quarta-feira, setembro 27, 2006

Historinhas

Numa sala totalmente escura, há um espírita, um católico, um budista. E um elefante. Aos homens se pediu que descrevessem o animal. O espírita toca a orelha e descreve um leque. O católico toca a tromba e descreve um cano de água. O budista toca a pata e descreve uma coluna.

O céu é uma mesa farta, cheia de todas as comidas do mundo, onde todos se sentam. O inferno é uma mesa farta, cheia de todas as comidas do mundo, onde todos se sentam. Nos dois lugares só há um tipo de garfo e só se pode comer com ele. O garfo tem dois metros e seu desenho e tamanho faz com que ninguém consiga alimentar a si mesmo. No inferno, se passa fome e, no céu, não.

terça-feira, setembro 26, 2006

Lenine, Vanessa da Mata e Maria Rita

O tempo passou e os ótimos shows, da Vanessa da Mata com o Lenine, no Ibirapuera, e o da Maria Rita, no via funchal, ficaram sem registro. E, ainda, é tanta coisa que acontece na vida da gente nessa época de faculdade que deixar um fato para ser escrito duas semanas depois é jogá-lo para a parte da memória que contém as coisas de anos atrás.

Anos atrás, há mais ou menos umas duas semanas, fez um domingo de sol no principal parque da cidade de São Paulo, Brasil. Pós-show dos Los Hermanos, na grama, estava eu e mais amigos. No palco, Lenine, Vanessa da Mata e mais uma orquestra e seu maestro que havia arranjado para os instrumentos clássicos as músicas dos ilustres cantores compositores nossos. O show foi ótimo, claro. Mais uma vez me apaixonei pela Vanessa da Mata. Ela estava linda como em 2005. Paixão que durou até o show da Maria Rita, quando meu coração quis bater por outros caixinhos. Lenine, sempre incrível. Soltava espécies de gritos afinadíssimos ao microfone longe do rosto. Efeito que causava uma música magnífica quando se misturava a voz da Vanessa. Aliás, a voz da Vanessa... Quando entrou no momento certo da música paciência do Lenine, foi a melhor parte do show.

Devo confessar que o encanto que tive no pelo citibank no show dos Los Hermanos se repetiu em maior escala. Entre o citibank hall e o via funchal existe uma diferença bastante positiva para o lado do via funchal. Ele é ainda melhor que o citibank: som melhor, espaço melhor, ventilação melhor... Estou como uma criança que olha novos mundos. O show da Maria Rita foi melhor do que o esperado. A frase do post do show dos Los Hermanos: “...melhor show dos meus 20 anos” vai ficar totalmente no plural “melhores shows dos meus 20 anos”. Maria Outros Caixinhos Rita cantou músicas com vários convidados surpreendentemente bons – desconhecidos para mim. Cantou 4 ou 5 músicas dos Los Hermanos, isso foi excelente. Gritei e dancei muito. As pessoas estavam bem distribuídas, não estava lotado mesmo sendo de graça e ainda tinha espaço para se dançar bem. Certa hora, fomos lá na frente, ver a mulher de perto. Era uma menina. Uma menina linda. Um jeito de moleca encantadora tem a Maria Rita.

sábado, setembro 16, 2006

Eu estava em dúvida entre colocar aqui o coração de vidro (de 11 de Junho, 2004, uma sexta-feira) ou valéria (de 28 Março 28 de 2004, um domingo). Mas, uma coisa era certa, eu ia repostar um dos textos, pois os dois casam bem com o momento que estou vivendo agora, com essa semana. Depois de reler na memória os dois textos, escolhi o valéria. Acho que ele é mais maduro em relação ao outro, tem um clima envolvente, uma poesia diferente.

