domingo, julho 17, 2005

Coisas de quem troca o dia pela noite

Quando eu for um escritor famoso, um poeta
Alguém de palavras famosas,
Vai vir um repórter chato me entrevistar.
Ele falará de como a minha relação com a realidade
É diferente e blablablá.

Eu estarei um pouco bêbado de estar
Dando a primeira entrevista e ficarei a pensar
Estou dando a minha primeira entrevista
Já não é de se espantar

Esse negócio de dar pela primeira vez é complicado,
Você pensa muito que está ali, dando,
Imaginou tanto que isso aconteceria um dia e, quando acontece,
Você fica o mesmo de quando imaginava o negócio:
"Nossa, isso acontecendo..."

Sendo assim, conseguirei pegar só algumas palavras
Da pergunta pelo repórter perguntada.
Aí vou lembrar de uma noite,
Das férias de 2005, quando eu estava a ler
O blog do Branco Leone
Quando formulei uma frase que talvez seja
O quê o repórter estará querendo anotar.
Responderei
"o que as pessoas precisam saber
é que o mundo imaginário
é o mundo real
e a realidade
é a gente que imagina",
Entendendo com nenhuma segurança o que disse.
E concluirei mais um vez que o que eu devo mesmo
É escrever as palavras.
Faladas não são boas, verdadeiras ou belas.

sábado, julho 16, 2005

Muito dentro de um mundo meu

“Estou no metrô Trianon Masp, Av.
Paulista, em São Paulo. Espero meu
pai; nos encontraremos aqui”


Depois do pingo no i, no final do aqui, vibrou o meu celular. Meu pai perguntava onde eu estava. Respondi: -Aqui. Aqui na saída da estação Trianon Masp.

Mas o primeiro aqui da minha resposta remetia a um planeta mágico dentro de mim, depois me situei para a indicação correta.

Vivo nesse mundo que bloqueia, ou chega muito perto disso, a minha comunicação com o mundo da cidade. É um mundo maravilhoso, no qual vive o meu melhor ponto de vista da realidade – crescente na capacidade de bem-enxergar as coisas, pois a minha maturidade o faz evoluir. Contudo, uma ponte que liga esse planeta ao da cidade, ainda não foi gerada pelo poder de meus olhos da alma.

Duas vezes fui desligar-me do meu mundo maravilhoso quando tarde demais. Duas vezes usando mal o lixo e sendo reprovado pelos olhares de quem habita a cidade.

A primeira foi no shopping Eldorado. Encontrava-me bem no centro do mundo meu. Alimentava-me na praça de alimentação. Na hora de jogar as coisas no lixo, joguei a latinha de refrigerante vazia, alumínio, junto com tudo, junto ao que estava na bandeja. Quando, bem do lado, existia um lixo apropriado para ela e, ainda, o dinheiro adquirido com a reciclagem das latas ia para uma instituição de caridade. Achei-me burro, lerdo e tudo mais por um tempo, mas depois me entendi e perdoei-me. Foi uma das vezes em que fui reprovado pelos olhares de quem habita a cidade.

Outra vez que praticamente o mesmo aconteceu foi a que me fez parar para isso escrever. Cheguei um pouco antes do horário combinado na estação de metrô combinada; peguei um folheto que foi estendido a mim, algo desinteressante; sentei-me. Comecei a pensar e caí nos travesseiros do meu mundo ponto de vista maravilhoso de tudo. Instantes depois, avistei um lixo, e, levando o meu planeta envolta de mim, joguei ali o folheto. Quando me sentei novamente, vi o lixo e li a placa. Somente cigarro era a mensagem que trazia. Os olhares que me reprovaram pelo ato, dessa vez, eram bem mais sólidos e frios, pois não havia nenhuma pessoa com o foco em mim. Mas aquela estação me olhava, me julgava; o prédio ao lado também e os dois contavam à mãe, Av. Paulista, o que eu havia cometido. Mas, no fim de tudo, o espírito materno dela conseguia enxergar os meus porquês, a minha caipiragem... E ela me abraçou, não sem antes me fazer falar que aquilo não se repetiria, e me disse que estava tudo bem. Mandou-me ir ao encontro do meu pai que me esperava. Levei um sorriso comigo.

sexta-feira, julho 15, 2005

Enfim, estou em casa

O sol, se pondo, ilumina de dourado a minha goiabeira com seus últimos raios, os pardais algazaram, Vinícius e Toquinho tocam na vitrola e a noite tem o silêncio das pedras enquanto o ar, a pureza das árvores! Ah, interiorr...

quinta-feira, julho 14, 2005

Você é melado! Deixa de ser piegas!

