Dois vidros-olhos

Cheguei muito tarde em casa.
Na cabeceira da cama estavam seus óculos.
O Daniel os havia achado.
Você os havia esquecido.
Ele os colocou lá para mim.
Fiquei reparando neles.
Buscando as curvas.
Os peguei nas mãos.
Buscando a sua lembrança neles.
Parei de enxergá-los.
Pensava bem em você.
Coloquei-os de volta sob a cabeceira.
Fui me arrumar.
Queria muito dormir.
Pois muito era o sono.
Muitas horas haviam se passado naquele dia.
Deitei na cama.
Li alguma coisa.
Peguei novamente seus óculos.
Beijei cada lente.
Alisei-os na pele do rosto.
Vesti-os.
Enxerguei embaçado. Sorri.
Os botei virados para mim
- sobre a cabeceira -
me olharam a noite toda.

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