segunda-feira, junho 25, 2012

domingo, junho 24, 2012

Carta poesia para a poetisa Alice

Carta escrita hálguns meses para a poesia querida Alice

Ali se fez poesia...
Como o mármore tocado por alma artista cheia de mãos
Ali se fez poesia...
Como terra regada pela semente que resulta em flor
Ali se fez poesia!

Ali é sempre espaço fecundo
Cheio de Deus
Ali é natureza, vida, água
Ali não cabe na noção humana
Só se pode observar suas boas consequências

Meu pensamento caiu ali
Na poetisa Alice
Essa mulher, semente forte
Fez do atual terreno infértil de poesia que está minha vida nascer palavras organizadas, melodiosas, com significados

Há a saudade do contato, da pessoa e dos versos
Contato contigo que fazia me contactar comigo
Sem egoísmo, mas com a arte do encontro de Vinícius
Da pessoa que nascia em cada lado, a partir do encontro Bahia-São Paulo
Dos versos, cores dos estímulos de nós dois
Tudo isso para dizer Olá, Alice!
Eu estou aqui. Como vai?

Um beijo grande

Vitor

sábado, junho 23, 2012

Te amei já a primeira vista. A segunda, a terceira, a quarta... Só estão piorando a situação.

sexta-feira, junho 22, 2012

Vocativo, "meu amor"...

Ela é carinhosa em suas relações para com o mundo. Chama os amigos de "meu amor". Quando encontrou um amor também o chamou: "meu amor". O amor encontrado gostou e viu valor no vocativo que vazou da voz da moça até ele pela primeira vez. Mas passou um dia e descobriu que o mesmo vocativo ia para os amigos próximos e o valor do vocativo liquefez-se junto com seus entendimentos dentro de um peito assustado e vazio.

A confissão veio no banho juntos. Ela só queria "usar seu corpinho, meu amor". Ao que ele prontamente a comeu.

quinta-feira, junho 21, 2012

Quem dá é o homem

"Hoje não vou te convencer a ir em casa"... Quem convence ou não é sempre a mulher. Mesmo que imperceptivelmente. Mesmo que isso aparentasse não ser, é encaixado no fim da conversa. Revelado e firmado em sua ação. Ela dita as regras do seu explorador. É ela o ser que recebe. Quem dá é o homem. Ele deve se adaptar pois a decisão e a inteligência vêm sempre por ela. Amiga da lua, a noite é toda dela. Tem o poder de reunir as chuvas de estrelas que desprendem do coração do homem. Ao mesmo tempo em que lhe esquenta a vida e o corpo, afaga com ternura a consciência inferior que escolheu e deitou em seu colo.

quarta-feira, junho 20, 2012

terça-feira, junho 19, 2012

Minha mão já perdeu a linha

Vi hoje, no centro cultural, um jovem casal
Ela pegou suas mãos em análise
Como a lua avalia um semideus na Terra

Ele, ser humano anormal, julgava-se casual
Ela com suas mãos em análise...
Como a luva que nunca acenará adeus e espera

Ela caçava nas linhas motivos simples
Como a paz balança as folhas de uma árvore

Ele encerrava no gesto todas suas dores
Como cores que imperam em atos sabores ávidos 

O rapaz olhou-a cheio de cachoeira
Ao que ela perguntou sobre as linhas, ele disse
"Minha mão já perdeu a linha ao pousar nas suas curvas"

Ao ouvir, não pude evitar o registo do bem quisto comentário
Mesmo num dia em que pareço estar com poeta de mim deixado no antiquário

sábado, junho 16, 2012

Doce mijada

Homens vistos
Em tampas de privadas levantadas
São mau quistos
Pela amiga amada

Haja visto
A hora avançada
E como se a gravidade viesse disso
Lá se vão todos à vassouradas
Não convém chamar de Coragem alguém que tanto faz.

terça-feira, junho 12, 2012

Lendo Dostoiévski pela primeira vez. Fdp.

Dostoiévski me deu a primeira porrada com o conto Memórias do subsolo. Meus vizinhos de prédio devem ter estranhado o rapaz que ouve mantras gritar alto filho da puta repetidas vezes enquanto lia o livro e ia percebendo que ali estavam várias análises que ele vinha construindo há meses, já dispostas em grande literatura. O filho da puta foi maior quando ele usou o exemplo de o homem ser como uma tecla de piano e eu havia usado esse exemplo uma semana antes numa carta muito caprichosa que montei. O conto cercou, arrebatou e concluiu vários portais que eu vinha abrindo. Admirável! Recomendo. Mas ainda não o digeri. Terei que ler de novo, com um pouco menos de fúria. Filho da puta!

