Conversávamos bastante. Certa vez, viemos juntos para o interior, num final de semana. Pegamos o mesmo ônibus. Ao chegar, cada um seguiu para a casa dos pais. Sábado à noite liguei para ela. Perguntei se gostaria de ir almoçar comigo num hotel que abria para não hóspedes o seu restaurante. Som ao-vivo. Grande espaço entre cada mesa. Algumas pessoas com roupas de banho por causa da piscina, biquínis. Fazia um sol escaldante naquele domingo. Parecia que estávamos na praia. Levei uns textos antigos meus, do blog, para mostrar para ela. Há pouco tempo que ela o estava lendo. Queria mostrar as coisas boas do passado. Ríamos muito! Cada coisa que fora escrita. Ela parava tudo e recitava alto Carlos Drummont de Andrade. As pessoas olhavam, ríamos, bebíamos mais um gole cada um. Quando ela acabou o longo poema, finalmente, a olhei, a olhei fortemente, a amava, mesmo que fosse só aquele dia. Paramos. Observamo-nos. Cada um lia no rosto do outro a alma totalmente à mostra. Nos beijamos. Olharam. Isso tornava tudo ainda mais agradável. Enfiei os quatro dedos da direita, com o pulso roçando sua nuca, por baixo nos cabelos, puxando-os sem medir força. A palma da mão dela abraçou a parte de trás da minha cabeça. Voltamos aos encostos das cadeiras, bebíamos e nos olhávamos, deslizávamos. Pernas. Começamos a olhar as coisas ao redor. As pessoas, mesas, garçons, paisagens, verde, chão muito limpo, sacadas. Abelhas em restos de refrigerantes, beijando-os, sugando-os.

Perguntamos para o garçom se alugavam um chalé daqueles com vista para a serra por uma tarde. Tínhamos que falar com outra pessoa responsável. Entramos no quarto. Ela estava linda, sorria. Eu felicíssimo, alegre, de bem com o mundo. Nos abraçamos, as mãos começaram a explorar. Firmei o seio em uma, a outra na bunda queria mais. Ela tirou a minha camiseta. Fingiu um presente ao descer para baixar minha bermuda, mas subiu sem mais nada fazer. Tirei-lhe a blusa, da saia ela deu conta. Calcinha e sutiã. Cueca. Um segundo. Só calcinha, cueca nos joelhos. Meio segundo. Cueca jogada, a calcinha na minha mão. Suávamos. Nos queríamos. Viramos animais. Me jogou na cama e fazia de mim o seu boi de rodeio. Tremíamos em êxtases aleatórios. Beijávamo-nos. Ela pressionava com as mãos o meu tórax, me colava na cama. Rebolava. Eu delirava. Nos viramos. Suas pernas me envolveram. Agora, um pouco mais lentos, eu descansava sobre os seios dela, ela respirava tudo o que não pôde. O ritmo foi crescendo novamente. Íamos nos fundir. Pressionou-me, aggarrou-me com as pernas o mais forte que pode. Enlaçou-me. Entrei-me o mais que pude. Colamos os troncos. Amarramo-nos com os braços. Duas orelhas se esfregando. Os longos cabelos dela. O grito. O caldo. O prazer. O gozo. As respirações. Nunca tinha sido tão prolongado esse momento. Ligamos o chuveiro no frio.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

2005

O silêncio. Cheguei bem perto, olhos-nos-olhos, meu queixo quase roçava seu nariz. Havia um resto de barba. Tremia. Funguei forte, tão forte como nunca ninguém jamais fungou. Escarrei-lhe na cara. Pensava em bater. Podia fazer melhor, escarrei-lhe. O cuspe se misturou com lágrimas, lágrimas que não valiam nada. Nada.

Saí disposto a dar todo o meu salário à primeira prostituta que encontrasse no caminho, mas, ao sorrir, aquela primeira quase me deu mais nojo do que a minha mulher. A segunda, também não. Outra, não. Encontrei uma gordinha sentada na mureta do calçadão, vendo o mar. Cigarro, copo plástico vazio. Sem olhar, boa noite. Sem responder, sentei-me. Já ia amanhecer. Do céu se viam dois pontos mudos na areia. Estranhos dividindo a noite. Por uma hora na mesma posição.

Dois mil e cinco subiu no horizonte, revelando toda a sujeira que havia na nossa praia. Rolhas de plástico, garraffas quebradas. E as sombras eram maiores do que a realidade. Sujeira humana. Contribuí com um último cattarro. A gordinha, com ciggarro. Mais um ano começado. Como sempre, outro pecado.

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...