Colorido Carnaval

”Sonhei com a imagem sua, caguei na cama e joguei rua. O troço endureceu, passou um carro e furou o pneu. Levaram pra prefeitura, examinaram, era bosta pura. Prenderam eu no xadrez, fiquei com raiva e caguei outra vez. Sonhei com a imagem sua...”

Há exatamente um ano, estávamos atrás de um trio elétrico pulando e cantando com fervor a marchinha O Troço. Uma felicidade sem fim! Uma chuva que não parava e dava, para todos, um toque especial à festa. Era visível que ficávamos mais crianças por estarmos pulando na chuva. Fazendo arte. Todos moleques. (amigos homens e sapatões... As meninas de camiseta molhada... Davam ainda mais alegria a toda a comemoração. Se é que não eram o nosso motivo) Havia uma bêbada no nosso grupo que gerou muito assunto para depois da festa e, agora, vivendo nós mais um carnaval, lembramos dela. A louca cometeu tudo o que uma bêbada pode fazer, com exceção de exageros sexuais. Talvez, por ter a sorte de estar sob a proteção dos puxões das amigas mais fortes. Ela contou chorando na pizzaria todos os seus problemas com a família, as culpas que tinha, como era mal o seu pai, sua fracassada vida estudantil, situação financeira, o seu não-futuro... Bebeu o que lhe ofereceram na rua e chamou muita atenção em vários lugares e horários diferentes. Não chegou a ser um escândalo a pior das vezes. Meu amigo Daniel ficou com ódio da fulana. Diferentemente, eu achava tudo muito curioso e, principalmente, engraçado. Como quando ela chagava sozinha em um grupo de garotos e os elogiava, os olhava e se oferecia; mas, quando um deles chegava perto dela, ela se desfazia do rapaz e gritava: “Saí pra lá! Ô, iludido! Iludido”. Soletrava. Estávamos em São Luís do Paraitinga, cidade do interior, e o povo que lá passa o carnaval é um pouco mais “tranqüilo”, julgo. Senão, seria bem provável que ela fosse a qualquer momento agarrada e assim teria curtido um pouco mais “profundamente” do que sóbria desejaria curtir o carnaval. Quando tomavam o fora, os iludidos fechavam a cara de raiva. O total oposto dos sorrisos que abriam quando a fêmea se aproximava mostrando todo o seu material.

Amanhã, parto para São Luís. Na quase mesma excursão e, creio eu, com quase o mesmo grupo. Dessa vez a Dani vai. Amiga, grande amiga e uma das mais ilustres visitantes desse blog. Evitei aqui falar de um lado do carnaval do ano passado, que foi no cab postado sob o título de Segredos Vitorianos do Misterioso Carnaval de 2004. A menina personagem desse post de 2004 é mesma desse post aqui e acabou de confirmar comigo no telefone o horário dessa nova ida para São Luís. Sairemos às 14h. Não vai acontecer nada do que está se passando pelos pensamentos afiados de vocês agora (vide primeira oração de S. V. M. Carnaval de 2004). Mas essa época é sempre um tanto quanto mágica. Fui num carnaval que eu dei o meu primeiro beijo. E ainda pude ir um pouco mais além. Mas nem tanto, ô.

Comentários

guto disse…
E aí Vitor? Beleza?
Cara, tá demais esse novo layout. Adorei!
Quisera saber fazer um terço disso.
Abraço,

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Tema da redação: Heróis reais