segunda-feira, junho 22, 2015

Era gravíssimo!
O descompasso havia sumido
O amor não lhe deixava espaço

Era gravíssimo!
Voava um sanhaço azul pégaso
Cada vez que lembrava do abraço

Era gravíssimo!
Ansiedade queria o faço nó de aço
No fácil infantil do apego, pondo a coisa em dúvida

Era um erro!
Em cidade orgânica aqueles dois
Deixar o amor pra depois, em recusa a dádiva

Era um acerto!
Sorrir e ir, no ir e vir, ir e vir do encontro pois
Amor que vem deixar entrar e vê-lo andar nos trilhos da legitimidade

Era uma paz!
A intimidade plena em terras de verde
Sementes do livre brotando de cada mão

[...]

Espero ao longo do encontro
ir de trem com você
passando por cenários da vida e
cruzando o não-tempo do Amor

domingo, junho 07, 2015

Me apaixonei pelo fogo

Estou no sítio da Edna, amiga dos meus mais e, por conseguinte, minha. A sala é dividida em dois ambientes, um com o sofá, tapete, livros, janela e cômoda, o outro ambiente da sala contém a mesa de oito lugares, de madeira, estilo antigo, uma porta de vidro pro quintal. No meio dos dois ambientes, está uma lareira de centro. Linda e que aquece a casa quando ligada. Hoje assumi um pouco mais a responsabilidade sobre o fogo. Como bom novato, na hora que peguei o jeito me empolguei. rs. Ficou um fogão e todo mundo tirou a blusa por causa do calor. Estamos eu, meus pais, a Marcia e a Edna. Por causa do calor, mudamos para a cozinha ao lado. rs. 

Meu signo e ascendente são do elemento fogo, Sagitário com ascendente em Aires. Ainda não sei bem direito o significado misterioso dos signos mas sei indireito o suficiente pra conversar sobre os arquétipos. Não sei se por causa da minha astrologia no elemento, mas provavelmente não... Em certo momento, me dei conta do fogo em seu ser. Hipnotizado, me vi conversando com ele num diálogo de almas. Muitas vezes imaginei a alma como fogo em luz. A imagem do que seria o espírito, seria fogo espiritual. Um outro estado da matéria, indefinido como o fogo e muito próximo a ele. Quando olhei o fogo e o reconheci, era como se eu o sentisse queimando dentro de mim, atingindo minhas memórias, estando nelas, se gravando naquela hora na minha lembrança, estando totalmente presente. Me apaixonei! O momento durou alguns minutos e logo vieram os pensamentos, a comunicação trivial com as pessoas, a organização de pequenos objetos e o fogo foi saindo do protagonismo em mim e voltando para a composição do ambiente. Ficou lá, e lá ficará nessa minha história a levar pelos anos. No ambiente que ele ajudava a compor, ficou, e também com o seu poder reconhecido pelo meu eu-alma, sabido das coisas da vida e da natureza, sabido que não sabe nada, sabido que há coisas que não se podem dizer mas estão lá como um fogo, encantando e aquecendo. Percorrendo as madeiras comunicáveis e irradiando o seu calor sobre o qual não conseguimos dizer palavras, mas com a luz dos olhos confirmamos a existência quando o reconhecemos e olhamos para alguém que também está reconhecendo, naquele momento, o indizível. Cúmplices do que não sabemos mas temos certeza.

quarta-feira, março 18, 2015

Meu coração no mundo

Fica difícil para eu acompanhar essa intelectualidade densa das suas reflexões acadêmicas. Meu coração no mundo ainda é muito menor do que o meu coração no Espírito.

Pequeno no mundo, esse coração segura o potencial da mente, que ainda não foi, e dos braços, que ainda não foram. Abraços. Em alguns aspectos esse meu coração ainda é bem jovem e, mesmo já tendo sido maturado anos no vinagre das desilusões, muitas de suas partes ainda se mantém em conserva. Pode de vidro, tampado. Uma enormidade de células creem que sofrer é amar demais, ficam ouvindo Los Hermanos.

