sexta-feira, março 06, 2026

Cama carnal, alma calma

 Desci no quarto para fechar a janela porque havia começado a chover. Vi a cama aberta, as cobertas mais amontoadas e o lençol exposto... meu corpo se encheu de desejo de ter o seu. Uma vontade de um infinito carnal... meu rosto sorriu. A alma sabe a bênção do desejo estar correto. O coração ansiou e ao mesmo tempo ficou em calma. Cama carnal, alma calma.

Estava atendendo um cliente hoje pela manhã que está se sentindo menos sozinho ao mesmo tempo em que está sendo mais sozinho na sua nova vida morando no interior. Antes, quando morava em São Paulo, como conhecia muitas pessoas e tinha a previsão de encontrar com essas pessoas, no período enquanto o encontro ainda não acontecia, ele se sentia mais sozinho. Imagino que há nele uma tensão que antecede o encontro com a pessoa. No interior, como ainda não fez amigos novos, não tem a previsão do encontro e isso faz com ele vivencie a cidade sem a expectativa de estar por se encontrar com alguém. Um pouco disso era o tema da sessão e, também, como ele está entrando mais em contato com o ser essencial dele. Durante o atendimento entrou uma abelha mangava, preta grande, aquelas abelhas que são sozinhas, coincidentemente. Nunca havia entrado aqui uma abelha dessa. E ela veio até a sala de atendimento… próxima a nós. Nesse momento ouvimos um barulho de algo se quebrando, um estrondo. Levantei e olhei o ambiente, não vi nada fora de ordem… Nisso, a abelha já queria sair e não estava conseguindo saber o que era passagem e o que era vidro na janela. Abri mais a janela para ela poder sair e ela se foi. Fui para o andar debaixo verificar e vi que caíram no chão e se espatifaram duas máscaras decoração que estavam na parede. Presente do meu pai. A de cima deve ter soltado e atingiu a máscara debaixo que também caiu. As duas quebraram. Abaixo delas passavam o fio do difusor de óleos essenciais, que foi atingido e também caiu, mas não quebrou. Porém derramou água com lavanda no quarto. Aquelas máscaras não faziam muito sentido com minha pessoa e nem com a decoração. Mas eu queria desocupar caixas da mudança e ocupar o espaço. Coloquei-as na parede com pregos pequenos o suficiente para deixar-las em risco como eu vim a descobrir hoje. Duas máscaras caíram, vindas do pai, durante o vôo exploratório da abelha solitária. Achamos tudo muito simbólico mas não chamado o Jung para a sessão. Preguiça danada de limpar tudo.

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Misericórdia

O texto do Natal parece que irá balizar meu ano de 2026 para uma cura muito importante em mim: olhar o que a pessoa sofre. Essa capacidade do amor ancorado na pessoa não tem acontecido em mim. Estou ensimesmado - preso em mim. Então, tendo a ficar na aparência, no que é dito, num senso de justiça próprio que busca mínimo esforço com o outro e exagera no esforço consigo mesmo por causa de uma narrativa interna da minha existência bastante pautada nas minhas dificuldades. Isso preciso mudar. Tânia me ajudou! Metas estabelecidas... 

segunda-feira, janeiro 19, 2026

Tudo me pede para escrever

Quando medito aparece: escreva. Na meditação do Kriya Hatha Yoga de Babaji. Na auto leitura da aura... também. Preciso voltar para esta prática que me acompanhou por tantos anos de uma forma tão natural. A vida adulta parece que me faz pensar e querer demais. Mais do que quando era adolescente e, dizem, estava na fase de querer o mundo. Parece que, na verdade, agora que é que eu quero demais realmente. Mais detalhes, mais preocupação com o motivo, qualidade do texto, tudo contar sem perder detalhe e, assim, nada conto. Um "prendimento"... Falta-me o desprendimento que eu tinha. Estou exercitando-o agora. Que eu possa escrever mais! Vou colocar aqui meu texto do Natal recente do fim de 2025... no próximo post.

quinta-feira, dezembro 25, 2025

O Fluxo do Amor e a Liberdade da Misericórdia

Às vezes, esperamos um espaço para o amor. Diante de uma situação que revela a necessidade de cuidado, sentimos o impulso de ajudar, mas ficamos aguardando o momento oportuno, uma brecha ou um convite formal. Ao não nos integrarmos à situação, deixamos de contribuir com a possibilidade de amar que vislumbramos.

