Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2012
Quando vejo,
assim de aleatório,
já te mandei um sms
dizendo "Te adoro"

Carta poesia para a poetisa Alice

Carta escrita hálguns meses para a poesia querida Alice

Ali se fez poesia...
Como o mármore tocado por alma artista cheia de mãos
Ali se fez poesia...
Como terra regada pela semente que resulta em flor
Ali se fez poesia!

Ali é sempre espaço fecundo
Cheio de Deus
Ali é natureza, vida, água
Ali não cabe na noção humana
Só se pode observar suas boas consequências

Meu pensamento caiu ali
Na poetisa Alice
Essa mulher, semente forte
Fez do atual terreno infértil de poesia que está minha vida nascer palavras organizadas, melodiosas, com significados

Há a saudade do contato, da pessoa e dos versos
Contato contigo que fazia me contactar comigo
Sem egoísmo, mas com a arte do encontro de Vinícius
Da pessoa que nascia em cada lado, a partir do encontro Bahia-São Paulo
Dos versos, cores dos estímulos de nós dois
Tudo isso para dizer Olá, Alice!
Eu estou aqui. Como vai?

Um beijo grande

Vitor
Te amei já a primeira vista. A segunda, a terceira, a quarta... Só estão piorando a situação.

Vocativo, "meu amor"...

Ela é carinhosa em suas relações para com o mundo. Chama os amigos de "meu amor". Quando encontrou um amor também o chamou: "meu amor". O amor encontrado gostou e viu valor no vocativo que vazou da voz da moça até ele pela primeira vez. Mas passou um dia e descobriu que o mesmo vocativo ia para os amigos próximos e o valor do vocativo liquefez-se junto com seus entendimentos dentro de um peito assustado e vazio.

A confissão veio no banho juntos. Ela só queria "usar seu corpinho, meu amor". Ao que ele prontamente a comeu.

Quem dá é o homem

"Hoje não vou te convencer a ir em casa"... Quem convence ou não é sempre a mulher. Mesmo que imperceptivelmente. Mesmo que isso aparentasse não ser, é encaixado no fim da conversa. Revelado e firmado em sua ação. Ela dita as regras do seu explorador. É ela o ser que recebe. Quem dá é o homem. Ele deve se adaptar pois a decisão e a inteligência vêm sempre por ela. Amiga da lua, a noite é toda dela. Tem o poder de reunir as chuvas de estrelas que desprendem do coração do homem. Ao mesmo tempo em que lhe esquenta a vida e o corpo, afaga com ternura a consciência inferior que escolheu e deitou em seu colo.
"Sua palavra é como eucaristia, evita morder, amolece no céu da boca" Carpinejar

Minha mão já perdeu a linha

Vi hoje, no centro cultural, um jovem casal
Ela pegou suas mãos em análise
Como a lua avalia um semideus na Terra

Ele, ser humano anormal, julgava-se casual
Ela com suas mãos em análise...
Como a luva que nunca acenará adeus e espera

Ela caçava nas linhas motivos simples
Como a paz balança as folhas de uma árvore

Ele encerrava no gesto todas suas dores
Como cores que imperam em atos sabores ávidos 

O rapaz olhou-a cheio de cachoeira
Ao que ela perguntou sobre as linhas, ele disse
"Minha mão já perdeu a linha ao pousar nas suas curvas"

Ao ouvir, não pude evitar o registo do bem quisto comentário
Mesmo num dia em que pareço estar com poeta de mim deixado no antiquário

Doce mijada

Homens vistos
Em tampas de privadas levantadas
São mau quistos
Pela amiga amada

Haja visto
A hora avançada
E como se a gravidade viesse disso
Lá se vão todos à vassouradas
Não convém chamar de Coragem alguém que tanto faz.

Lendo Dostoiévski pela primeira vez. Fdp.

Dostoiévski me deu a primeira porrada com o conto Memórias do subsolo. Meus vizinhos de prédio devem ter estranhado o rapaz que ouve mantras gritar alto filho da puta repetidas vezes enquanto lia o livro e ia percebendo que ali estavam várias análises que ele vinha construindo há meses, já dispostas em grande literatura. O filho da puta foi maior quando ele usou o exemplo de o homem ser como uma tecla de piano e eu havia usado esse exemplo uma semana antes numa carta muito caprichosa que montei. O conto cercou, arrebatou e concluiu vários portais que eu vinha abrindo. Admirável! Recomendo. Mas ainda não o digeri. Terei que ler de novo, com um pouco menos de fúria. Filho da puta!