Que a psicanálise que alcança a mente pequena sempre tenha tato para as células tão singulares do coração e ajude na transformação desse sangue que me percorre e é a seiva espírito-emocional que possibilita a essência. Quero mais é nascimentos. Mais natureza e menos cimento. É hora de ir pro mato! Mente e braços.

segunda-feira, março 16, 2015

Entrei no metrô e percebi a dádiva

Entrei no metrô e percebi a dádiva. Encontrava-me em um estado de espírito do qual estava com saudades, mas a intimidade com ele, por ser intimidade de melhor amigo, não criou distância entre nós. Ao revê-lo tudo voltou. Era como se nos tivéssemos visto ontem. Olhei para as pessoas e vi beleza em cada uma! Todos eram bonitos! Era como se a essência humana e espiritual de cada um estivesse simplesmente acessível. Assim como quando lemos um desses clássicos imortais da literatura universal e somos despidos das travas do olhar para enxergar a poesia existente na prosa dos fatos. Havia 40 poesias encarnadas ao alcance dos meus olhos e foi um estado de graça. A seiva da vida banhou meu sangue até os olhos. Recebi seu toque e tocado pude ir feliz com a paz para onde é minha toca, tocar o violão dos anjos internos criadores dos sonhos bons.

domingo, março 15, 2015

Às vezes, vem um borbulhar

Às vezes, vem um borbulhar interno que a gente se sente vazio e as bolhas que estouram parecem contidas de vácuos. Outras vezes, vem um borbulhar que a gente se enche, as bolhas que estouram dentro parecem contidas de luz. Ora, o Ser é frágil ainda e se influencia por borbulhares do coração no estômago. Sim, acontece de o coração descer pro estômago e também acontece dele subir e quase pular pela boca, esquecendo-se dos conselhos soprados aos seus ouvidos na respiração calmante dos amigos pulmões. O Ser e os borbulhares... Quanta meditação ainda falta para que o primeiro retome o seu lugar e os borbulhares se apaziguem?

quinta-feira, março 12, 2015

Se você quisesse chorar em São Paulo

Se você quisesse chorar em São Paulo, sem ser na sua casa, qual chão da cidade escolheria para sustentar seu corpo choroso? Para onde você iria?


sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Cautela, Mordaça

Se não te cuidares o corpo
Cuida teu espírito torto
Que teu corpo jaz perfeito

Se não te cuidares o peito
Cuida teu olho absurdo
Que teu peito tomba morto
Diante de tudo

Se não te cuidares, cuidado
Com as armadilhas do ar
Qualquer solto som pode dar tudo errado



CAUTELA (Paulo César Pinheiro)



terça-feira, fevereiro 17, 2015

Tristeza que veio

Quando me veio a tristeza, no meio de uma apresentação que assistia na cidade, a tratei como uma intrusa, como um miasma que precisava ser removido. Como algo que não fazia parte de mim. Foi difícil e demorou para eu aceitar que a tristeza nascia de mim, éramos a mesma natureza, eu era a pedra da sua água brotando. Tanta coisa melhor para brotar. Mas o que brota já foi filtrado, existe com pressão para a saída na superfície, seu florescimento é inevitável. A tristeza brotou. Eu não queria. Quando entendi, aceitei. Ao aceitar, ela fluiu com menos impecilhos em seu caminho. O peito sentiu seu borbulhar. Como era líquido, deixou menos espaço para o ar nos pulmões. O brotar não subiu para o rosto. Saiu direto pelo peito em algumas contrações musculares e pulsos magnéticos na caixa torácica, que pareceu uma TV chiando domingo a tarde esquecida por um corpo humano jogado no sofá e que vaga em sonhos e ilusões longe do mundo e ronca. Não pela vergonha de chorar em público evitou se verter em lágrimas, mas a naturalidade direcionou a tensão reta pela frente, pelo peito, pelo esterno, pelo chacra, pelos pêlos. Talvez atraído pela arte em palavras que estava a minha frente na apresentação de poesias, letras de músicas e literatura do Museu da Língua Portuguesa. A gravidade da arte puxou o que estava guardado; sem direcionamento, sem agendamento, sem projeto, foi direcionado, requisitado, evidenciado e concluído. Compreendi um pouco mais que arte liberta e dialoga com o invisível, mostrando-o sem mostrar, chorando sem chorar, respirando sem ar, vindo em onda sem mar.

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Viver na noite de nós dois não dá. Já deu.

Às vezes, vou na contra-mão
Essa é a estrada sem chão
a que chamam Vão

...entre nós

Recheado de medo, ideias, ilusão
Nada conta nesse não
Basta(ria) abrir mão

...sermos nós

Eu te esperei pra ser eu
Eu te chamei pra ser seu
Mas eu corro, eu choro, eu morro em mim.

