Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2006

Em busca do verdadeiro presente e de quem agradecer

Presentes: pensava em presentes já fazia umas duas semanas. Ganhei presentes de aniversário, dei presentes de aniversário antes, recebi presentes de amigo secreto e agora estou no maior momento dos presentes: o Natal. O dia do maior presente.

Presentes são coisas que ganhamos. Um vestido, um brinquedo, um almoço... Um encontro. Quais são os grandes presentes? Tudo me leva a crer que os grandes presentes são os encontros e não os objetos. No amigo secreto do começo de dezembro desse ano, vi mais uma vez que os objetos são sempre uma desculpa para termos um tipo de encontro, uma reunião, uma festa, comemorar. O que vale mesmo é o momento em que estamos dando ou recebendo aquele presente, aquele dia, e o que pode tornar um presente maravilhoso, muito mais do que sua utilidade, é como ele é dado, de quem o recebemos, o que o presente é naquele momento, que significados tem, em que contexto está com aquelas pessoas que presenteiam e são presenteadas. O que está representado naquele ato (pas…

Sendo escrito

Hoje, o dia está sendo lindo demais. Parecia que começava agora a escrever mentalmente tudo o que estava acontecendo. Maravilhoso presente de Deus. Maravilhosa energia. E aí eu percebi que quem escrevia tudo aquilo era o mundo em mim.

E, no final dessas linhas, eu me lembrei que tinha alguém rezando por nós.

Minhas mãos

Minhas mãos não são para construir ou destruir muros, são para escrever neles. Tornando-os transparentes e transpassáveis. Sou um artista final.

Atrás do navio

Já era tarde da noite em São Paulo e a rua estava deserta. Ele tinha parado e descido do carro. Estava muito confuso, apoiava-se no capo, olhava aquela parte da cidade que não tinha ninguém naquele momento. Não sabia o que fazia, o que havia feito, não sabia nada mais uma vez. Confuso. Ao longe na rua viu surgir um caminhão. E não era um caminhão qualquer. Era um caminhão carregando um navio no meio do asfalto. Um navio. Na cidade? Sem saber por que, entrou rápido no carro e seguiu o navio pelos bairros. Do alto, se via seu carro a seguir e seu carro era visivelmente aquela marcação que o navio faz na água. Aquela marcação que o navio deixa atrás mas nunca deixa pra trás. Traz sempre consigo. É impossível se livrar dela porque também é impossível parar de navegar. E não se navega sem que se deixe alguma marca na água no momento.

4 de dezembro, 2006 – dia do meu aniversário

É segunda-feira. É fim de mais uma volta no ciclo, que recomeça agora no número 21. Está chovendo muito em São Paulo. O que muito me agrada nesse momento em que me deito no sofá, ao lado da janela, e vejo os quatro vidros grandes a receber 21 mil pingos d’água por minuto. Alguma coisa respinga em minha perna e me molha. Os vidros estão trincados por causa das obras do metro aqui no Butantã. Também respingam gotículas de vida a cada gota de lembrança que pinga no meu peito. Minha memória, desde que nasci, tem um vazamento que a cada dia vai encharcando o coração.

Parece estranhamente que quanto mais molhado de lembranças, mais leve ele ficou nesses dias bons que rechearam os meus 20 anos. Mas houve também dias ruins e o coração encharcado pesou mais de vinte toneladas.

Assim, vi as lembranças ora me empurrar para frente, ora me puxar para trás. O melhor de tudo é que Deus é bom e os dias ruins foram muito raros. É engraçado constatar que nesses dias raros pingaram mais as lembranças de s…