domingo, outubro 28, 2012
Em Aparecida
Visita relâmpago em Aparecida. Muita coisa acontecendo na vida que o parar para pensar na forma estruturada de um texto está muito raro. Mas após algumas mudanças que realizam vários ajustes, a vontade de escrever de uma escrivaninha reformada ou totalmente nova vem. E cá está ela. Não somente eu sou outro, mas mudam também as pessoas ao redor. Até o dispositivo mudou. Escrevo de um iPad. Um grande presente que recebi esse ano e já está sendo super útil para trabalhar, estudar, expandir. O que acontece de mais importante é o meu namoro com a Ana. Está bastante transformador e me fazendo crescer junto, na delícia da vida compartilhada. Falta até tempo para dormir dada a abundância de coisas para fazer, conversas para ter, amigos para receber. Quando o relacionamento é bom assim, ele exige que a sua alma esteja no centro do corpo. Nenhuma intranqüilidade no coração é bem-vinda e as duas colunas que são o casal a sustentar o templo do amor devem se manter eretas e tão cheias de paz quanto um sorriso sincero. Algo que requer trabalho. Um trabalho que tem o salário da satisfação em se estar vivo e ter uma mão para dar.
segunda-feira, setembro 24, 2012
terça-feira, agosto 07, 2012
Primeira declaração no caderno 1
Parece visível a mim a cadeia das coisas, como é visível a cadeia de ondas na praia. Hoje é o último dia das férias de 2012. Almoçamos no centro cultural com uma amiga. A última frase que havia escrito nesse caderno foi a da folha anterior: "Ter é deixar ir". Achei a frase como quem acha o sentido numa escolha que não pensou em fazer mas já está nela. Como foi difícil te ter, já que ter é deixar ir. Fiquei tão perdido que acabei na igreja a rezar e yoga. Depois fiz escrever. Como posso seguir na madrugada das horas dos tempos sem ti? É como se fosse num corpo sem sangue, vazio do coração que te entrego.
quinta-feira, julho 26, 2012
Rodas e a possibilidade da metade
Comprei rodas novas para a minha bicicleta. Vieram com adesivos cheirando a patrocínio, profissionalidade na ação rotatória. Essas são mais rápidas nas intenções de acelerar e frear. Rodas firmes, decididas. Não nasceram sob o signo de gêmeos. Após as primeiras semanas com elas, questionei os adesivos. Questionei assassiná-los e botar seus cadáveres no lixo reciclável. Ficaria com a roda toda preta. Uma sensação de estilo, meu ser artista pedalando pós-modernidade na metrópole. Seria um homem clean e atrairia garotas que usam boina e roupas descoladas, aquele amontoado de panos. Mas a dúvida fez vingar apenas metade da minha ação. Tirei os adesivos somente do lado esquerdo da bicicleta, como uma mulher que bota silicone primeiro em um dos seios e assim pode decidir completar a turbinada no segundo tempo, após infinitas trocas de passes em frente ao espelho. Mas num jogo que não tem prorrogação, vai direto aos pénaltis. Rodas são mais sérias que quadrados e facilmente causam a ilusão do contrário. Estou agora com duas bicicletas. Como a mulher que tem dois corpos. Posso olhar só para a esquerda e ver uma coisa e olhar para a direita e ver outra. Claro que irei decidir remover o restante dos adesivos para ficar com a bike toda igual, equilibrada. Mas quando a reforma é no corpo fazemos de tudo para nos despedir aos poucos de nós mesmos.
segunda-feira, junho 25, 2012
domingo, junho 24, 2012
Carta poesia para a poetisa Alice
Carta escrita hálguns meses para a poesia querida Alice
Ali se fez poesia...
Como o mármore tocado por alma artista cheia de mãos
Ali se fez poesia...
Como terra regada pela semente que resulta em flor
Ali se fez poesia!
Ali é sempre espaço fecundo
Cheio de Deus
Ali é natureza, vida, água
Ali não cabe na noção humana
Só se pode observar suas boas consequências
Meu pensamento caiu ali
Na poetisa Alice
Essa mulher, semente forte
Fez do atual terreno infértil de poesia que está minha vida nascer palavras organizadas, melodiosas, com significados
Há a saudade do contato, da pessoa e dos versos
Contato contigo que fazia me contactar comigo
Sem egoísmo, mas com a arte do encontro de Vinícius
Da pessoa que nascia em cada lado, a partir do encontro Bahia-São Paulo
Dos versos, cores dos estímulos de nós dois
Tudo isso para dizer Olá, Alice!
Eu estou aqui. Como vai?
Um beijo grande
Vitor
Ali se fez poesia...
Como o mármore tocado por alma artista cheia de mãos
Ali se fez poesia...
Como terra regada pela semente que resulta em flor
Ali se fez poesia!
Ali é sempre espaço fecundo
Cheio de Deus
Ali é natureza, vida, água
Ali não cabe na noção humana
Só se pode observar suas boas consequências
Meu pensamento caiu ali
Na poetisa Alice
Essa mulher, semente forte
Fez do atual terreno infértil de poesia que está minha vida nascer palavras organizadas, melodiosas, com significados
Há a saudade do contato, da pessoa e dos versos
Contato contigo que fazia me contactar comigo
Sem egoísmo, mas com a arte do encontro de Vinícius
Da pessoa que nascia em cada lado, a partir do encontro Bahia-São Paulo
Dos versos, cores dos estímulos de nós dois
Tudo isso para dizer Olá, Alice!
Eu estou aqui. Como vai?
Um beijo grande
Vitor
sábado, junho 23, 2012
sexta-feira, junho 22, 2012
Vocativo, "meu amor"...
Ela é carinhosa em suas relações para com o mundo. Chama os amigos de "meu amor". Quando encontrou um amor também o chamou: "meu amor". O amor encontrado gostou e viu valor no vocativo que vazou da voz da moça até ele pela primeira vez. Mas passou um dia e descobriu que o mesmo vocativo ia para os amigos próximos e o valor do vocativo liquefez-se junto com seus entendimentos dentro de um peito assustado e vazio.
A confissão veio no banho juntos. Ela só queria "usar seu corpinho, meu amor". Ao que ele prontamente a comeu.
A confissão veio no banho juntos. Ela só queria "usar seu corpinho, meu amor". Ao que ele prontamente a comeu.
quinta-feira, junho 21, 2012
Quem dá é o homem
"Hoje não vou te convencer a ir em casa"... Quem convence ou não é sempre a mulher. Mesmo que imperceptivelmente. Mesmo que isso aparentasse não ser, é encaixado no fim da conversa. Revelado e firmado em sua ação. Ela dita as regras do seu explorador. É ela o ser que recebe. Quem dá é o homem. Ele deve se adaptar pois a decisão e a inteligência vêm sempre por ela. Amiga da lua, a noite é toda dela. Tem o poder de reunir as chuvas de estrelas que desprendem do coração do homem. Ao mesmo tempo em que lhe esquenta a vida e o corpo, afaga com ternura a consciência inferior que escolheu e deitou em seu colo.
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