Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Olá a todos. Boa noite.

É com um grande sorriso no rosto que estamos aqui neste momento. O momento da nossa formatura. Senhores Pais e Mães, Senhores Irmãos e Irmãs, Namorados e Namoradas, Familiares, Amigos e Amigas, Senhores Professores e Professoras...

Prestem atenção em nós! Olhem cada um, e tentem ver atrás da pessoa que se forma quatro anos de aprendizado. São esses quatro anos que estão sendo comemorados agora. Poderia parecer pouco quatro anos?, mas seria pouco uma formiguinha para o olhar de um poeta?

Quem aqui é pai ou mãe de formando? Erga o braço! Ótimo, ótimo! Quem de vocês, pais e mães, já escreveu uma poesia? Erga o braço! Poucos? Muitos? Todos? Eu os convido a escrever uma poesia agora mesmo, uma poesia sobre o filho ou filha de vocês – se é que ainda não descobriram que eles próprios são poesias vivas. Nos enxerguem com olhos de poetas, por favor, olhos que vêem mais que os outros. Que vêem tudo pela única via capaz de atingir o âmago de quem somos: a via da beleza, a via da arte, a via do amor.

Poesia é aquilo que transforma vermelho em joaninha, alho em tempero, pêra em mordida, pudor em amor, matriz em trabalho, coração em batida, banana em Brasil, namorada em fada, raso em fundo, eu em você. E os multimeios, nós, somos aqueles que trabalham as linguagens, eis aqui uma linguagem textual! Somos conhecedores das belas pontes que comunicam e ligam ilhas e continentes! Sabemos gerar a comunicação. Das coisas mais sutis às mais brutas e necessárias: coisas belas. Fazemos arte! Os códigos são nossos tijolos, a sintaxe o ferro e concreto da armação e o sentido ou a semântica, o nosso trem – aquilo que leva e flui pela ponte que podemos realizar.

Reparto o convite a todos que aqui estão. Irmão, (cadê o meu irmão?) me enxergue com os olhos do poeta que você é, porque o momento é bonito demais e somente assim você irá aproveitá-lo com sabedoria. Eufórico: Eu estou me formando, todos nós aqui estamos, veja quanta gente, estamos nos formando, cara! Caramba! Acabou a faculdade!

Permitam-se livrar do pensamento lógico, da razão, da análise das palavras... para que isso que está acontecendo aqui possa ser apreendido pelo único sentido onde se pode haver verdadeiramente uma compreensão vossa: o sentido dos vossos corações, dos vossos sentimentos, os vossos olhos novos.

Vocês conhecem a velha conversa do mestre com o discípulo?

O discípulo pergunta ao mestre:
_ Mestre, como consigo atingir a sabedoria?
O mestre responde:
_ Fazendo as escolhas certas.
Discípulo:
_ mas como vou saber quais são as escolhas certas?
Mestre:
_ fazendo as escolhas erradas!

A faculdade foi o lugar onde errar era mais ameno e as possibilidades de degustação maiores... Quanta coisa nos foi oferecida! Quantas portas para passar! Ajudando que descobríssemos aquilo que mais gostamos, aquilo que queremos sorver realmente da taça das mãos do trabalho nosso de cada dia. Alguns descobriram que não era a comunicação logo no primeiro ano e já remaram em direção a rios de outras cores. Outros se formaram para depois buscar novos aromas. Muitos Multimeios permaneceram e Multimeios são. Muitos começaram a trabalhar muito bem já durante a faculdade. Outros entram no mercado este ano e a gente comemora! O curioso... O curioso é que todos deram certo. Enfim, como poderiam dar errado se não pararam de remar? Se há emoção? Se a coragem de seguir continua pulsando? E faculdade de multimeios é assim: o mais multi possível. Quantos tipos dentro do curso! Impossível deduzir um estudante multimeios. Ele poderia ser aluno de qualquer curso aqui da PUC... o tipo Jornalismo é encontrado no multimeios, o Artes do Corpo, o tipo Letras, o ciências sociais... Que curso plural!

E voltando a falar de mestre. Uma coisa que a gente aprende na faculdade é que o mestre somos nós. O seu professor mais importante não lhe ensina nada e é chamado de Orientador. Aponta caminhos, analisa as coisas junto com você, acompanha, sugere... E mesmo não ensinando nada aparentemente, é com quem você mais aprende.

Aprende-se na faculdade que não é necessário fazer um vídeo melhor do que um outro, um site melhor que aquele ou tirar uma nota melhor que a de fulano. Aprende-se a conviver na diversidade e que a diversidade é que colore a vida. Aprende-se que, no final, só podemos nos comparar com nós mesmos e descobrir se fizemos o melhor que podíamos.
Este discurso não necessita ser melhor do que nenhum outro. É apenas requerido por todos que se tenha feito o melhor que se podia.

Há aqui uma esperança de que seremos insubstituíveis no mundo, pessoas transformadoras e, acima disso, grandes seres humanos. Se podemos agora fazer as próximas escolhas, isso aumenta nossas responsabilidades em cima delas e a necessidade de termos coragem para fazer o que é certo, o que manda o coração.

No fim de tudo mesmo, compreende-se que o objetivo é ser feliz. E isto aqui é muito mais do que um encerramento. Fica claro que o desejo de toda a humanidade é único: crescer em verdade e em espírito. Crescer exige mudança e estamos preparados.

O que a gente sente “vontade dê” é de agradecer. Simples assim. Agradecer essa invenção da sociedade que é a faculdade. E veja só – vejam só, Amigos -, a sociedade somos nós! A gente então acaba por agradecer a nós mesmo! As coisas boas que fazemos, essas idéias que rendem frutos necessários para dar à vida dos indivíduos, à vida do grupo, à vida do humano o sentido de que ela necessita. Esse ser da Criação que é capaz de chorar e de rir! Fazer carinho e abraçar com amor. Que é capaz de gesticular, circular por várias linguagens para se expressar. Usar inúmeros meios para atingir o que se quer: multimeios! Um ser capaz de estudar e conhecer a si próprio. Imagine chegar a um auto-conhecimento em que você saiba o que você é quando faz MultiMeios – impressionante, não? Passaremos a vida toda tentando responder a pergunta: o que é MultiMeios? Por hora, seria apenas um rótulo diferente. Diferente do Advogado do direito, do médico da medicina, do biólogo da biologia... Uma coisa que não é nem um pouco ruim. O que você é com o multimeios? Ora, nós somos nós mesmos. Você faz multimeios, mas o que você é? Ora, então, é... Pois bem... Eu sou o Vitor. Fica mais fácil chegar a essência. Nenhum médico é apenas um médico, há uma alma ali, uma pessoa. Inteira! Somos pessoas que gostamos de linguagem! Multilinguagens... A finalidade? Comunicar. Unir aquilo que é desejado a quem o deseja, compor! Somos maestros em comunicação afinal, sabemos tocar vários instrumentos e montamos nossas músicas com eles. E só na formatura é que eu fui chegar a essa imagem! Somos maestros. Curvando o corpo agradeceremos, então! Eu curvo o meu após esta “música discursada”, após essa comunicação! Obrigado a todos, sem exceção.

Comentários

Anônimo disse…
Vale chorar!!! Parabens Vi...bjão
Gian
Érico disse…
Vitor, parabéns. Que texto lindo! Embora eu saiba do seu talento você sempre me surpeende.
Representou bem a comunidade multimeios, toca em pontos chaves não só que percorreram o longo do curso, mas que estão presentes neste prosseguimento pós-universidade e do sentimento de muitos (acho que da maioria) frente às outras profissões. Um grande abraço. Érico Cruz

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