Achado numa gaveta, num velho prédio abandonado numa cidade maravilhosa

Lá estava ele, quem de agora todos falam. Eu já estava antes. Foi ele que se sentou ali; no próximo banco. Seu chapéu era perfeito, não que fosse uma peça sublime, nem era autêntica. Devia ser a sua cabeça que fazia do chapéu o que era. Hoje sabemos da mente única que ali estava, mas, quando eu vi, não pude compreender a magia do mais belo elegantismo que já olhei. FIQUEI APAIXONADA. Agora sei o equilíbrio que acontecia perto de mim, o poeta da minha vida dentro do chapéu dos outros, chapéu de todos. Lembro que tive pensamentos infantis. Achava que ele me cumprimentaria com um elogio, eu sorriria. Nos casaríamos no futuro... Ahhh...
Não tinha ainda visto o lado direito de sua face. Nenhum dos ângulos ali vividos havia permitido. Quando me mostrou que iria se levantar, arrepiou-me um susto de medo. Imaginei a face toda queimada, deformada. Ah! Deus! Nenhuma Mulher gosta disso, o defeito deve repelir todas elas; mas não ligo para o defeito, ignoro-o – caso com ele. Nesse momento do meu pensar ocorreu-me outro arrepio, ele me olhara. Oh! Deus!
Tinha o lado direito perfeito. Só olhou o meu rosto e foi-se – foice. Seu jeito de segurar a caneta mantinha nele a elegância eterna de homem ou ampliava a causada pelo equilíbrio no topo do corpo. Quão boba eu era!
Nunca esqueci o rosto. Nunca esqueço um rosto! Depois o soube poeta. E, hoje, ele diz para mim disso que ficou:

Oh abre os vidros de loção
E abafa
O insuportável mal-cheiro da memória

Passo o perfume, esqueço esse resíduo; vou a um banco qualquer.

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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