Estou no seu apartamento sem conseguir sair. Primeiro culpei a preguiça, depois culpei a chuva e a seguir a combinação das duas coisas. Depois me vi a respirar. Coloquei música para tocar. Músicas com letras, as mais bonitas da cidade, que a gente canta junto e que nos mergulha, sem opção, nas emoções de quando somos. Aí me dei conta do porquê de não conseguir daqui sair. Não mudou muita coisa. É medo da saudade. Daqui a três dias você viaja para a Índia e eu, que ainda não sei flutuar nas nuvens como você, fico. Estou apegado ao seu apartamento como se pudesse me guardar dentro de ti. Coisa de homem, coisa de mulher, coisa do amor.
Disparo como pífano pelos cômodos. Regos com as lágrimas escondidas e inúteis do meu fundo as suas plantas. Arrumo sua cozinha como quem arruma idéias. Lavo os panos de prato na máquina, omo multiação, e ponho pra secar a quente na secadora. A tentativa de girar calor nesse pequeno frio verdinho do sábado. Me perco dentro do amor e tenho a certeza que me encontro dentro dele. O que é do um sem o outro? Do um sem o outro é só saudade sob medida para 15 dias hospedando a eternidade. Nem foi e já quero pra ontem a sua volta!
Amo. Ana. A vida me concede amar. Amo mesmo! Quando voltar direi que carolinei pelos dias que passaram...
sábado, janeiro 12, 2013
sexta-feira, janeiro 04, 2013
Déficit de falar
Por que não falamos? Estava deitado ao lado da minha namorada agora quando acordamos, pensando mil coisas sozinho. Senti em mim uma grande dificuldade de me comunicar adequadamente. Isso porque sou formado em comunicação pela PUC-SP há mais de quatro anos. Há uma dificuldade em dizer, que está internamente justificada no medo, na preocupação com o outro, na prudência de não ser crítico ou inquisitor, indelicado. Para falar, talvez seja necessário um bem-estar raro para que tudo flua sem muita interferência da mente. É preciso estar limpo das mazelas de plantão. É preciso coragem para agir humilde. É preciso coragem para impor a sua verdade, descobrir que ela não é absoluta e desapegar para modificá-la.
Teorizar num texto ainda é estar na fuga fácil que o silêncio proporciona. Falar é o melhor remédio nesse caso. Que ele seja tomado, mesmo que pareça ter um gosto ruim ou que sua picada dolorida cause um curto pânico.
Teorizar num texto ainda é estar na fuga fácil que o silêncio proporciona. Falar é o melhor remédio nesse caso. Que ele seja tomado, mesmo que pareça ter um gosto ruim ou que sua picada dolorida cause um curto pânico.
domingo, dezembro 30, 2012
Xadrez no tablet
Eu e meu irmão estamos com os nossos respectivos tablets. Eu com um iPad e ele com um asus android. Diferença que nos instiga a defender as qualidades de nossas marcas, vantagens sobre vantagens. Instalamos esse fim de semana, ultimo do ano de 2012, um jogo de xadrez que podemos jogar via internet, cada um no seu tablet. A experiência está rendendo boas partidas. Está em 2x2. Damos lances entre checar e-mails, ler notícias, conversar com pessoas, ler livros. Uma prática entre irmãos, que pode ser estender pelos anos. Desde muito gostamos de jogar xadrez. Mas o hábito físico não se criou dado a necessidade estar perto e a preguiça. Com a facilidade e conveniência do meio digital, podendo jogar a distância e dar lances quando possível, espero que o ritual se estabeleça.
Fim de semana em casa
Em casa dos pais. Minha mãe veio até a sala para dar boa noite. Eu e meu irmão respondemos. Pedi para ele pausar a série que víamos, pois precisava de um copo d'água. Mas antes de ir para cozinha, passei no quarto da minha mãe. A água era necessária, mas mais como desculpa para o meu gesto de filho sedutor do que disputa o apreço materno com irmão do que para matar a sede e molhar a garganta prejudicada. Gripe recente. Meu pai já dormia sobre a cama e entreguei a minha mãe um beijo de boa noite, que se converteu num sorriso, que se converteu em paz. Falta deitar um beijo sobre meu pai. Isso fica para o domingo! O dia será de um vermelho agradável, pelo fato dos domingos serem vermelhos no calendário e estar calor, e viajaremos para São Paulo. Ele trabalhará no último dia do ano e eu irei passar o réveillon com a Ana, minha namorada. Precisamos nos ver um pouco antes da virada. Para nossos olhares se perderem do tempo dentro um do outro antes de estar no social. Namorarmos.
quinta-feira, novembro 08, 2012
O desespero da chegada do seu aniversario
Você, caminhante terrestre, encontra a caminhante terrestre que sempre sonhou. Que espiritualmente sabe ser a pessoa certa. Você a ama e constrói uma relação, está nos primeiros meses. E chega o aniversario dela. Você acredita que deve dar um presente sem igual mas não o encontra em nenhum lugar. O que fazer? Pior que isso, você pensou algo legal mas no fim não o fez. Os acontecimentos do dia mudaram seus planos e não conseguiu realizar aquilo que se propôs a fazer. Ela vai chegar. Você está louco para vê-la. E está de mãos abando.