segunda-feira, junho 11, 2012

Final da crônica "Reunião dançante" do Fabrício Carpinejar

Você encontra esse e outros textos no livro Mulher Perdigueira. Seria eu um sábio ao fazer essa pergunta com um riso cheio de consciência sarcástica?
[...] 
É um vício necessário. Talvez o que faço melhor. Fico pronto para me despedaçar.
[...] 
No amor, em algum momento, você terá que ser ingênuo e acreditar. Terá que largar uma vida, refazer sua vida. Terá que abandonar a filosofia pessimista, a inteligência solteira do botequim e se declarar apaixonado. Terá que ser incoerente, contradizer fundamentos inegociáveis. Terá que rasgar a certidão negativa, a proteção bancária, os manifestos de aversão ao casamento e filhos.
Não dá para ser esperto sempre. Não dá para ser experiente sempre. Don Juan e Casanova também se quebraram. Napoleão e César também foram derrotados na intimidade. A ingenuidade é um poder terapêutico. Nada pode ser mais traumático e mais libertador dos costumes. É um instante definitivo e raro no relacionamento. Quando confiamos que será diferente, que somos eleitos por uma constelação de símbolos, que somos eleitos por uma constelação de símbolos e casualidades, quando desistimos das armas e das reservas para nos apresentarmos absolutamente disponíveis e vulneráveis. Não há mentiras e formalidades, frases espirituosas e comentários sarcásticos. Há apenas uma burrice infindável, o beiço e a intenção de se entregar para um mulher, seja como for.
Pena que a ingenuidade tem que acabar mal. Caso contrário, não é ingenuidade, é sabedoria.

sábado, junho 09, 2012

O frio

O frio tocou o clima como é o olhar da indiferença de quem tem medo de se entregar e fala. O frio é tímido mas não cala; protege-se mas não controla a sua intensidade e chega. O frio é de escorpião e nasceu como a água em outubro.


Aconteceu que o chão ficou frio. As roupas, calças jeans ficaram dias no varal para secar. A maneira de tomar banho se alterou. Mudou o tipo da fome. Mudou o tipo de amor. Esse inverno abençoa, com a solidez do aprendizado que ele traz, a roupagem dos meus atos. Os músculos registram em seus ventres novas informações. A circulação se mantém. Fico forte sem melhor opção. Julgo que ele chegou para a minha morte, julgo que ele chegou para a minha sorte. Só não julgou que ele chegou para manter paradas as águas. É um frio de movimento. Um frio da natureza. Um frio cristal. Como tal aponta um futuro límpido após a sua passagem ou após a sua integração.


Eu não sei se passará, não sei se entregará. Sei que hoje o desejo e o demonstro com beijos. A barba cresce em minha face e não quer que seja feita. O peito bate cheio de classe; é como se olhassem para a eleita necessitado de elegância. Como se agora na vida apenas bastasse a colheita, a caçada ao alvo identificado, o último tempo de um grande ciclo de crescimento.


Para me manter quente neste frio maduro não posso começar orações com eu juro. Não posso privar liberdades de quem vai pelos ensinamentos da vida. Movimento-me, mudo, maturo, mordo como fera. A era do gelo é só um nome dado por aquele velho dentro de mim que morre em um momento inédito. A era da luz é só minha fome, uma reviravolta interna que corre pra um abraço inicialmente tépido mas que puxa o calor da fonte da vida e acaba em brilho.


Diferente dos amores que já tive foi dada a mim essa nova estação, que eu não sei se houve mesmo crédito para compensá-la. Mas tenho batendo sempre, rodando o sangue no corpo, aquecendo peito e mãos, um órgão para amá-la. Tum-tum no frio é mais difícil. Tum-tum na liberdade é mais inseguro. Tum-tum nessa nova adrenalina é estimulante. Tum-tum tá bom como tá. Tum-tum assim me desafia e, por isso, mantenho-me firme frente ao frio, ereto, sou árduo, estou quente. Um fogo redundante para não congelar. Talvez tremendo um pouco para compartilhar minhas vibrações. Estalo um desejo de te excitar. Tum-tum entro em ti e ainda não me basta. Quero mais. Mais. Mais. Mais. Há muitos mais tuns para tum-tum-tar junto a ti.