Entre o não e o sim.

Eu bato carro da persona propagada
Pra não sair desse lugar
Palco de mim
Romance em monólogo

Essa estrada é sem chão.
E eu a percebo com
Vista para o céu infinito,
Abro o paraquedas do amor e
Feito em pégaso posso e consigo ir
Apaixonado
Em fim...

Casar a vida de nós dois
É o futuro desse vôo
Inexiste o vão
É pra lá que vou
É pra lá que vôo
Vitoriso
Vencedor
Beijo você

Onde está a me esperar
Sublime

"Estive vivo sem viver
Mas não deixei de acreditar"

quinta-feira, julho 03, 2014

Mas e a vida...

Ela é alegria, é, meu irmão. Quando voltamos pro peito e deixamos o leito da doce ilusão.

Falar, assim em verdade e em verdade, é tão complicado quanto viver é perigoso. E a Preguiça e o Medo? ...quando dão as mãos e se transformam num casal de praça de cidade do interior? O país da alma tem Caipiras nada Mazzaropis. Mas tem suas cachoeiras também. Transformando pedra em areia com o poder mágico que se espreme de um negócio chamado Tempo. Você insiste e aperta ele assim, que o feitiço pula. Pula porque o inacreditável é à vista, o cotidiano que vem nas prestações dos dias. O incrível vem em cash, meu amigo. Porque o que é real é rico e tem o todo o dinheiro do existir. Traz sobrando na carteira que vai enfiada no bolso esquerdo da frente da calça. O que é real não dá pra acreditar, pois nos acostumamos com a roda do candycrush caleidoscópico da ilusão. Deixar de ser criança não é pra qualquer um. E ainda pros que são, nunca é completo.

Venho pelos cantos internos de meus espaços musicais mais íntimos atingindo minha imperfeições. Eu miro o dardo da esperança na consciência mais plena e acerto ilusões. Miro na certeza de minhas qualidades orgulhosas e acerto imperfeições. E, dentro de mim, eu quero viver. Amar. E dar abraço de pele. Mas nudez é tão complicado quanto viver é perigoso. E a Preguiça e o Medo quando dão as mãos? Só com a mágica do tempo bem espremido... É que o orgasmo acontece. O músculo pula. E o corpo branda pro mundo indo nele se existir. Se esvai em líquido, sai da pedra brilhando excalibur. Puro, é nascente, é do rei bom e da lei correto. Impuro é até gostoso mas solitário e muito quebradiço. "Um" não faz multiplicação. E estar sozinho é ilusão, que eu já expliquei que não me serve.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Ah, meus cabelos compridos

Aconteceu de, em certo momento do namoro,
A gente se intimar um pouco mais
As suas mãos treinaram em tesouras e
As dançou na minha cabeça
A meus meus cabelos cortar

Aprendeu como fazer e se 
Apoderou da função

Aconteceu que você arte.

Aí, a gente ficou mal e grande os meus cabelos
Aí, você me deu o fora e eu entrei no guines book
Aí, só que não, a gente se acertou e estou já em versos a esperar.

terça-feira, julho 02, 2013

Atenção

O estado vai tentar, com a sua polícia, transformar tudo em um caos que assusta. É isso que ele sabe fazer: pôr medo no povo, para fique feliz ao ser o que dá para ser, com o que sobrou da má administração e roubos constantes dos políticos safados. Ele usa a televisão e outras mídias para manipular... Ou então ele vai incentivar o carnaval. Perceba quando você assiste TV que as manifestações vão parecer um caos assustado ou um carnaval festivo. Tudo para que deixe de ser algo político, para que seja dissolvido. Quanto mais na rua estivermos, mais vamos aprender a protestar. Discutindo com amigos nossas opiniões e nos (in)formando.