Valéria

Sem dúvida, quando entramos em uma nova classe de estudantes onde não conhecemos as pessoas, cria-se um interesse por alguém do sexo oposto que estamos por descobrir e sempre há expectativas e imaginações.
Sem dúvida, não é por apenas uma pessoa que ocorre esse interesse em cada um de nós. Num dia podemos projetar um futuro com tal criatura e até virarmos poetas nos nossos pensamentos, mas no outro, já há um outro alguém nos servindo de musa para os poemas.
Sem dúvida, isso aconteceu comigo. E ao mesmo tempo a uma garota que se senta lá na frente. Ah, ela era a minha musa e eu o príncipe dela. A situação perfeita para a realização da imaginação dos dois estudantes, que é a mesma, porém com lógicas diferentes que vão se desfazer perante a uma terceira, uma nova lógica que se criará quando todo for posto no plano da realidade.
Sem dúvida, nos interessa o nosso envolvimento e andamos imaginando vários futuros, juntos um ao outro, dias seguidos; transparecia nos olhares que compartilhávamos.
Sem dúvida, seria ótimo que algo acontece.

Era sábado e lá estava ela no show da Maria Rita. Nos encontramos e começamos a nossa conversa antes do início das músicas. Parecíamos bons amigos e o interesse, habitando a ambos, fazia com que a conversa fluísse como o riacho da aldeia, que carrega as folhas que caem com os novos assuntos e os levam para o mar de letras, onde as ondas são palavras, até que quebram explodindo suavemente frases nas praias do diálogo.

O show começou e quietos ficamos, mas não totalmente. Não nos privamos de nenhum comentário e ouvíamo-nos com uma atenção que de tão natural fazia com que as melodias e os ritmos se perdessem na trilha que leva à audição, ficando apenas harmonia servindo de paisagem as palavras do outro.

--Ela faz caretas iguais as da mãe dela nas notas difíceis; são engraçadas.
--Nossa, mas você não pode ter chegado a conhece-la, não é mesmo? Fala como se tivesse vivido um show da Grande Ellis - Valéria responde ao meu comentário que iniciou a última conversa salpicada de nervosismo que teríamos aquela noite.
--Mas eu vivi.
--Impossível! Você não tem mais de vinte anos.
--Vivi através dos meus pais que lá estiveram e sendo eu a continuação da vida deles, tudo fica dentro de uma vida só, a que está comigo. É tudo passado com as histórias que nos são contadas, com as perguntas que nos são respondidas, com os comentários sobre os documentários da TV, sobre as músicas... Não percamos o que nossos pais, avós... Viveram. Tragamos as vidas deles para da nossa e misturemos as nossas memórias.
--Ah, falou! Filósofo-poeta!
--(sorriso) Tudo bem, vou parar com isso. Queria ser filosofo e poeta, se é que alguém assim possa existir, pois tenho dúvidas se os poetas e os filósofos não são apenas classificações de algum outro substantivo, se eles são separados por causa das características: ciência e arte. Mas eu não me acho nem um nem outro. Sou apenas admirador dessas pessoas de idéias interessantes.
--Não seriam, o poeta e o filósofo, gêneros de pensadores?
--Acho que é exatamente isso! (pausa - olhamos para o show) J... (pausa) Já... Já te disse que o seu jeito... que você é uma gracinha? Que é muito bonita?
--E eu já te disse que também te acho bonito e que seu jeito singular me traz admiração, rapazinho?

Surpreendido levei a cabeça para trás sem levar junto os ombros ou o corpo que sofria a gravidade do calor do corpo dela. Nos olhamos. Prevendo o futuro. E a situação brincou com as nossas almas, jogando uma na outra, esticando-as em fios e embaraçando-as enquanto ria e se divertia. Nos aproximamos e os nossos olhos se fecharam.

O teu corpo moreno
Vai abrindo caminhos
Acelera meu peito,
Nem acredito no sonho que vejo
E seguimos dançando
Um balanço malandro
E tudo rodando
Parece que o mundo foi feito prá nós
Nesse som que nos toca


Escrito por Vitor antes do show

terça-feira, setembro 12, 2006

Los Hermanos


Eu pensei que ia fazer esse post do show dos Los Hermanos de uma forma totalmente diferente quando o “acontecimento” estava ainda fresco nos meus sentidos. Mas não vou relatar como num diário o quê foi esse show. Eu mandei um e-mail para a Marcela falando isso: “Se eu gostei do show dos Los Hermanos? Foi o melhor show dos meus 20 anos! Imbatível. Acredito que nem se eu for ao show do Chico Buarque vou achar melhor. Nem o Chico!”

