Eu gostaria de comentar um pouco sobre o post anterior, mas sem muito capricho. Algo verborrágico.

Claro que tudo aquilo se fala da boca pra fora, em uma mesa com alguns amigos todos homens. É uma máscara muito eficiente para externalizar algumas coisas que geramos internamente. Coisas irreais, incompatibilidade de expectativas com a realidade (eu esperava algo diferente).
Expectativas não traçarão seguramente o que virá, são expectativas.

"Bem... O que eu queria mostrar no post abaixo..." Ora, vamos! Explicar o que se quis dizer com as palavras é assassinar capacidades literárias. Vamos mudar de assunto e falar sobre drogas.

Vaidosamente fui um bom moço na adolescência. Admito que faltou pureza nisso, pois era estratégico. Uma maneira de me revelar e buscar erguer algum EU para que os outros enxergassem. A postura não foi melhor nem pior do que as adotadas por outros amigos, colegas de escola, parentes. Foi a que eu escolhi. Foi uma boa escolha! Ajudou-me a mais tarde buscar experiências de “intensidade espiritual”, união com Deus. De maneira que eu nunca fumei maconha e bebi cerveja somente em duas festas, que aconteceram no 1º ou 2º ano na época da faculdade. Em contrapartida, já experimentei abrir os meus chacras, sentí-los alinhando-se, sentir energia e campo magnéticos em minha pele, expandir a consciência e me sentir Um com o todo, fazer-me Um (no sentido espiritual) com outras pessoas, vibrar em quinta dimensão, sentir miasmas caminhando por mim além de algumas experiências de projeção. Coisas que te rendem conhecimento e revelam mundos, mas que nada valem para o seu crescimento se não houver sabedoria. Aliás, sem sabedoria tornam-se extremamente perigosos, pois facilmente lhe roubarão a humildade e você será levado por um mar de vaidades pastéis onde boiará só.

Costumo muito pensar e sentir. No momento também quero experimentar como é pensar menos (pode-se manter o sentir desde que não se fique pensando sobre ele) e estar mais focado em minhas tarefas e metas. Digamos, menos maionese, mais engenharia e prazer na vida palpável. Digamos menos especulação e mais realização. Até me equilibrar. Aprender a ir por um caminho mais chão faz com que se dê alguns tropeços. É um aprender, uma novidade, você ainda precisa certamente de mapas para fazer as melhores escolhas. Às vezes não tem.

Aconteceu uma coisa interessante. Quis me alimentar de mundo e para isso estou usando a TV. Baixo uma série bem mundo na internet e estou assistindo. Chamasse Weeds, é sobre uma viúva que começa a traficar maconha para sobreviver, se dá bem no ramo e aos poucos vai se tornando uma grande algo que some habilidade, trapalhadas, coragem, bela, falta de escrúpulos, sortuda traficante. O que me interessa nisso tudo? Um pouco do linguajar, ver como esses personagens se portam e se e-x-p-r-e-s-s-a-m em suas relações. Não deixam seus sentimentos presos, não têm muito tempo de ficar pensando pensando pensando... Resolvem as coisas rápido, as idéias pousam no mundo “real”. Porém, a minha sensibilidade faz com que essa idéia de aprender um linguajar, um jeito de se expressar com a série funcione, man. Pego um jeito mais chão dos personagens que não tem tempo para brincar ou pensar. Absorvo o ritmo. Problema? Sim, pode se tornar um problema, mas também serve para aprender certas coisas. O bom alquimista transforma chumbo em ouro. Antigamente, quando criança, a coisa era mais escancarada e quando o episódio acabava eu era o próprio Jiraya ou um PowerRanger pronto a combater as forças do mal. Quando a gente cresce isso muda de figura, mas o processo de alimentação é muito parecido. Só que eu viciei um pouco na série que estou vendo. Viciado em série de maconha.

É um Vitor muito diferente que assiste séries americanas por conta própria, baixando na internet, tentando aprender ao mesmo tempo um pouco de inglês. Ainda estou me acostumando “com-esse-migo”. Ou melhor, vendo na experiência o quê tem nesse Vitor que corresponda à partes interiores da minha alma que não tinham espaço para sair, man. A Alma é algo grande! Meu corpo e minha mente possibilitam a sua existência no mundo. A Alma não se contentou ainda com os estados de corpo-mente a ela oferecidos. Ela quer algumas outras experiências que possibilitem o seu encaixe aqui. Para isso, necessita-se romper limites, explorar novidades, livrar-se do medo para se rechear de coragem e dizer sim. É o nascimento de uma postura nova e espontânea (espontaneidade e correspondência com o eu-interior é o termômetro para medir se é ou não ilusão) que já queria há muito existir. E dizer não para um padrão repetitivo nutrido por um medo de fazer aquilo que o eu-profundo pede.

Quando o Leão sai da jaula faminto, precisa tomar cuidado para não comer demais. Às vezes, acaba exagerando. Porém, é um Leão. Rei da selva, acha que pode tudo pois tem juba e mantém o focinho em pé mesmo com a pança empanturrada doendo com arrependimento escondido/camuflado. Sustenta-se como um Rei para si e para os outros e si e os outros aceitam-no como o leão que é. Óbvio, ambos - si e os outros - sabem de seus exageros e compreendem “lá dentro” as ilusões do ego. Sabem naturalmente que a letra “L” inicial de seu nome leão é, aos olhos das almas dos seres, grafada em minúsculo, assim como as dos outros bichos que já descobriram e assumiram o correto caminho de humildade. Esses estão mais além!

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Tema da redação: Heróis reais