Esperar para amar é não amar; é interromper.

Interrompemos com pensamentos o fluxo de amor que quer passar por nós. Muitas vezes, esse excesso de pensamento é apenas uma contenção do amor disfarçada de prudência. O amor não perde tempo: ele alimenta. O medo de “não ser o momento certo” acaba sendo a paralisia que impede o bem de acontecer.

Isso conecta-se a um aprendizado profundo sobre a diferença entre justiça e misericórdia. Enquanto a Justiça foca no mérito — dar à pessoa o que lhe pertence ou o que é justo —, a Misericórdia foca na carência — dar à pessoa o que ela precisa, independentemente de ser “justo” ou não.
A misericórdia está muito mais conectada ao amor de Cristo do que a justiça — que, embora seja uma forma de amor, é um “amor menor” diante da imensidão da graça. A justiça olha para o que a pessoa merece; a misericórdia olha para o que a pessoa sofre.

Não abrir espaço imediato para o ato de amar é deixar o caminho ocupado pela nossa própria falta. No fim, se não preenchemos o espaço com o amor, ele não fica vazio; ele fica preenchido pela nossa omissão.

quinta-feira, dezembro 26, 2024

Post de Natal no insta

É falado que Jesus ensinou o poder do perdão. Eu concordo. Mas penso que o perdão veio pelo motivo de honrar a vida. Não desperdiçar o grande valor que é a vida. Per-dão. Já ouvi falar que a palavra perdão pode ser entendida como uma “perda grande”: perdão. Gosto de pensar que é “dar ao permanente”. Ou seja, aceitar o acontecido, entregando ao permanente, entregando a Deus. Com isso conseguimos deixar no passado o que é do passado, parar de remoer as coisas e focar no que precisa ser feito no agora. Voltando a ter o peito disponível. Que neste Natal, o Amor encarnado possa iluminar nossas cabeças, encher nosso peito de amor e perdão, nos inspirar a pensar como amar e perdoar em cada gesto!

Reflexão de Natal

Jesus ensinou o poder do perdão. Uma capacidade de persistir com a Vida. Se somos um planeta que veio de uma explosão chamada bigbang, podemos ser também o corpo, um planeta corpo, que veio de um orgasmo humano dos nossos pais: bigbang. A vida quer explodir. No sentido de não haver barreiras, divisões entre o que é Vida e o que não é. Tudo é Vida. Mas esquecemos. Uma pedra, um rio, uma árvore, o ar é Vida. Deveríamos voltar a dialogar com esses seres como fazem os povos originários. A Vida vai em tudo. E perdoar é reconhecer que há vida até no que nos ofendeu, até no que foi contra a Vida. Essa vida merece continuar a explosão cósmica de existir. É nessa explosão que devemos nos ligar, pois ela é o Amor e o Amor é Deus. Deus não é a calma e nem a agitação. Não é a fome e nem a saciedade. A Vida que vai no outro é a mesma que vai em mim. Toda pessoa tem Deus dentro de Si. Quando a Ele reconhecemos no outro e O amamos, podemos ser Deus amando Ele mesmo no outro, assim como Ele fez ao se tornar homem e amar Ele mesmo em nós. Enquanto somos a Vida, não há divisão. Ao mesmo tempo, essa vida única se manifesta das maneiras mais diversas possíveis. Só aqui nesse planeta azul, ela é todos os biomas incríveis e impossíveis de serem todos conhecidos todos por um ser humano. Amar também é brigar pelo direito da manifestação plural. Neste Natal, desejo que a Vida, que pulsa em nós, continue! Que possamos sair dos diálogos internos do auto julgamento exagerado e nos conectamos à Vida exercendo o perdão em nós mesmos inclusive. Que possamos dialogar com todas as manifestações, a começar por falar com nossas plantas e as águas das nossas cidades. Para seguirmos leves e com coragem de fazer o que precisa ser feito num jeito próprio de ser Cristo renascido. Momentos de entrega e consciência ao escolher amar.