Realmente, o show foi um marco para mim e para o Daniel que está na minha vida como irmão: estudamos juntos desde o primeiro colegial; passamos na faculdade no mesmo tempo; viemos para São Paulo e temos a nossa república feliz. Ele também adora Los Hermanos e já enrolávamos de ir a um hermano-show há um bom tempo.

Uma coisa que eu gostei bastante foi o local do show, vale falar. Primeiro show fechado em uma casa que vou em São Paulo. No interior, pelo menos no Vale Paraíba, em Guaratinguetá mais especificamente, os shows são em ginásios esportivos ou em grandes saguões. O show dos Los Hermanos foi no citi bank hall. Lá, um lugar próprio para show, quase não dá para ficar longe do palco (só se você for um jovem idiota, pagar mais caro e ir sentar lá atrás no camarote), o som é muito bom e nem estava tão quente entre a galera. Ah, é proibido fumar, mas, claro, teve gente fumando, só que eu não lembro sentir cheiro de maconha e isso é ótimo. Assim deve ser também nos vários não-sei-que-lá-halls que tem aqui em São Paulo. Gostei, muito bom.

Outra coisa foi o cenário. Aquele painel com a arte do 4 (vide imagem que ilustra esse parágrafo). Você podia enxergar diversas formas dependendo da maneira como olhava para aquilo. Eu deixei ou não pude conter que as músicas inspirassem os desenhos que meus olhos formavam com aquelas formas geométricas, cada música dava um clima e cada clima fazia com que você se fixasse numa determinada combinação de formatos. Além disso, tinha a luz que variava em cor. Dava o clima também. Creio ser engano meu, mas acho as cores das luzes que iluminavam o painel eram de acordo com cada cd: tocava música do 4, painel com luz azul; música do Bloco, painel com luz bege... E assim vai.

O show propriamente dito me surpreendeu. Eu sabia que ia ser bom, mas não de uma forma tão diferente do que via na minha imaginação. As músicas se transformaram quando passaram do CD que rodava no meu quarto ou no computador da república para o palco e foram tocadas ao-vivo. É incrível como aquelas canções tão queridas com as quais você se identifica ficam boas para show. Parece que nasceram apenas para isso, serem tocados por aqueles cariocas simpáticos em shows. É uma experiência máxima de integração com a arte musical e poética. Eu, que me prendo mais às letras, pude cantar 90% do show: Viva! Somente em pouquíssimas estrofes me embananei.

Cantar é ótimo. Quando se canta com tudo um povo bom, que são as pessoas que gostam dos caras, em coro, como se todos fossem um só sentimento, é ainda melhor (esse sentimento está quando nos vemos nos personagens das música, vivendo a história que ela conta, que nos é muito próxima). Eu e Daniel prometemos ir aos próximos shows deles que tiver aqui ou lá no interior. E, muito provavelmente, você irá nos encontrar.

Dedico esse post ao Pablo, que queria muito mas não pode ir com a gente e é também um grande amigo e fã.

Fotos: DaigoOliva - FlickrSet: Los Hermanos e Toranja

terça-feira, setembro 05, 2006

No msn com Liana

[23:11] ???? ???: qd é a prova hein
[23:12] Vitor: a prova é bico e tá no papo
[23:13] ???? ???: ihhhh, adorei!!!
[23:14] Vitor: é a minha vontade de comer a canja de galinha que a minha avó fazia... esse frio que está em São Paulo!
[23:17] ???? ???: exatamente...
[23:17] ???? ???: eu comi macarrão sem gluten

domingo, setembro 03, 2006

Madrugada pós-show

Todos dormindo na república de madrugada após o show dos Los Hermanos. Menos eu, que ouço o 4 e penso em meu namoro, que não se faz namoro já há algum tempo; penso em como foi o show de hoje e imagino como será o de amanhã (Lenine e Vanessa da Mata); penso nos posts que farei sobre cada um dos shows; como música é uma arte ímpar realmente... E meu ouvido direito não me deixa esquecer dos agudos incalculáveis que as fãs (uma amiga em especial, que estava do meu lado) conseguem atingir como se fossem unhas em lousas. Volto em breve.

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...