Manifestações 2013

Não se trata da expressão maximizada de um trabalho duro construído quotidianamente por tantas pessoas que dão a vida em movimentos sociais Brasil afora e também por aquelas que, dia após dia, dizem não ao jeitinho, pensam antes de votar, moldam suas ações segundo o bem comum e se indignam diante do sofrimento imposto pela esterilidade de uma política que não sabe ser SERVIÇO. Não! Os politicamente corretos estão aí há muito tempo, não foi sua presença que fez alguma coisa acontecer. Não seja ingênuo. Ambas são coisas positivas, engrandecem o país mas são diferentes. Se indignar e agir sem conflitos, fazendo o que lhe é possível, é uma coisa. Se indignar e ir para o conflito, fazendo o impossível é outra. Você nem citou o Movimento Passe Livre (MPL) no seu comentário. Trata-se de um movimento que viu na questão da tarifa uma ação do autoritarismo político em manter o poder repressor e não uma necessidade de manutenção do serviço de transporte. Esse movimento decidiu DESRESPEITAR a ordem: fechando ruas não autorizadas pela polícia, teve que se defender do choque, parou a vida do cidadão de São Paulo (que reclamou e xingou de baderneiro) e se manteve firme brigando por um... sonho. O MPL não foi bonzinho, ele agiu certo e educador - o que é muito diferente. Vide o jargão: "Quem ama educa!". Ele educou o povo muito além do pretendido! Ainda falta muito nesse crescer, mas seu exemplo já fez ultrapassar o que era imaginável. Merece reconhecimento. Por quê isso aconteceu? Porque o povo já estava preparando para aprender; com o saco cheio de fazer papel de ignorante. E o povo, meu amigo, o povo é gente pra caralho!

O brasileiro tem o costume de por panos quentes nos conflitos para manter as situações "agradáveis", “apresentáveis”, “imagiiiiína...”, “a aparência é muito importante”, “...o que se passa dentro de nós? Depois a gente vê”. O show tem que continuar...! No movimento de manada do povo brasileiro costumava ser assim. Pra inglês ver era a nossa marcha automática, se tirarmos pela média. Mas, claro, o Brasil apazigua até onde dá. E, ainda, se acontece o conflito a tendência é a postura de “isso não é comigo”, “precisamos achar alguém em quem pôr a culpa”, “como eu tiro o meu da reta?”. Esses panos quentes acabaram chegando aos protestos depois do crescimento da manifestação, em São Paulo, no 5º Ato; o que o embrasileirou em sua maior parte. Ali, a máscara da polícia do estado já tinha caído, já tinha sido mostrado que a repressão é que destruía a cidade (gerando o vandalismo) e não o grito que bloqueia a ruas para poder ser ouvido, pacificamente e rudimentarmente bate depois que apanha.

Mas no caminho até aí, meu amigo, cheiramos gás lacrimogêneo, tomamos tiro de borracha, spray, bombas de efeito vencido... Contudo, nos mantivemos animados (cheios de alma), cada vez mais. Energia muito diferente da que se formou no meio da manifestação dos motivos múltiplos – válida, claro. Era assim: “Houve vandalismo mas ele é de uma terceira força, que não conhecemos, nem existe, não liga, deve ser os tais anarquistas, ninguém fala com eles, e a responsabilidade está lá, em qualquer outro lugar menos aqui!”, “esse conflito não é meu”.

Quando participei do primeiro confronto da polícia, entrei numa fissura depois que tudo acabou. Dada à nova experiência, adrenalina, sensação de pertencimento e querer se munir cada vez mais de entendimento - pesquisando na vivência da experiência recente e na internet. Fichas caindo a mil... “Não é a guerra que aparece na TV com seus enquadramentos escandalosos, é horrível mas dá para andar”. “A polícia do estado faz com que a depredação aconteça, manipula a situação, ataca quem está na paz e visa criminalizar o movimento – que absurdo essa verdade caindo dentro de mim!”.

A paz se constrói com a boa luta, para ser pacífico é preciso agir na construção da paz. Agimos! Ninguém suportará mais tanto desamor. Negamos a repressão, tacamos pedra na tropa de choque que ataca covardemente e fere nossa manifestação sob o motivo de manter a máquina exploratória dos transportes, que a alimenta. É um cão feroz e nós mexemos no seu prato. Ela abocanha nossos companheiros para o estômago de suas delegacias ilegalmente, com medo da fome... Reagimos para dizer, não só com as ideias, mas com o corpo (quase esquecido na civilização mental/virtual, mas presente na manifestação) que grita para quem está além do choque:

"Eu descobri que eu existo, porra! Quero usufruir dessa cidade. Solta ele! Pára de atirar! Não é você quem vai determinar como as coisas são, pois isso está errado por A + B e você se fudeu porque é óbvio, todos poderão ver! Seu medo em ser revelado na sua força egoísta faz com que você aja com troculência e, assim, se auto-revele. Mas esse tipo de revelação precisa sempre de um palco. Estamos nele! Em nosso caso, isso aconteceu! Montado para a sociedade do espetáculo. Um palco o mais cheio possível de iOlhos. O palco artéria! A Avenida Paulista! AHHHHHH... AHHHHHH... BOOOOOMMMM... BOOOOOMMMM ... Filho da Puta!".