sábado, novembro 30, 2024

Inspiração com Tânia

Se eu perdesse o medo da ilusão,
Ao mesmo tempo que perdesse a ilusão do medo,
Verificando suas transparências,
Também perderia o medo da morte,
Gozando da morte do medo
Da graça das horas
Da voz do jardineiro me chamando
Mar
Quando eu
ia
em areias da ampulheta inocente procurando o corpo do Amor que já fora sublimado e em tudo está

sexta-feira, janeiro 12, 2024

Ao terminar de ler A Natureza da Mordida

Foi a mesma sensação de parar com o marcador página na mão após acabar um livro. Eu não sabia onde colocar meu sentimento após aquele final. Nada servia e não fazia mais sentido continuar aquela história. Seria como começar novamente um livro já lido ainda na mesma idade. Bebi um copo de água para ganhar tempo e fui viver antes de saber o que fazer.

quinta-feira, outubro 12, 2023

Dia de Nossa Senhora Aparecida



12/10/2023. Dia de Nossa Senhora Aparecida. Em 1717, num rio barroso, foi pescada, a Esperança. A carruagem da fé, que leva o filho do amor. Outubro é mês das crianças e de Nossa Senhora Aparecida. É fácil entender das crianças como símbolos da esperança. São elas a humanidade do futuro, trazem o novo, que pode ser melhor. Nossa Senhora Aparecida também é esperança. 


Na história dela, que também é uma mensagem do céu, três pescadores foram com alguma esperança, pescar peixes fora de época para a festa do governador, no Rio Paraíba, um rio barroso. Pediram a ajuda dos céus e, com várias tentativas, nada veio. No contínuo esforço humano, lançaram a rede mais uma vez e veio o corpo de uma imagem. Lançaram outra vez e veio a cabeça. Montaram a imagem. Lançaram mais uma vez e vieram os peixes, que não vinham, vieram em abundância. 

 

Às vezes, nossa vida está um rio barroso. Os pensamentos turvam o nosso sentir. Mas pedindo ajuda e nos esforçando em encontrar o que nutre nossa alegria, podemos ser agraciados. A chave de Nossa Senhora Aparecida é vir primeiro o corpo, o feminino, o real, o sentir, e, após, vir a cabeça, o racional, o masculino, o agir. Não o contrário. 


Colocar nossa cabeça no corpo do real possibilita as ações que geram os Milagres. Sentir, estar presente, para depois pensar a serviço das demandas do agora. Integração hierarquizada no feminino assim como é a vida humana. Primeira no útero e, depois, no mundo. 


Na natureza, o Reino vegetal ancora no planeta a capacidade do sentir. Isso é a sua missão. Uma planta nunca duvida. Ela age, cresce, se entorta na esperança de luz e de água. Assim também podemos ser. Uma vida de Esperança. Geradora de milagres e liberta no real, encarnada, milagrosa.

 

E quando somos nossa senhora em nossa vida? Quando, assim como ela, geramos um amor Divino, que vai além das capacidades humanas. Um amor que integra, supera, a tudo considera. Sente, antes de agir. Expandir nossas fronteiras. Quando entregamos para a luz do mundo esse amor fraterno, supra-humano, livre dos desejos egoístas, permitimos nossa senhora ser em nós. E Jesus nasce novamente. Que seja Natal diariamente.

quarta-feira, novembro 23, 2022

Ouvi por aí o seguinte: 
“É que eu sou fraco, frágil e estúpido pra falar de amor"
e continuei o personagem:

O amor que fala de mim.
Bobo, eu não escuto.
Deixo ele passar sem perceber.

Assim, o coração bate meu fim.
E da vida eu descuido.
Meus dedos de apego são só doer.

Nunca são carinho
na minha existência sem caminho.

Cama carnal, alma calma

 Desci no quarto para fechar a janela porque havia começado a chover. Vi a cama aberta, as cobertas mais amontoadas e o lençol exposto... me...