sexta-feira, abril 20, 2007

Guaratinguetá-SP - Hospital Frei Galvão

Dez dias se passaram desde aquela terça
Mais de dez mil vezes bateu meu coração
Mais de dez mil corações bateram ao meu redor em São Paulo, em Aparecida... Na Estrada
Todo o calor gerado tento trazer comigo agora
Inundar esse hospital palmo a palmo
De tudo carregar o melhor: o amor que Ele nos dá
Saber que o útero onde fui gerado e meu irmão
De minha mãe será tirado – Mioma
Quantas mãos se juntaram próximas a peitos quentes em oração

A Mãe do Vitor; a Professora Áurea; a Mulher do Agostinho; a Dona Áurea; a Mãe do Caio; a Tia Áurea; a Patroa da Fátima; a Irmã da Bel; Irmã do Carlinho; do Paulinho; a Tia Amarelinha; a Áurea do Agostinho... Irmã do Adriano; Madrinha da Fernanda; prima da Marivete que vive na varanda. Aquela que pega os alunos difíceis e os coloca no eixo; em um ano põe cinqüenta a ler e escrever, se encanta com eles, nos encanta com seus encantamentos; anima e recebe a todos em casa, é só lá onde muitos se encontram. Une a família, querida por todos.

Quantas mãos estão agora a cuidar dela
Enfermeiras, médicas, amigos, família... Oração
As mãos dos pedreiros que ergueram esse hospital
As mãos dos pesquisadores que descobriram medicamentos, tratamentos
Também cuidam de minha mãe
As mãos pequeninas que escreveram um bilhete de carinho a professora
As mãos que a batizaram
Também cuidam de minha mãe
As mãos humanas que plantaram
Que massagearam a Terra, que retribuiu alimento
Também cuidam de minha mãe agora, que está em jejum, anestesiada
As mãos de Deus que a fez, agora lapida mais o seu projeto trazendo do Céu o que é preciso na Terra

Ainda viajará muito mais, Mulher
Por esse mundo que Ele criou
Essa caminhada que só se faz a pé
Onde se encontra a Verdade, a Beleza e a Bondade

Com Fé

Seu filho
Vitor

terça-feira, abril 10, 2007

Às vezes, comprar a passagem pode ser o melhor da viagem

O Antonio Afonso foi comigo até a esquina. Despedimo-nos e entrei no metrô São Joaquim. Em pouco tempo estava no Tietê. Era quinta-feira da Semana Santa. Quando cheguei na rodoviária e parei um pouco para olhá-la, ver que, na verdade, a rodoviária são as pessoas em movimento e não o prédio estático, deslizei os polegares pelas alças da mochila que carregara o dia todo. Estampada em meu rosto estava a frase "Ir pra casa". Na covinha da minha bochecha estava a palavra "satisfação" disputando um pouco daquele espaço com a palavra "enfim". Até que eu vi que uma não anulava a outra e assim meu sorriso aumentou, a covinha também e as duas com espaço puderam ali dançar uma música em homenagem a harmonia.

Pensando que "enfim" nascia do desejo de chegar e que "satisfação" nascia de onde já se estava, andei até a fila do guichê para comprar minha passagem. Havia mais duas filas a minha direita e, em cada uma delas, uma mãe e, em cada mãe, duas pernas e, em cada par de pernas, uma filha que segurava a calça adulta com seus dedinhos pequeninos. Meus polegares novamente pelas alças da mochila deslizavam. Olhei para a primeira menina, que estava bem ao meu lado. Ela me olhou séria. Voltei. Olhei de novo com o meu sorriso estrelado por minha covinha. Pareceu que algum brilho refletiu no rosto dela e ela me sorriu. Segurando o sorriso, olhei para a frente como quem está fazendo arte. Estava na minha fila. Percebi a segunda menina me olhando. Um sorriso em mim, um sorriso nela. Cúmplices de um sorrir. As mães olhavam só para a frente, estavam em suas filas com o dinheiro na mão. Coisa de adulto. Eu, quando estava olhando para frente e com a carteira na mão, era só uma criança brincando de gente séria. Fazia isso para fazer graça com as duas. Comprar a passagem era o que menos tinha a minha atenção naquele momento.

Eu “sério”, virar o rosto de repente e pegá-las me olhando em flagrante. Ou, elas me pegando em flagrante, eu virar o rosto de repente e fingir estar sério continuando o meu caminho reto. A brincadeira deu a nós três um tempo totalmente diferente do que era o tempo para as outras pessoas nas filas, do que era o tempo que corria no grande ponteiro dos segundos no grande e pesado relógio da rodoviária. Um em cada fila estávamos todos num mesmo lugar e nele vivíamos intensamente. Conversando horas só com os olhos. Longos papos plenos e profundos. Nossos espíritos usando os nossos corpos. Como éramos grandes e leves ali.

Cada um havia chegado vindos de um lugar diferente e diferentes eram os destinos escritos nas passagens, diferente seriam os ônibus, os motoristas que nos levariam a diferentes locais, mas naquele momento era tudo um um. A união nas diferenças. Diferenciar e unir. Não dividir e misturar! Que força éramos nós três! Uma força única habitanto três pessoas naquele momento.

A menina que vi primeiro foi embora primeiro. Saiu quando eu estava sério com carteira na mão e quando a vi já estava de costas, ela saltitava feliz de mãos dadas a mãe, que não presenciara o nosso segredo. Aqueles pulinhos da alegria da menina eram fogozinhos de artifício que raiavam o meu coração iluminado. Trazer para a felicidade. A segunda menina eu não perdi de vista na despedida. Muito preocupada em manter o segredo, demorou um pouco para responder o tchau com a mão que havia lhe dado. Quando viu que ninguém estava olhando, com uma carinha tímida em seu um metro de altura, disfarçando, me respondeu com a mãozinha mais graciosa que já vi em uma criança. Aqueles cinco dedinhos apontavam para o que há de melhor no mundo, eram os raios de um círculo perfeito chamado amor e me entregavam o maior presente de todos mostrado a mim na palma daquela mão: a vida. Aquelas duas na quinta-feira... Saltinhos e dedinhos! Foi a coisa mais linda.

domingo, abril 08, 2007

Meu avô

Belmiro Bustamante Reis, meu avô, é o RETRATO do Jornal Lince em Aparecida no mês de março de 2007.

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...