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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

Cautela, Mordaça

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Se não te cuidares o corpo
Cuida teu espírito torto
Que teu corpo jaz perfeito

Se não te cuidares o peito
Cuida teu olho absurdo
Que teu peito tomba morto
Diante de tudo

Se não te cuidares, cuidado
Com as armadilhas do ar
Qualquer solto som pode dar tudo errado



CAUTELA (Paulo César Pinheiro)



Tristeza que veio

Quando me veio a tristeza, no meio de uma apresentação que assistia na cidade, a tratei como uma intrusa, como um miasma que precisava ser removido. Como algo que não fazia parte de mim. Foi difícil e demorou para eu aceitar que a tristeza nascia de mim, éramos a mesma natureza, eu era a pedra da sua água brotando. Tanta coisa melhor para brotar. Mas o que brota já foi filtrado, existe com pressão para a saída na superfície, seu florescimento é inevitável. A tristeza brotou. Eu não queria. Quando entendi, aceitei. Ao aceitar, ela fluiu com menos impecilhos em seu caminho. O peito sentiu seu borbulhar. Como era líquido, deixou menos espaço para o ar nos pulmões. O brotar não subiu para o rosto. Saiu direto pelo peito em algumas contrações musculares e pulsos magnéticos na caixa torácica, que pareceu uma TV chiando domingo a tarde esquecida por um corpo humano jogado no sofá e que vaga em sonhos e ilusões longe do mundo e ronca. Não pela vergonha de chorar em público evitou se verter em…