quarta-feira, julho 13, 2011

Onde está a certeza do artista

A certeza do artista está na reação do público
A reação do público pautará ou o seu desespero
ou a sua glória...

Se o aplaudirem, glorificado e aceito estará
Se não gostarem, ficará desesperado simplesmente
pois é duro para sua alma verificar que os seus
não entendem nada de arte.

Ando triste como um poeta

Ando triste como um poeta-sim
Fazendo para todos a careta-não da minha ternura
Ainda restante, eu, no cálice da vida calcada
Fujo para a poesia como foge o tempo
entre uns dedos de violão cruzados em ampulheta

O que é tudo isso? pergunta o amigo ao lado sem entender
Eu infalível respondo que é tristeza em se estar triste
A certeza falível, mais crível do que eu e rindo,
consciente de sua superioridade e sabedoria
Responde ao amigo curioso, de braços dados a Verdade maiúscula de Deus:

Não se preocupe com o bom charme da efêmera tristeza
É isca que vem e que passa. Passará num doce balanço de saia
A caminho do mar de alguém a quem ele virá a tratar como uma velha amante
E será a sua mais nova namorada.

segunda-feira, julho 04, 2011

Diálogo com amigo do Rio

Foi saindo da missa em Ipanema num domingo quando que visitei o Rio. Um morador de rua veio nos pedir dinheiro e o meu amigo sabia o nome dele... Mandei um e-mail ao amigo:

Gostaria muito de comentar com você uma cena que vai para sempre ressoar dentro de mim.
Quando estava com Mafalda e encontramos você no Rio, foi muito forte para mim aquele momento com o morador de rua. Eu estava morrendo de medo de tudo por estar andando pelo Rio à noite, tinha sido abordado no ponto de ônibus da rodoviária e tinha toda a crença terrorista da mídia ativa em mim. Aí, você simplesmente sabia o nome das pessoas. Não havia o abismo que geralmente há. Aquilo ali me tocou profundamente. E lembrei que em uma época eu dei mais atenção aos mais humildes, mas isso não perdurou tanto quando eu gostaria - cabe reconstruir isso. No seu gesto no fim da missa sem saber você me deu Cristo de um jeito como é raro receber. Obrigado!

Ao que ele respondeu:

Querido Vitor,
Eu tb quando cheguei no Rio sentia-me assim. Não se culpe, somos condicionados a isso. No caso daquele morador de rua, ele até poderia fazer alguma coisa, mas temos que dar um voto de confiança -- com prudência, claro. Acho que o nome das pessoas é algo muito forte mesmo. Costumo saber o nome das pessoas em qualquer situação. Por mais que eu seja, as vezes, esquecido. Mas em casos como estes eu raramente esqueço, por serem pessoas que comumente ficam no anonimato. Estas eu costumo me lembrar com facilidade. Não se trata de tratar pessoas como iguais, simplesmente, pois seria -- em minha opnião -- "mentira"; cabe sim, tratá-las como o que são: pessoas humanas (pleunasmo?).
Como vc eu gostaria também de fazer algo mais para os mais humildes. Mas dar de si para outros, sem distinção, também pode ser uma grande fonte de evangelização. Mas isto é mais complexo....e sobre isto ainda tenho a vida inteira e a eterna pela frente, pra rezar e responder quando vir face-a-face.

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...