sábado, julho 07, 2007

Sábado

Acordar nocauteado da semana ótima que foi recheada de cultura, aprendizado, novas pessoas, novos lugares, lugares comuns, vida que preenche a minha e a faz ser. Ah, sábado! Acordar bem tarde de propósito. Boiar um pouco na internet. Comer um pão de forma assistindo um programa porcaria enlatado na mtv, desses que enferrujam a feijoada da cultura nacional. Resolver cuidar da vida, trocar de roupa e ir ao supermercado só comprar chocolate, derivados e iogurte. Um pote de Toddy também porque tinha acabado. Mas esse eu não vou pôr na mochila. Deixar as coisas no apartamento e ir até o bar/lanchonete/restaurante da esquina comprar uma feijoada para almoçar. Aceitar a caipirinha free para tomar enquanto espero o moço montar o martitex. Sim, eu tenho garfo em casa, não precisa. Valeu. Tá aqui. Tomar o meio copo-americano da bebida nacional restante às pressas, pois o moço foi mais rápido do que eu. Nada bom somar pressa e álcool. Em casa, preencher o estômago da comida nacional. Divagar no blog... Decidir dar jeito na vida mais uma vez. Ir fazer a mala e partir para Vargem Grande cuidar das crianças num retiro... É! Também ir ver uma grande amiga que batiza sua filha. Ver um, dois, 9 grandes amigos, fazer novas amizades nas crianças e seus pais e derivados. Mas ainda não parti. Estou na parte do blog. Cadê A Mulher de Trinta Anos do Balzac? Vou dormir com ela nas mãos enquanto estiver no ônibus. Será que esses biscoitos serão suficientes para três dias? Acho que irei apagar no ônibus com a cabeça no vidro que tremerá meus pensamentos, os quais não me lembro mais. Fazer a barba.

Para m.

Enxergar a dimensão espiritual da vida esclareceu muita coisa para mim... Mas, às vezes, não quero as coisas esclarecidas, compreendidas; geralmente quando caio. Aí, fecho os olhos e só vejo esse organismo chamado mundo, sem sua alma. Mas, se os abro novamente, preciso de algo para me apoiar e manter-me em pé. Só há um lugar que pode nos manter assim, o chamo Amor.

quarta-feira, julho 04, 2007

Lina!


Estava na rua Traipú às 18h e 10min no domingo passado. Quando ela atendeu o celular dizendo o seu Oiiiií... na sua voz meiga e sotaque coreano, o sorriso que nasceu em mim era fruto de lembranças e do contentamento em estar novamente diante de alguém muito querida.

RiNa Yoo (lê-se Linaiô) estudou multimeios por um ano na puc comigo, no primeiro ano do curso. Já fazia um ano e meio que não nos víamos.

Desde que entrei na faculdade, cada semestre mais parece um ano inteiro. Assim, parecia que não nos víamos a três anos. Mas, quando me cumprimentou, Lina rompeu o que a minha mente humana constrói e chama de “distância do tempo”. O novo encontro ligou-se ao último como quem une um novo novelo de lã e pode continuar a tricotar um presente que vai dar com tanto carinho. Como é bom poder sorver da taça da vida esses momentos!

Outra alegria me veio ao ver aquela tímida graça, que não falava português com a agilidade brasileira pouco tempo atrás e se reservava muito quando entre os numerosos colegas, dançando com seus amigos uma coréiagrafia, quero dizer, coreografia complexíssima e sofisticadíssima aos olhos de um jovem que só sabe alguns passinhos de forró e olhe lá!

Ela estava no ambiente dela, recebendo-me. Que maravilhoso convite! E como havia mudado! Mantendo-se completamente a mesma pessoa. A língua que falamos não dá conta de explicar o que são as transformações e tão menos quem somos nós.

Lina me contou da maior facilidade de se aproximar das pessoas com mais facilidade, após estar nesse grupo; do encontro com Deus, eu assim resumo. A liberdade de ser com todos livre. Eu também a cada instante experimento essa sensação: pouco a pouco aprendemos a nos colocar no momento presente verdadeiramente. Pensar é, às vezes, inadequado. Quero abrir os olhos na árvore do mundo, ver os frutos que aqui estão e me fartar da doçura contida em cada um como quem está numa mangueira desnudando grandes caroços.