Gatinha linda, difícil saber o que dar para você. O que quero lhe dar não é nada palpável. O que quero te dar habita as esferas da alma, dos sentimentos, da sabedoria e da paz. É completamente indizível. Porém acessível. É invisível aos olhos dos olhos do rosto, mas visível aos nossos olhos sutis, que percebem aquilo que é levado direto para a consciência sem decodificação, sem linguagem, sabe-se apenas e pronto, ao acessar. O que quero lhe dar não cabe em caixa, não cabe nem mim, nem nas mãos. O que quero te dar nasce no meu corpo nessa dimensão, transcendo-o, e tendo como centro o meu coração. Mas não é algo dável. Pois não se recorta, somente, como já dito, se acessa. E a única maneira de lhe dar aquilo que vai comigo e quero em suas mãos é pondo a minha vida ao lado da sua para irem juntas. Amor não se dá, amor se compartilha, se vive junto. Faz unir para nascer as infinitudes da vida boa a dois. Espero que você compreenda os meus símbolos. São os portais para o que lhe dou sem poder dar. Nem me pertence esse presente. Minha ação é limitada, meus presentes todos são portais do nosso amor. Esses serão meus atos de cortejo na relação que somos nós.
domingo, outubro 28, 2012
Em Aparecida
Visita relâmpago em Aparecida. Muita coisa acontecendo na vida que o parar para pensar na forma estruturada de um texto está muito raro. Mas após algumas mudanças que realizam vários ajustes, a vontade de escrever de uma escrivaninha reformada ou totalmente nova vem. E cá está ela. Não somente eu sou outro, mas mudam também as pessoas ao redor. Até o dispositivo mudou. Escrevo de um iPad. Um grande presente que recebi esse ano e já está sendo super útil para trabalhar, estudar, expandir. O que acontece de mais importante é o meu namoro com a Ana. Está bastante transformador e me fazendo crescer junto, na delícia da vida compartilhada. Falta até tempo para dormir dada a abundância de coisas para fazer, conversas para ter, amigos para receber. Quando o relacionamento é bom assim, ele exige que a sua alma esteja no centro do corpo. Nenhuma intranqüilidade no coração é bem-vinda e as duas colunas que são o casal a sustentar o templo do amor devem se manter eretas e tão cheias de paz quanto um sorriso sincero. Algo que requer trabalho. Um trabalho que tem o salário da satisfação em se estar vivo e ter uma mão para dar.
segunda-feira, setembro 24, 2012
terça-feira, agosto 07, 2012
Primeira declaração no caderno 1
Parece visível a mim a cadeia das coisas, como é visível a cadeia de ondas na praia. Hoje é o último dia das férias de 2012. Almoçamos no centro cultural com uma amiga. A última frase que havia escrito nesse caderno foi a da folha anterior: "Ter é deixar ir". Achei a frase como quem acha o sentido numa escolha que não pensou em fazer mas já está nela. Como foi difícil te ter, já que ter é deixar ir. Fiquei tão perdido que acabei na igreja a rezar e yoga. Depois fiz escrever. Como posso seguir na madrugada das horas dos tempos sem ti? É como se fosse num corpo sem sangue, vazio do coração que te entrego.
quinta-feira, julho 26, 2012
Rodas e a possibilidade da metade
Comprei rodas novas para a minha bicicleta. Vieram com adesivos cheirando a patrocínio, profissionalidade na ação rotatória. Essas são mais rápidas nas intenções de acelerar e frear. Rodas firmes, decididas. Não nasceram sob o signo de gêmeos. Após as primeiras semanas com elas, questionei os adesivos. Questionei assassiná-los e botar seus cadáveres no lixo reciclável. Ficaria com a roda toda preta. Uma sensação de estilo, meu ser artista pedalando pós-modernidade na metrópole. Seria um homem clean e atrairia garotas que usam boina e roupas descoladas, aquele amontoado de panos. Mas a dúvida fez vingar apenas metade da minha ação. Tirei os adesivos somente do lado esquerdo da bicicleta, como uma mulher que bota silicone primeiro em um dos seios e assim pode decidir completar a turbinada no segundo tempo, após infinitas trocas de passes em frente ao espelho. Mas num jogo que não tem prorrogação, vai direto aos pénaltis. Rodas são mais sérias que quadrados e facilmente causam a ilusão do contrário. Estou agora com duas bicicletas. Como a mulher que tem dois corpos. Posso olhar só para a esquerda e ver uma coisa e olhar para a direita e ver outra. Claro que irei decidir remover o restante dos adesivos para ficar com a bike toda igual, equilibrada. Mas quando a reforma é no corpo fazemos de tudo para nos despedir aos poucos de nós mesmos.
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