Instagram hoje não

Desde que estou com o celular novo tenho registrado algumas cenas no Instagram. Essas cenas têm um ar específico delas. É um ar ao contrário, que ao invés de eu inspirar, ele é que me inspira.

Com alguma sensação literária percorrendo a pele, fotografo e posto no Instagram. Acredito que a foto ficou ótima sempre.

Ontem eu estava entrando no metrô clínicas e havia um sanfoneiro tocando lindas músicas. Cena muito poética. Inclusive a aparência do músico me levava para as memórias do filme O Carteiro e o Poeta. Dei-lhe umas moedas. Andava devagar para ouvir por mais tempo aquela cena e não resisti: parei para ouvir. Era som de Cinema Paradiso. No fim de tudo, quando já ia embora e me virava para cumprimenta-lo antes de ir, pensei: Instagram! Mas não. Era a típica coisa que eu fotografaria porém eu estava tão inteiro ali que não me ligava a esse novo universo do compartilhamento que se instaurou no comportamento das pessoas. Essa ideia só veio no final. Aquele momento foi só meu e do músico, que ficou meu cúmplice depois da troca de moeda por arte. Gostei assim.

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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