Aceito estar ancorado no presente. Ficarei aqui sem vislumbres como eu quis, pedi e recebi. Presente de Deus. Temperatura. Só não sabia que iria causar contraturas nos anseios meus.

segunda-feira, junho 04, 2012

Rita disfarça por paz

A Rita é uma mulher que pinta quadros do Romero Britto num bar aqui perto de casa. Um bar desses que rola um forrozinho a noite e é habitado pelas pessoas que a sociedade chama de povo antes de conhecer. Vende-os bem para muitos clientes. Muitos trabalhadores de terno passam na calçada a hora do almoço. Há muita mulher movimentando forças hoje em dia - e desde sempre. Toda vez a cumprimento. É engraçado que às vezes ela não quer cumprimentar. Pelo simples motivo de não o querer. Ela vê que eu venho de longe, vira e mantém o rosto virado para o outro lado. Eu vou olhando para ela, que, se me olhar, eu a cumprimentarei: bom dia, Rita! Mas quando passo, ela vira para o outro lado rapidamente, sem me ver... E eu sigo. "Será que ela queria antes de me cumprimentar ter aprendido meu nome como eu aprendi o dela?" Inicialmente, dou meus passos após o descumprimento como quem perdoa alguém que não tem nada para ser perdoado. Depois penso nos dias. Há dias que se quer e dias em que não se quer. No outro dia passo no mesmo sentido e horário, com a mesma expressão pré-metrô no rosto que vai por São Paulo muitos dias e ela me cumprimenta com sorriso de amiga. Damos bom dia um para o outro e ela pincel na tela copiando cores e eu passos no trânsito copiando outros eus.

Mini-livro para você

Parte I - Sonho

Sonhei que eu era uma nota em seu piano. Esperava ser tocado para ressonar. Esse era o meu principal objetivo.

Tinha em mim a ansiedade ingênua adolescente, de quem se julga já malicioso e esperto, sabido de tudo; mas ainda está com a pureza da infância em cada um dos olhos. Estava no mundo em um escala mansa e de grande comunhão para com a Natureza. Eu e as plantas éramos iguais, na ordem, estilo e irradiação.

Como podia, aproveitada a vibração das outras notas que, antes de mim, recebiam a sua atenção. Reparava em cada nuance que chegava a mim para sonhar o mais próximo possível com como seria na minha vez.

Imaginava-me feliz. Acreditava que aproveitava assim ao máximo minha solidão habitando o que havia de mais belo em meu peito. Até que, enfim, você me tocou.

Parte II - Tocada

Estremeci com gostosidão. Como uma alma que recebe da vida um belíssimo mas singelo presente, ressoei. Com o ressoar, não pude evitar de sacudir o pó de minhas doces ilusões. Estava sorvendo a realidade do momento. A reunião de nós dois. O momento em que nota fui tocada. Esse seu contato revelou-me uma consciência superior e interessante... Minha alma iluminava-se como uma galáxia em movimento. Série harmônica estelar. A mão que eu admirava me tocou como a varinha de uma fada. Cheia de poderes e magia. Aconteceu que eu cresci.

Mais livre de minhas ideias. Sentia o gosto verdadeiro das coisas. Que tamanho tinha tal felicidade!

Parte III - Respirei

Quando cresci, chegou até mim, com a qualidade de um acorde, a cantiga de escolher. A possibilidade de escolher por mim, direcionar, moldar e colorir o fluxo que me atravessa e vai...

Sentado em cavalo branco, reposto do contentamento interior, que é a poesia de deitar em si e só ver no mundo o amor; consciente inspirei tudo para dentro de mim e esperei subir por minha coluna a grande força vital para só depois expirar, abrir os olhos, nus de filtros, e olhá-la.

Lá estava você e um novo eu para reagir como ninguém saberia ao próximo impacto do toque do teu dedo.

Parte IV - Riso frente a ti

Como uma nota masculina a observei, enquanto crescia em mim uma barba num rotso de queixo firme num corpo de braço sólido. Descobri que a dona do mundo era apenas a dona de um piano. Quando assim, me vi em riso frente a ti, na possibilidade de jogar de igual para igual, o que nenhuma das outras notas conseguiu.

Como agora podia ser safo e brincar no mundo como adulto, esperei seu toque com um plano de fazer silêncio e, quando me tocou, não ressoei.

Parte V - Brava emocionada

Brava emocionada você "Puta que paril, nota do caralho!" de um lado e "Puts, o que foi que eu fiz? errei!" do outro.

Com o silêncio chamei a sua atenção; primeiro para si mesma em autoanálise, depois para mim em observação cuidadosa.

Aconteceu de gostar-nos mais. Nos encontramos mais. Eu aprendia a ressoar melhor, melhorando músicas e melhorando o piano. Você aprendia a impactar com outras intensões, melhorando as relações.

Hoje o coração do seu dedo vai aprendendo a cada dia a dançar com o coração da minha tecla. Os olhares desvestidos prudenciam menos as palavras e se tem mais comunicação, união.

Vou feliz nos meus pianos
Vai você feliz nos seus impactos

Num pedaço de cada um vai uma dor
Pois a relação que tivemos um com outro foi de amor

Livro com uma mão não dá

Ler segurando o livro com apenas uma das mão não dá. É como fazer sexo ativo sem ter as duas mãos na parceira, não dá. E uma mão escondida s...