Final da crônica "Reunião dançante" do Fabrício Carpinejar

Você encontra esse e outros textos no livro Mulher Perdigueira. Seria eu um sábio ao fazer essa pergunta com um riso cheio de consciência sarcástica?
[...]  É um vício necessário. Talvez o que faço melhor. Fico pronto para me despedaçar. [...]  No amor, em algum momento, você terá que ser ingênuo e acreditar. Terá que largar uma vida, refazer sua vida. Terá que abandonar a filosofia pessimista, a inteligência solteira do botequim e se declarar apaixonado. Terá que ser incoerente, contradizer fundamentos inegociáveis. Terá que rasgar a certidão negativa, a proteção bancária, os manifestos de aversão ao casamento e filhos. Não dá para ser esperto sempre. Não dá para ser experiente sempre. Don Juan e Casanova também se quebraram. Napoleão e César também foram derrotados na intimidade. A ingenuidade é um poder terapêutico. Nada pode ser mais traumático e mais libertador dos costumes. É um instante definitivo e raro no relacionamento. Quando confiamos que será diferente, que somos eleitos …

No seu frio, minha bicicleta vai assim

Imagem

O frio

O frio tocou o clima como é o olhar da indiferença de quem tem medo de se entregar e fala. O frio é tímido mas não cala; protege-se mas não controla a sua intensidade e chega. O frio é de escorpião e nasceu como a água em outubro.


Aconteceu que o chão ficou frio. As roupas, calças jeans ficaram dias no varal para secar. A maneira de tomar banho se alterou. Mudou o tipo da fome. Mudou o tipo de amor. Esse inverno abençoa, com a solidez do aprendizado que ele traz, a roupagem dos meus atos. Os músculos registram em seus ventres novas informações. A circulação se mantém. Fico forte sem melhor opção. Julgo que ele chegou para a minha morte, julgo que ele chegou para a minha sorte. Só não julgou que ele chegou para manter paradas as águas. É um frio de movimento. Um frio da natureza. Um frio cristal. Como tal aponta um futuro límpido após a sua passagem ou após a sua integração.


Eu não sei se passará, não sei se entregará. Sei que hoje o desejo e o demonstro com beijos. A barba cresce em min…

Rita disfarça por paz

Imagem
A Rita é uma mulher que pinta quadros do Romero Britto num bar aqui perto de casa. Um bar desses que rola um forrozinho a noite e é habitado pelas pessoas que a sociedade chama de povo antes de conhecer. Vende-os bem para muitos clientes. Muitos trabalhadores de terno passam na calçada a hora do almoço. Há muita mulher movimentando forças hoje em dia - e desde sempre. Toda vez a cumprimento. É engraçado que às vezes ela não quer cumprimentar. Pelo simples motivo de não o querer. Ela vê que eu venho de longe, vira e mantém o rosto virado para o outro lado. Eu vou olhando para ela, que, se me olhar, eu a cumprimentarei: bom dia, Rita! Mas quando passo, ela vira para o outro lado rapidamente, sem me ver... E eu sigo. "Será que ela queria antes de me cumprimentar ter aprendido meu nome como eu aprendi o dela?" Inicialmente, dou meus passos após o descumprimento como quem perdoa alguém que não tem nada para ser perdoado. Depois penso nos dias. Há dias que se quer e dias em que n…

Mini-livro para você

Parte I - Sonho Sonhei que eu era uma nota em seu piano. Esperava ser tocado para ressonar. Esse era o meu principal objetivo.

Tinha em mim a ansiedade ingênua adolescente, de quem se julga já malicioso e esperto, sabido de tudo; mas ainda está com a pureza da infância em cada um dos olhos. Estava no mundo em um escala mansa e de grande comunhão para com a Natureza. Eu e as plantas éramos iguais, na ordem, estilo e irradiação.

Como podia, aproveitada a vibração das outras notas que, antes de mim, recebiam a sua atenção. Reparava em cada nuance que chegava a mim para sonhar o mais próximo possível com como seria na minha vez.

Imaginava-me feliz. Acreditava que aproveitava assim ao máximo minha solidão habitando o que havia de mais belo em meu peito. Até que, enfim, você me tocou.
Parte II - Tocada Estremeci com gostosidão. Como uma alma que recebe da vida um belíssimo mas singelo presente, ressoei. Com o ressoar, não pude evitar de sacudir o pó de minhas doces ilusões. Estava sorvendo…