É incrível como eu posso ser poeticamente ridiculamente exagerado
Exagerado nas visões amorosas em que me enxergo, vejo, percebo
Estou pensando muito isso nesse tempo de agora
Depois das revoluções do começo do ano, o amor, enfim, me alcança

Outrora, li numa revista – psicologia brasil – que um filho gerado
Existe desde muito antes do primeiro beijo
Dos seus pais que o imaginaram toda a vida, toda hora
Pois é nesse pensamento, que nasce a criança

Assim, a partir do momento em que você imagina o seu filho
Você o cria, ele existe e te influencia, muda seus atos de agora
Para só se sentar ao seu colo num futuro distante, mas que logo chega

Sinto forte o mesmo me acontecer na questão do amor
A imagino, ela existe em mim, mas eu nem sei quem... Como será
A conheço já? Por que a vida não me revela?

Contudo, o título não ficará claro nos versos carentes de qualidade poética, mas na prosa. Porque é mais fácil pensar em prosa. Cometo os mais saudáveis e estúpidos exageros quando vou imaginar ou falar de um amor. Ah, eu adoro um exagero, por mais ridículo que me enxerguem pelo seu uso. Aqui nesse texto estou a cometer meus exageros. Nos e-mail, msn, scraps do orkut e interpretações do mundo, também!

Conheci uma menina. Encantou-me. Mandei um e-mail para sua amiga e exagerei como nunca. Ou como sempre. Essa atitude vem da vontade de querer viver tudo em seu excesso. A necessidade de tirar o máximo proveito. Beijar até a última parte da pele do corpo daquele momento. Entregar-se ao modo de enxergar que você criou.

Tive sorte quando mostrei e pedi opinião a uma amiga. Escrevi um texto e ia manda-lo a menina que conheci: “Está muito melado, Vitor”, me mostrou a amiga. Estava mesmo. Muito melado para a alguém que você está ainda conhecendo. Você ainda não está vivendo isso, Vitor. Você está mesmo apaixonado? Ela ainda não é a pessoa com quem vem sonhado todo esse tempo. Ela pode vir a ser, mas ainda não é. O doce, quando não é necessário e vem demais, enjoa a qualquer um. Reescrevi o texto, tive a aprovação da amiga com boa nota em desmelaço. Enviei a menina. Que me respondeu e eu já reespondi novamente (ah, ela é linda). Mas escrevi bastante... Mesmo que não contendo palavras meladas, isso pode pesar um pouco açucarado. Ou pior, podem enganar como engana o algodão-doce, não pesam nada, você nem percebe o que tem nas mãos, mas, quando o envia à boca, o açúcar toma o lugar do ar.

Estava brincando com uma amiga no msn e numa troca de elogios, logo veio: “Menos, Vitor”, não com essas palavras, mas com esse sentido. Amiga de longa data, tem toda liberdade para explicitar sua visão e assim tornar a mais sincera nossa conversa. Estava mesmo muito melado. Não sei porquê não me havia vindo aquela hipérbole muito antes, nas aulas de figuras de linguagem, quando eu acreditava que mais precisava dela. Enfim...

A conversa foi seguindo e eu absorvendo e me impregnando da nova sensibilidade, a de perceber com clareza meus exageros, como eles são lidos e interpretados. Perceber como eu sou bobo. Um bobo bonitinho no contexto, mas um bobo vezes demais. Ah, enxergar também como uma hipérbole pode não convir com o que você quer dizer, mudar a leitura do receptor. Como são desnecessárias e como podem ser, além de dispensáveis, alteradoras do significado que quer dar ao que diz. É uma simples questão de aprendizado esse debate entre os vários vitors que sou eu – sobre o exagero escrito, interpretado e vivido por mim. Chega de ser piegas, Vitor!

A menina que me encantou eu espero conhecer bem mais. Que as coisas aconteçam em seus ritmos... Eu aprendendo o que preciso aprender. Ela irradiando sua beleza no sorriso mais belo que já habitou um rosto feminino e que a faz jorrar dentro de mim a paixão transbordante dos bobos e exagerados.

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...