segunda-feira, janeiro 08, 2007

2006

Já é 8, mas eu gostaria de colocar aqui no blog o meu texto de fim de ano, que lemos aqui em casa na noite do ano novo. Feliz 2007 ctrl+alt+blog!

Estamos no dia 365 e temos aqui um ano inteiro chamado 2006. Ainda é difícil para nós ter noção de quanto tempo cabe em um ano. A calculadora pode chegar até a dizer que um ano tem 31.536.000 segundos, mas - ora - as nossas lembranças podem muito mais! Esta reunião é para comemorarmos, para nos re-unir. Pergunto: o que comemorar? Quem está aqui nessa casa hoje? Por que vamos derramar um pouco de champagnhe no chão ao abrir a garrafa calorasamente entusiasmados? O que não tem aqui é acaso. Hoje, a casa está recheada e o nosso motivo é dos bons! Vamos então brindar com um pouco de cada um. Feliz ano novo! Vamos brindar!

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Em busca do verdadeiro presente e de quem agradecer

Presentes: pensava em presentes já fazia umas duas semanas. Ganhei presentes de aniversário, dei presentes de aniversário antes, recebi presentes de amigo secreto e agora estou no maior momento dos presentes: o Natal. O dia do maior presente.

Presentes são coisas que ganhamos. Um vestido, um brinquedo, um almoço... Um encontro. Quais são os grandes presentes? Tudo me leva a crer que os grandes presentes são os encontros e não os objetos. No amigo secreto do começo de dezembro desse ano, vi mais uma vez que os objetos são sempre uma desculpa para termos um tipo de encontro, uma reunião, uma festa, comemorar. O que vale mesmo é o momento em que estamos dando ou recebendo aquele presente, aquele dia, e o que pode tornar um presente maravilhoso, muito mais do que sua utilidade, é como ele é dado, de quem o recebemos, o que o presente é naquele momento, que significados tem, em que contexto está com aquelas pessoas que presenteiam e são presenteadas. O que está representado naquele ato (passado e presente) e o que aquele ato está a criar (futuro).

Então, os nossos grandes presentes são se encontrar. Mas isso ainda está vago demais no raciocínio, precisamos enxergar mais além. É aí que descobrimos que os melhores presentes é poder estar nessas situações, nesses encontros, que eles são possíveis para nós. Mas...

Porque eles são possíveis? Quem possibilita? Deus, claro; que é luz. Porém poder estar nesses momentos ainda parece vago, não é o grande presente, o maior presente só pode ser um, único, algo que faz o mundo acontecer. Concluo que o grande presente de todos - a humanidade perceberá - é a vida! Sim, a vida!

A vida de cada um é o maior presente que cada um pode receber. E quem nos dá é Deus. E Ele nos dá a vida de inúmeras maneiras. Nos dá a vida a todo momento. Nos deu quando mandou para cá o Salvador, Deus encarnado. E Cristo deu sua vida na cruz: para nós, por nós. Ele nos deu a vida mais uma vez. Nos dá a vida a todo momento.

Refletindo sobre os presentes, podemos entender que o grande presente é a vida. E, assim, pensamos em quem agradecer por essa dádiva maravilhosa. Nossos pais? Sim. Mas não importa a quem agradeceremos porque o último agradecimento que pode ser feito será a Deus.

Todos os agradecimentos levam a Deus. Todos os agradecimentos agradecem a vida e dão graças! E Ele nos deu a vida, nos abençoou com o poder existir.

Todos os filhos merecem ser gerados do amor, nascer do amor de um casal e lembremos que Deus é amor. Ele é o Amor. Viva! Todos os filhos merecem gerar novos filhos. Todos os filhos merecem uma família, a grande exemplo da Sagrada Família. Os exemplos são importantes. Deus nos dá a vida e nos mostra para onde caminhar, por onde caminhar, ilumina os caminhos e, assim, podemos fazer escolhas, podemos andar. Pois Ele é a luz que ilumina muito mais do que os objetos materiais que podemos pegar com a mão e chamar de presentes, ele ilumina a vida e nos mostra que a vida (objeto impalpável) está, no natal, mais do que nunca em nossas mãos. Eu agora ergo as minhas mãos para o céu e agradeço: Obrigado, Senhor! Pelo presente da vida! Por Cristo Luz e Salvador! Por merecer estar numa família imensamente boa! Por poder amar e ser amado! Obrigado.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Sendo escrito

Hoje, o dia está sendo lindo demais. Parecia que começava agora a escrever mentalmente tudo o que estava acontecendo. Maravilhoso presente de Deus. Maravilhosa energia. E aí eu percebi que quem escrevia tudo aquilo era o mundo em mim.

E, no final dessas linhas, eu me lembrei que tinha alguém rezando por nós.

