Meus primos – parte 1

Quando cheguei, olhei e fiquei olhando. Não era possível. Um baita de um carrão com um casal dentro bem aonde o Paulo e Priscila iam estar me esperando. Até que o casal era parecido com eles, mas sabia que eles deviriam estar mais atrás. Também eu estava sem óculos e fiquei pensando naquela possibilidade de que enxergamos o que queremos. Explico. Quando vamos nos encontrar com uma menina, por exemplo, ficamos doidos para que ela chegue logo porque a gente sempre chega antes. Esperando-a, a cada outra menina que passa, queremos ver nessa passante o rosto da que estamos esperado. Então ficamos procurando semelhanças e acabamos encontrando e desconfiando: “será?”. Mas... Quando a pessoa chega mais perto, não é a que esperávamos – como acreditávamos. Ela se transforma em alguém estranho e passa por nós. Achei que o mesmo estava acontecendo quando julguei o casal no carrão como sendo meus primos (meu primo e sua noiva que, por ser noiva dele, é também minha prima). Fui chegando perto do carrão em questão e olhando dentro dele, mas sabia que eles deveriam estar entre os carros de trás num pálio. A cada passo que minhas pernas davam, o meu rosto se revestia gradualmente de uma expressão de surpresa. Soltei um belo dum “CARACA” para mim mesmo quando o casal do carro ao invés de se transformar em estranhos, virou os meus primos. CARACA!

Entrei na máquina. Cumprimentei-os. Ah, como eles riram da minha cara. Aqueles chics! E meu primo nem pôs a primeira para ir embora, lógico, o câmbio era automático e vruuummm!

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Tema da redação: Heróis reais