Capítulo 4

Aquela semana seria mesmo muito lembrada em tempos futuros nos pensamentos do jovem Vitor. Pensamentos esses que vagariam pelo seu passado buscando as mais fantásticas épocas. Para assim colocar-lhe no rosto os melhores sorrisos que dizem como eram bons aqueles tempos. Quantos erros, quantos sabores novos, quantas amizades, quantas pessoas que ele conhecia, quantos risos que ele podia gerar e quantas risadas o podiam fazer dar. A primeira vez alegre de cerveja. Fora na segunda-feira da mesma semana da aprovação do Pablo e do Daniel. Era carnaval. Vitor fora para São Luís do Paraitinga em uma excursão com amigos. Repetir a viagem do ano passado. Sabendo que nunca uma nova viagem pode ser uma repetição. Dessa vez, ele ficou mais centrado em duas amigas, Luana e Dani. Grandes amigas essas. A Dani era um verdadeiro apoio ao espírito do nosso jovem em conversas via Internet de madrugada. Amiga desse jeito. Uma graça. A Luana era geradora de um sentimento estranho no nosso rapaz. Quando longe, o fazia imaginar fantasias eróticas com ela, amar o seu corpo, a desejar ferozmente. Mas, quando perto ela estava, ele parecia se desligar dessa vertente sentimental para estar sempre presente como a pessoa que estudou com ela durante o colegial e amigo ficou. Contudo, esse carnaval fora mágico. Nos caminhos pelas ruas da cidadezinha, ele encontrou pessoas que há muito não via; experimentou a sensação alcoólica da cerveja e a animação que ela gerava nele e nas pessoas à sua volta melhorando o humor mesmo dos ali mais sóbrios; dos que nunca bebem, mas que se mantém próximos aos que bebem. Até dançar dançou o nosso jovem rapaz. E dançou bem segundo julgou um solitário garoto observador sentado pouco distante. Meio bêbado, mas sempre bem lúcido, inventou um passo meio algo do frevo do nordeste do país que chamou a atenção desse garoto que estudou com o olhar um pouco aqueles movimentos novos, simples e muito fáceis executados com erros regulares pelo nosso quase homem. Havia sido o carnaval perfeito. Tudo fora ótimo, no melhor possível. Ele havia adorado. E agora jazia uma voz ao telefone perguntando “Alô? Vitor?”. Aquela semana realmente não havia acabado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Tema da redação: Heróis reais