Minhas mãos

Minhas mãos não são para construir ou destruir muros, são para escrever neles. Tornando-os transparentes e transpassáveis. Sou um artista final.

domingo, dezembro 17, 2006

Atrás do navio

Já era tarde da noite em São Paulo e a rua estava deserta. Ele tinha parado e descido do carro. Estava muito confuso, apoiava-se no capo, olhava aquela parte da cidade que não tinha ninguém naquele momento. Não sabia o que fazia, o que havia feito, não sabia nada mais uma vez. Confuso. Ao longe na rua viu surgir um caminhão. E não era um caminhão qualquer. Era um caminhão carregando um navio no meio do asfalto. Um navio. Na cidade? Sem saber por que, entrou rápido no carro e seguiu o navio pelos bairros. Do alto, se via seu carro a seguir e seu carro era visivelmente aquela marcação que o navio faz na água. Aquela marcação que o navio deixa atrás mas nunca deixa pra trás. Traz sempre consigo. É impossível se livrar dela porque também é impossível parar de navegar. E não se navega sem que se deixe alguma marca na água no momento.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

4 de dezembro, 2006 – dia do meu aniversário

É segunda-feira. É fim de mais uma volta no ciclo, que recomeça agora no número 21. Está chovendo muito em São Paulo. O que muito me agrada nesse momento em que me deito no sofá, ao lado da janela, e vejo os quatro vidros grandes a receber 21 mil pingos d’água por minuto. Alguma coisa respinga em minha perna e me molha. Os vidros estão trincados por causa das obras do metro aqui no Butantã. Também respingam gotículas de vida a cada gota de lembrança que pinga no meu peito. Minha memória, desde que nasci, tem um vazamento que a cada dia vai encharcando o coração.

Parece estranhamente que quanto mais molhado de lembranças, mais leve ele ficou nesses dias bons que rechearam os meus 20 anos. Mas houve também dias ruins e o coração encharcado pesou mais de vinte toneladas.

Assim, vi as lembranças ora me empurrar para frente, ora me puxar para trás. O melhor de tudo é que Deus é bom e os dias ruins foram muito raros. É engraçado constatar que nesses dias raros pingaram mais as lembranças de sonhos ainda não realizados, vontades infantis, lembranças de futuros inventados que enxergara.

O melhor é sempre viver bem o momento presente, assim como, o presente do momento. Ter consciência de que o que está agora acontecendo será, no futuro, lembrança em dias que empurrarão para frente.

terça-feira, novembro 07, 2006

Às vezes, esperar o ônibus pode ser o melhor da viagem

Indo embora, ergui a cabeça, olhei para o sinal e esperei a luz vermelha vir depois da amarela, atravessei a Cardeal Arcoverde e a subi até o ponto de ônibus. Uma menininha, ainda com o uniforme da escola às 22:30, sentada no banco do ponto, estava vomitando. Sua mãe a acudia um pouco. Tinha o irmão sentado lado com um uniforme igual. As pessoas olhavam com um pouco de nojo. Foi a primeira coisa que senti também, infelizmente. Acho que é o sentimento comum das pessoas, o sentimento social que veio em mim primeiro, a reação espontânea era a comum e não a que seria realmente minha, de mim. Depois que enxerguei alguém ali, um ser humano e não o ato de vomitar; dei um sorriso. Perguntei para a mãe se ela queria água para a menina. Tinha uma garrafa na mochila, ia lhe dar. Mas ela disse que também tinha uma nas bolsas que carregava e perguntou se a menina queria um pouco de água. Ela fez que não com a cabeça no seu jeitinho de criança. Falei que ela não precisava beber porém podia fazer uma bochechinha para diminuir o gosto ruim na boca. Mas ela não quis. Perguntei se ela estava se sentindo melhor depois que recostou no banco e aquilo parecia ter acabado. Ela disse que sim. Perguntei se estava com frio, pois só vestia shorte e camiseta. Disse que não tinha frio sem dizer palavra. Eu vesti um moletom que trazia na mochila. Falei um pouco com a mãe dela. Eles ainda iriam para Santo Amaro. Longa viagem. Iam pegar o Socorro. Esse ônibus sempre demora. O meu ônibus logo veio. E, se eu e a menina não trocamos palavras, no fundo, nós conversamos muito. Adorava quando ela sorria quando lhe perguntava alguma coisa e ela parecia melhorar, parecia que eu a distraia um pouco daquela situação. Legal demais foi dar tchau para ela, foi quando ela mais sorriu para mim. Dei um tchau no ponto falando tchau; com as mãos, dei tchau da porta do ônibus e, parado na catraca, dei-lhe um último tchau com o ônibus já se afastando que quase não dava mais para vê-la. Foi a coisa mais linda.

Dedico esse post a Lídia, minha prima, que passou por aqui e deixou alguns comentários que me deixaram feliz.

segunda-feira, outubro 23, 2006

É isso...

Bandeirinhas de São João


BANDERINHAS DE SÃO JOÃO
Originally uploaded by Thiago Suruagy.