Depois de sua apresentação, havia um jantar com todos os presentes. O convidado sentou-se ao lado de sua amiga muito contente e feliz por estar ali, sentia-se muito bem. Lembrava e via mais uma vez a inocência daquela menina cheia de paz, que dividia seu dom com prazer e muito fazia rir. Incrível sensação da pureza infantil sinto em mim quando converso com a Lina... É tudo tão simples no vocabulário que usamos, tudo tão claro; piadas tão brancas, como a lua que reflete a luz de um ser maior. Obrigado, Lina!

segunda-feira, junho 25, 2007

Auto-retrato


Auto-retrato, upload feito originalmente por Vitor Bustamante.

quarta-feira, junho 20, 2007

Hiatus

Ah, poeta que leio agora
Busco em ti o que havia em mim outrora
e parece perdido...
e não há mais...

Mas deve estar aqui; bem perto
Aqui nessa mesa deve estar
Sei que está muito próximo

Mas onde? O que me falta para achar?
Harmonia humana, divina, musical...? O quê!

Onde está a caneta mágica
que você bem usou
no livro que tenho em mãos
e que eu tinha
e com ela tecia meus
versos de poeta aprendiz?

Ah, Moacyr Sacramento,
o quê está em mim desligado?
Em quê não estou ligado?
E que você se liga tão bem?

Tão facilmente em seus versos
pega um punhado da terra escura
na concha da mão e me mostra
e sei que a caneta mágica está ali oferecida
a todos que te lêem

Como voltar a merecer e
assim receber a inspiração dos poetas?
Os sentimentos transbortantes?
Seja meu Rainer Maria Rilke!
Vitor Bustamante

Resposta

Olá, Vitor! Obrigado pelo texto. A sua, com certeza, é uma alma boa e a isso se deve tanto carinho para comigo. Estou longe, muito longe de poder ser orientador de alguém! No entanto, como o poema sugere um pedido, eu vou me arvorar a dar-lhe uma sugestão: a magia não está na caneta e sim, no Espírito Santo de Deus que habita seu coração. Não há que procurar no material pelo que pertence à Luz. Reiterando o agradecimento por sua gentileza, deixo aqui um fraterno abraço do Moa.
Moacyr Sacramento

terça-feira, junho 19, 2007

Primeiro trailer

Esse é meu primeiro trailer, feito na faculdade. Para o filme documentário Buena Vista Social Club, de Wim Wenders e Ry Cooder.

Gosto muito da música cubana e, quando caiu esse filme para eu fazer o trailer, fiquei bastante alegre. O resultado foi menos satisfatório para mim do que para o meu professor que gostou muito da minha escolha em focar mais no povo; o lado da vida das pessoas prevalecendo sobre o profissional-musical. Também gostei disso. Mas vejo ainda muitas falhas. Tomara que vocês comentem para eu saber o que acharam. Podem criticar à vontade - por favor.

segunda-feira, junho 04, 2007

Olá, pessoal da faculdade!

Não estou pensando muito na festa. Minhas idéias da nossa formatura, hoje, são sobre a entrega dos diplomas, que sonho e sugiro que seja no TUCA. Vejo ali um momento importantíssimo para cada um nós, nossas famílias e nossos professores. Pelo menos para mim, uma hora para derramar alguma lágrima. Refletir profundamente, como em nenhum outro momento isso poderá ser atingindo mais vivamente, sobre o que foi toda a nossa experiência (ainda estamos nela), as pessoas que conhecemos, nossos passos na estrada do aprender e fazer e também sobre como repartimos esses aprendizados e realizações com a sociedade - responsabilidade. Vejo também um momento para revermos os erros, mas dediquemos 20% de nossos pensamentos aos erros e 80% aos acertos que devem ser valorizados imensamente.