A depredação de alguns símbolos foi importante para trazer energia para o movimento. Quebrar estação de metrô na Av. Paulista – símbolo dentro do símbolo – mostra que a coisa é séria, que há disposição em enfrentar os poderosos maquiadores da verdade. Ninguém ousa tanto por simples vandalismo, nesse dia teve mais autodefesa dos manifestantes colocando coisas na rua para atrasar o choque em sua caça do que depredação avulsa a isso. Porém a depredação foi positiva nesse início dos protestos! Foi ato político, com intensão ou não. Valeu! Lembre-se e entenda: foi ação dominó da truculência do choque, mas que nos beneficiou. Eu estava ao lado do cara que atirou uma mesma pedra no vidro da estação alto design da linha verde várias vezes até quebrar. Não senti a mínima vontade de reprimí-lo, não naquele momento, algumas pessoas tentaram apenas falando para parar. Hoje, eu ajudo e incentivo a reprimir a depredação, porque a ideia é outra.

Cheio de gás na face e finalmente acordado o suficiente para enxergar como a manipulação pela força acontece socialmente. A criminalização de algo bom. Você percebe que não é totalmente contra depredações. O que interessa é a arma política. Quebrar inicialmente chamou a atenção, disse que é sério: arma política. Não quebrar chamou mais a atenção, mostrou que viemos em paz: arma política. Não importa tanto quando são símbolos que podem ser refeitos (nunca vou apoiar depredar, por exemplo, o teatro municipal – mas estações de metrô? Mas ônibus? Porta de agência bancária? Que quebrem quando for necessário, quando isso for político), a mudança precisa dessas armas sendo usadas.

Ao invés das depredações serem postas a margem de tudo, quase com nojo, elas devem ser integradas como ações eficientes. Tanto a sua execução, quanto a sua não execução. Pois, planejadas ou não, são as fúrias que não dá para segurar, são as ações que a inteligência pode controlar.

Então, não se trata de uma ONG das boas ações politicamente corretas que se esparramou ajudando nisso, que estamos vendo agora. Elas vão ao ritmo da carroça que é o Brasil. Não foram maximizadas suas ações. Criou-se algo novo, que estava faltando e rompe o sistema estabelecido na exploração dos transportes. Com as portas abertas e as boas ideias plantadas na mente, o corpo do povo veio às ruas. Como declarou o MPL após a conquista da revogação da tarifa:

“O povo constrói e faz a cidade funcionar a cada dia. Mas não tem direito de usufruir dela, porque o transporte custa caro. A derrubada do aumento é um passo importante para a retomada e a transformação dessa cidade pelos de baixo.

A caminhada do Movimento Passe Livre, que não começa nem termina hoje, continua rumo a um transporte público sem tarifa, onde as decisões são tomadas pelos usuários e não pelos políticos e pelos empresários. Se antes eles diziam que baixar a passagem era impossível, a revolta do povo provou que não é. Se agora eles dizem que a tarifa zero é impossível, nossa luta provará que eles estão errados”

Um ladrão já foi bem atacado. A marcha, que continuará, fará os outros 39 ladrões se atacarem, se auto-revelarem e se auto-destruirem, pois não sobrevivem ao palco dos acontecimentos. A luta é por bastidores a serviço do povo, não a serviço da exploração do mesmo. Mas para isso as manifestações que não se auto-destruam antes, perdidas em ingenuidades. Os vampiros não suportam luz do sol que está nascendo e estão sendo trazidos para a rua. O Brasil está brilhando o ouro que nasce de suas próprias terras. Minha gratidão imensurável ao movimento que mudou o Brasil: Movimento Passe Livre, um professor do povo, que quer aprender e espero que realmente aprenda.

Vitor Bustamante, ex-povo-merda.
Nascido em 11.06.2013 como cidadão brasileiro ouro!