Às vezes, esperamos um espaço para o amor. Diante de uma situação que revela a necessidade de cuidado, sentimos o impulso de ajudar, mas ficamos aguardando o momento oportuno, uma brecha ou um convite formal. Ao não nos integrarmos à situação, deixamos de contribuir com a possibilidade de amar que vislumbramos.
Esperar para amar é não amar; é interromper.Interrompemos com pensamentos o fluxo de amor que quer passar por nós. Muitas vezes, esse excesso de pensamento é apenas uma contenção do amor disfarçada de prudência. O amor não perde tempo: ele alimenta. O medo de “não ser o momento certo” acaba sendo a paralisia que impede o bem de acontecer.
Isso conecta-se a um aprendizado profundo sobre a diferença entre justiça e misericórdia. Enquanto a Justiça foca no mérito — dar à pessoa o que lhe pertence ou o que é justo —, a Misericórdia foca na carência — dar à pessoa o que ela precisa, independentemente de ser “justo” ou não.
A misericórdia está muito mais conectada ao amor de Cristo do que a justiça — que, embora seja uma forma de amor, é um “amor menor” diante da imensidão da graça. A justiça olha para o que a pessoa merece; a misericórdia olha para o que a pessoa sofre.
Não abrir espaço imediato para o ato de amar é deixar o caminho ocupado pela nossa própria falta. No fim, se não preenchemos o espaço com o amor, ele não fica vazio; ele fica preenchido pela nossa omissão.