As cores estão próximas entre si, perto de nós
As cores estão amarradas num mesmo caminho
As cores estão unificadas com as suas diferenças mantidas

A massa sem cor se move ao fundo, está bem longe
A massa sem cor não sabe para onde vai ou se vai
A massa sem cor parece uma cinza coisa só; coisa pó

segunda-feira, outubro 02, 2006

Dia de filmagem

Sábado foi dia de filmagem. Foi ótimo filmar o casamento do Henrique com a Ju, são os de branco na foto a cima. Aliás, eu adorei essa foto a cima: no centro temos a Cecília que foi personagem importantíssima nesse final de semana de festa na família (veremos a seguir), os essenciais noivos na mira da minha câmera, eu apoiando um pouco as costas no muro.

Na festa, a parte mais interessante para mim foram as entrevistas. Quis pegar alguns depoimentos das pessoas e foi excelente (como diz uma pessoa). Conheci os pais da Ju e registrei uma mensagem deles para os noivos. Fiz isso também com mais um monte de pessoas. Menos com as pessoas que disseram ter que tomar algumas batidas a mais para poder falar. No final, essas acabaram por não falar porque eu não retomei o projeto das entrevistas depois da pausa para o almoço. Era muito sensacional chegar numa pessoa, numa família, me apresentar como primo do Henrique, expor o que eu estava fazendo, as pessoas gostarem, entrarem no clima e contarem histórias como excelentes presentes para os noivos.

Outro ponto alto foi a declaração que o noivo fez. A coisa mais linda! No momento em que estava filmando aquele lindo texto que ele dizia a noiva, na primeira vez que tirei os olhos da câmera e olhei para a realidade, quis parar de gravar. Queria participar totalmente daquele momento da família como as demais pessoas que estavam ali presentes. Contudo, consegui me desligar dessa idéia, voltei e criei novos enquadramentos, fechei closes no Henrique... Enfim, voltei ao trabalho. Era importante que eu fizesse a minha parte. Vídeo do casamento é muito importante. Segue uma foto minha tirada pela minha mãe na hora da pausa para o almoço. É bom dar um pouco as caras por aqui.


Véspera na cozinha

Eu não fui o mestre cuca da festa. Você não olhou bem a foto a cima. Desça os olhos dos chapéus super legais e veja o que eu estou fazendo: descascando batatas. Pois é! Na sexta-feira, matei a última aula da faculdade para ir de São Paulo a Aparecida em tempo de ajudar a minha prima nos preparativos do almoço (lembram da linda moça do vestido azul da primeira foto? O nome dela é Cecília). Descasquei 25 quilos de batata (se não me engano) e dei conta de tirar o caroço de cada uma das azeitonas que compõe um pote grande fino. Quando for ao supermercado, veja como é o pote grande fino de azeitonas. O que já foi uma grande ajuda mesmo parecendo pouco se comparado a tudo o que foi feito de comida boa.

Mas, o melhor é estar na cozinha. É o melhor lugar da casa. Se eu penso que o banheiro quando você está apertado é o melhor lugar da casa? Nem assim! A cozinha é imbatível. Pega a gente pelo estômago: o enche de comida, dá para as nossas barrigas as melhores risadas, é lá que surgem os melhores papos, sempre enquanto estamos fazendo alguma coisa para comer. Alguém discorda?

Dessa vez, o grande evento foi quando a panela de pressão explodiu. A borracha estava ressecada. Choveu caldo de carne temperada na minha prima que por um milagre verdadeiro não se queimou. O jato de água batia no teto e rebatia para o chão e alguma coisa disso, infelizmente, caiu nela. Mas a água bateu fria na pele inexplicavelmente e seus ombros e costas não sofreram nada. Graças a Deus! Foi um susto e só. No pulo ela já havia desligado o gás, eu levantei tentando pensar no que fazer. Ainda bem nada foi preciso. Ah, mas não foi apenas um susto com o disse agora, foi um evento como disse no início do parágrafo. Conversa corrente no dia da festa. “Cês nem sabem o que aconteceu! A penal de pressão...”.

Havia mais uma prima na cozinha, a Elisabete que "bateu no master" as batatas e as transformou em purê e também cortou as fatias de carne com a faca elétrica. Queria agradecer aqui especialmente pelos pedaços de carne que eventualmente iam parar na mão e eu mandava para dentro à uma hora da manhã.

Tínhamos uma câmera que foi parar na minha mão e na mão da Cecília por iniciativa própria certas vezes e registramos algumas coisas. A Cecília me vestiu com os chapéus brancos de padeiro e de mestre cuca e bateu as fotos à cima e eu bati essa foto fantástica de uma genial careta dela. Na festa, foi ela quem pegou o buquê da noiva, mas com essa cara de maluca aí... Pode pegar uns vinte buquês que não vai ter jeito. Brincadeiras à parte, na minha opinião, ela era a solteira mais bonita da festa no seu vestido azul e branco.

Cama carnal, alma calma

 Desci no quarto para fechar a janela porque havia começado a chover. Vi a cama aberta, as cobertas mais amontoadas e o lençol exposto... me...