A festa é A festa, é a hora de pular, expressar nos sorrisos, passos de dança (a banda tem que tocar forró, hein!), nos abraços, gritos calorosos, poses para as fotos, brindes... Tudo isso que estamos comemorando e nos preenche e nos dá motivo! Agradecer aos convidados, certamente pessoas importantíssimas na nossa vida e, se assim o são, o são também para a nossa experiência no multimeios inseparavelmente. Na felicidade ali posta e vista em nós que comemoramos, nossos pais ou responsáveis (como o colégio gostava de dizer) vejam o esforço de pagar a mensalidade, ficar longe dos filhos (para os que são de longe como eu), ajudar no que puderam e tudo mais Recompensados. Porém, ali Nasce uma esperança, que é belíssima e que precisamos nos esforçar para a sua realização. A esperança de que seremos insubstituíveis no mundo, pessoas transformadoras e, acima disso, grandes seres humanos. Se o nosso universo se abre ainda mais, se aumentam as possibilidades dadas a nós, com elas aumentam nossas responsabilidades. A importância da festa é muito mais do que eu pensava. Ela é uma realização, um encerramento que mais abre para tudo do que fecha o curso, mais do que o "último momento de todos juntos", é o momento de uma mudança, de sentir no corpo e na alma todo o significado desse momento: vivê-lo.

Escrevendo isso, finalmente meu coração bateu para a festa também. Já era hora. Os dois momentos (diploma e festa) são importantíssimos e a cada um deles devemos dar o mesmo peso. Um mais reflexão, outro mais dançar!

A cara da festa deve ser a nossa. A festa sai de nós. O sentido é de dentro pra fora. Não nos encaixaremos em moldes. Mas isso não exclui em mim a vontade imensa de dançar com minha mãe uma valsa - que seria ótimo ser uma valsa o mais multimeios possível.

Ajudarei se for festa tradicional ou criativa, como está em questão. Mas torço imensamente para que haja um caminho do meio para seguir.

No circo chamado multimeios, no espetáculo Formatura, andando na corda banda da discordância, o destino, que equilibra os pesos de sua mão direita com os de sua mão esquerda, consiga equilibrar-se até o fim e realizar seu número inesquecível ao som das palmas das mãos de todos nós.

Vitor

quarta-feira, maio 09, 2007

Vaga-lume

Estou a voar como um vaga-lume: ora cheio de luz, ora vazio Dela; ora olhando e querendo o que vem, ora olhando e querendo o que foi.

sexta-feira, abril 20, 2007

Guaratinguetá-SP - Hospital Frei Galvão

Dez dias se passaram desde aquela terça
Mais de dez mil vezes bateu meu coração
Mais de dez mil corações bateram ao meu redor em São Paulo, em Aparecida... Na Estrada
Todo o calor gerado tento trazer comigo agora
Inundar esse hospital palmo a palmo
De tudo carregar o melhor: o amor que Ele nos dá
Saber que o útero onde fui gerado e meu irmão
De minha mãe será tirado – Mioma
Quantas mãos se juntaram próximas a peitos quentes em oração

A Mãe do Vitor; a Professora Áurea; a Mulher do Agostinho; a Dona Áurea; a Mãe do Caio; a Tia Áurea; a Patroa da Fátima; a Irmã da Bel; Irmã do Carlinho; do Paulinho; a Tia Amarelinha; a Áurea do Agostinho... Irmã do Adriano; Madrinha da Fernanda; prima da Marivete que vive na varanda. Aquela que pega os alunos difíceis e os coloca no eixo; em um ano põe cinqüenta a ler e escrever, se encanta com eles, nos encanta com seus encantamentos; anima e recebe a todos em casa, é só lá onde muitos se encontram. Une a família, querida por todos.

Quantas mãos estão agora a cuidar dela
Enfermeiras, médicas, amigos, família... Oração
As mãos dos pedreiros que ergueram esse hospital
As mãos dos pesquisadores que descobriram medicamentos, tratamentos
Também cuidam de minha mãe
As mãos pequeninas que escreveram um bilhete de carinho a professora
As mãos que a batizaram
Também cuidam de minha mãe
As mãos humanas que plantaram
Que massagearam a Terra, que retribuiu alimento
Também cuidam de minha mãe agora, que está em jejum, anestesiada
As mãos de Deus que a fez, agora lapida mais o seu projeto trazendo do Céu o que é preciso na Terra

Ainda viajará muito mais, Mulher
Por esse mundo que Ele criou
Essa caminhada que só se faz a pé
Onde se encontra a Verdade, a Beleza e a Bondade

