O desespero da chegada do seu aniversario


Você, caminhante terrestre, encontra a caminhante terrestre que sempre sonhou. Que espiritualmente sabe ser a pessoa certa. Você a ama e constrói uma relação, está nos primeiros meses. E chega o aniversario dela. Você acredita que deve dar um presente sem igual mas não o encontra em nenhum lugar. O que fazer? Pior que isso, você pensou algo legal mas no fim não o fez. Os acontecimentos do dia mudaram seus planos e não conseguiu realizar aquilo que se propôs a fazer. Ela vai chegar. Você está louco para vê-la. E está de mãos abando.

Gatinha linda, difícil saber o que dar para você. O que quero lhe dar não é nada palpável. O que quero te dar habita as esferas da alma, dos sentimentos, da sabedoria e da paz. É completamente indizível. Porém acessível. É invisível aos olhos dos olhos do rosto, mas visível aos nossos olhos sutis, que percebem aquilo que é levado direto para a consciência sem decodificação, sem linguagem, sabe-se apenas e pronto, ao acessar. O que quero lhe dar não cabe em caixa, não cabe nem mim, nem nas mãos. O que quero te dar nasce no meu corpo nessa dimensão, transcendo-o, e tendo como centro o meu coração. Mas não é algo dável. Pois não se recorta, somente, como já dito, se acessa. E a única maneira de lhe dar aquilo que vai comigo e quero em suas mãos é pondo a minha vida ao lado da sua para irem juntas. Amor não se dá, amor se compartilha, se vive junto. Faz unir para nascer as infinitudes da vida boa a dois. Espero que você compreenda os meus símbolos. São os portais para o que lhe dou sem poder dar. Nem me pertence esse presente. Minha ação é limitada, meus presentes todos são portais do nosso amor. Esses serão meus atos de cortejo na relação que somos nós.

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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