Com Fé

Seu filho
Vitor

terça-feira, abril 10, 2007

Às vezes, comprar a passagem pode ser o melhor da viagem

O Antonio Afonso foi comigo até a esquina. Despedimo-nos e entrei no metrô São Joaquim. Em pouco tempo estava no Tietê. Era quinta-feira da Semana Santa. Quando cheguei na rodoviária e parei um pouco para olhá-la, ver que, na verdade, a rodoviária são as pessoas em movimento e não o prédio estático, deslizei os polegares pelas alças da mochila que carregara o dia todo. Estampada em meu rosto estava a frase "Ir pra casa". Na covinha da minha bochecha estava a palavra "satisfação" disputando um pouco daquele espaço com a palavra "enfim". Até que eu vi que uma não anulava a outra e assim meu sorriso aumentou, a covinha também e as duas com espaço puderam ali dançar uma música em homenagem a harmonia.

Pensando que "enfim" nascia do desejo de chegar e que "satisfação" nascia de onde já se estava, andei até a fila do guichê para comprar minha passagem. Havia mais duas filas a minha direita e, em cada uma delas, uma mãe e, em cada mãe, duas pernas e, em cada par de pernas, uma filha que segurava a calça adulta com seus dedinhos pequeninos. Meus polegares novamente pelas alças da mochila deslizavam. Olhei para a primeira menina, que estava bem ao meu lado. Ela me olhou séria. Voltei. Olhei de novo com o meu sorriso estrelado por minha covinha. Pareceu que algum brilho refletiu no rosto dela e ela me sorriu. Segurando o sorriso, olhei para a frente como quem está fazendo arte. Estava na minha fila. Percebi a segunda menina me olhando. Um sorriso em mim, um sorriso nela. Cúmplices de um sorrir. As mães olhavam só para a frente, estavam em suas filas com o dinheiro na mão. Coisa de adulto. Eu, quando estava olhando para frente e com a carteira na mão, era só uma criança brincando de gente séria. Fazia isso para fazer graça com as duas. Comprar a passagem era o que menos tinha a minha atenção naquele momento.

Eu “sério”, virar o rosto de repente e pegá-las me olhando em flagrante. Ou, elas me pegando em flagrante, eu virar o rosto de repente e fingir estar sério continuando o meu caminho reto. A brincadeira deu a nós três um tempo totalmente diferente do que era o tempo para as outras pessoas nas filas, do que era o tempo que corria no grande ponteiro dos segundos no grande e pesado relógio da rodoviária. Um em cada fila estávamos todos num mesmo lugar e nele vivíamos intensamente. Conversando horas só com os olhos. Longos papos plenos e profundos. Nossos espíritos usando os nossos corpos. Como éramos grandes e leves ali.

Cada um havia chegado vindos de um lugar diferente e diferentes eram os destinos escritos nas passagens, diferente seriam os ônibus, os motoristas que nos levariam a diferentes locais, mas naquele momento era tudo um um. A união nas diferenças. Diferenciar e unir. Não dividir e misturar! Que força éramos nós três! Uma força única habitanto três pessoas naquele momento.

A menina que vi primeiro foi embora primeiro. Saiu quando eu estava sério com carteira na mão e quando a vi já estava de costas, ela saltitava feliz de mãos dadas a mãe, que não presenciara o nosso segredo. Aqueles pulinhos da alegria da menina eram fogozinhos de artifício que raiavam o meu coração iluminado. Trazer para a felicidade. A segunda menina eu não perdi de vista na despedida. Muito preocupada em manter o segredo, demorou um pouco para responder o tchau com a mão que havia lhe dado. Quando viu que ninguém estava olhando, com uma carinha tímida em seu um metro de altura, disfarçando, me respondeu com a mãozinha mais graciosa que já vi em uma criança. Aqueles cinco dedinhos apontavam para o que há de melhor no mundo, eram os raios de um círculo perfeito chamado amor e me entregavam o maior presente de todos mostrado a mim na palma daquela mão: a vida. Aquelas duas na quinta-feira... Saltinhos e dedinhos! Foi a coisa mais linda.

domingo, abril 08, 2007

Meu avô

Belmiro Bustamante Reis, meu avô, é o RETRATO do Jornal Lince em Aparecida no mês de março de 2007.

Cama carnal, alma calma

 Desci no quarto para fechar a janela porque havia começado a chover. Vi a cama aberta, as cobertas mais amontoadas e o lençol exposto... me...