quinta-feira, julho 03, 2014

Mas e a vida...

Ela é alegria, é, meu irmão. Quando voltamos pro peito e deixamos o leito da doce ilusão.

Falar, assim em verdade e em verdade, é tão complicado quanto viver é perigoso. E a Preguiça e o Medo? ...quando dão as mãos e se transformam num casal de praça de cidade do interior? O país da alma tem Caipiras nada Mazzaropis. Mas tem suas cachoeiras também. Transformando pedra em areia com o poder mágico que se espreme de um negócio chamado Tempo. Você insiste e aperta ele assim, que o feitiço pula. Pula porque o inacreditável é à vista, o cotidiano que vem nas prestações dos dias. O incrível vem em cash, meu amigo. Porque o que é real é rico e tem o todo o dinheiro do existir. Traz sobrando na carteira que vai enfiada no bolso esquerdo da frente da calça. O que é real não dá pra acreditar, pois nos acostumamos com a roda do candycrush caleidoscópico da ilusão. Deixar de ser criança não é pra qualquer um. E ainda pros que são, nunca é completo.

Venho pelos cantos internos de meus espaços musicais mais íntimos atingindo minha imperfeições. Eu miro o dardo da esperança na consciência mais plena e acerto ilusões. Miro na certeza de minhas qualidades orgulhosas e acerto imperfeições. E, dentro de mim, eu quero viver. Amar a Ana. E dar abraço de pele. Mas nudez é tão complicado quanto viver é perigoso. E a Preguiça e o Medo quando dão as mãos? Só com a mágica do tempo bem espremido... É que o orgasmo acontece. O músculo pula. E o corpo branda pro mundo indo nele se existir. Se esvai em líquido, sai da pedra brilhando excalibur. Puro, é nascente, é do rei bom e da lei correto. Impuro é até gostoso mas solitário e muito quebradiço. "Um" não faz multiplicação. E estar sozinho é ilusão, que eu já expliquei que não me serve.

segunda-feira, agosto 26, 2013

Ah, meus cabelos compridos

Aconteceu de, em certo momento do namoro,
A gente se intimar um pouco mais
As suas mãos treinaram em tesouras e
As dançou na minha cabeça
A meus meus cabelos cortar

Aprendeu como fazer e se 
Apoderou da função

Aconteceu que você arte.

Aí, a gente ficou mal e grande os meus cabelos
Aí, você me deu o fora e eu entrei no guines book
Aí, só que não, a gente se acertou e estou já em versos a esperar.

terça-feira, julho 02, 2013

Atenção

O estado vai tentar, com a sua polícia, transformar tudo em um caos que assusta. É isso que ele sabe fazer: pôr medo no povo, para fique feliz ao ser o que dá para ser, com o que sobrou da má administração e roubos constantes dos políticos safados. Ele usa a televisão e outras mídias para manipular... Ou então ele vai incentivar o carnaval. Perceba quando você assiste TV que as manifestações vão parecer um caos assustado ou um carnaval festivo. Tudo para que deixe de ser algo político, para que seja dissolvido. Quanto mais na rua estivermos, mais vamos aprender a protestar. Discutindo com amigos nossas opiniões e nos (in)formando.

Manifestações 2013

Não se trata da expressão maximizada de um trabalho duro construído quotidianamente por tantas pessoas que dão a vida em movimentos sociais Brasil afora e também por aquelas que, dia após dia, dizem não ao jeitinho, pensam antes de votar, moldam suas ações segundo o bem comum e se indignam diante do sofrimento imposto pela esterilidade de uma política que não sabe ser SERVIÇO. Não! Os politicamente corretos estão aí há muito tempo, não foi sua presença que fez alguma coisa acontecer. Não seja ingênuo. Ambas são coisas positivas, engrandecem o país mas são diferentes. Se indignar e agir sem conflitos, fazendo o que lhe é possível, é uma coisa. Se indignar e ir para o conflito, fazendo o impossível é outra. Você nem citou o Movimento Passe Livre (MPL) no seu comentário. Trata-se de um movimento que viu na questão da tarifa uma ação do autoritarismo político em manter o poder repressor e não uma necessidade de manutenção do serviço de transporte. Esse movimento decidiu DESRESPEITAR a ordem: fechando ruas não autorizadas pela polícia, teve que se defender do choque, parou a vida do cidadão de São Paulo (que reclamou e xingou de baderneiro) e se manteve firme brigando por um... sonho. O MPL não foi bonzinho, ele agiu certo e educador - o que é muito diferente. Vide o jargão: "Quem ama educa!". Ele educou o povo muito além do pretendido! Ainda falta muito nesse crescer, mas seu exemplo já fez ultrapassar o que era imaginável. Merece reconhecimento. Por quê isso aconteceu? Porque o povo já estava preparando para aprender; com o saco cheio de fazer papel de ignorante. E o povo, meu amigo, o povo é gente pra caralho!

O brasileiro tem o costume de por panos quentes nos conflitos para manter as situações "agradáveis", “apresentáveis”, “imagiiiiína...”, “a aparência é muito importante”, “...o que se passa dentro de nós? Depois a gente vê”. O show tem que continuar...! No movimento de manada do povo brasileiro costumava ser assim. Pra inglês ver era a nossa marcha automática, se tirarmos pela média. Mas, claro, o Brasil apazigua até onde dá. E, ainda, se acontece o conflito a tendência é a postura de “isso não é comigo”, “precisamos achar alguém em quem pôr a culpa”, “como eu tiro o meu da reta?”. Esses panos quentes acabaram chegando aos protestos depois do crescimento da manifestação, em São Paulo, no 5º Ato; o que o embrasileirou em sua maior parte. Ali, a máscara da polícia do estado já tinha caído, já tinha sido mostrado que a repressão é que destruía a cidade (gerando o vandalismo) e não o grito que bloqueia a ruas para poder ser ouvido, pacificamente e rudimentarmente bate depois que apanha.

Mas no caminho até aí, meu amigo, cheiramos gás lacrimogêneo, tomamos tiro de borracha, spray, bombas de efeito vencido... Contudo, nos mantivemos animados (cheios de alma), cada vez mais. Energia muito diferente da que se formou no meio da manifestação dos motivos múltiplos – válida, claro. Era assim: “Houve vandalismo mas ele é de uma terceira força, que não conhecemos, nem existe, não liga, deve ser os tais anarquistas, ninguém fala com eles, e a responsabilidade está lá, em qualquer outro lugar menos aqui!”, “esse conflito não é meu”.

Quando participei do primeiro confronto da polícia, entrei numa fissura depois que tudo acabou. Dada à nova experiência, adrenalina, sensação de pertencimento e querer se munir cada vez mais de entendimento - pesquisando na vivência da experiência recente e na internet. Fichas caindo a mil... “Não é a guerra que aparece na TV com seus enquadramentos escandalosos, é horrível mas dá para andar”. “A polícia do estado faz com que a depredação aconteça, manipula a situação, ataca quem está na paz e visa criminalizar o movimento – que absurdo essa verdade caindo dentro de mim!”.

A paz se constrói com a boa luta, para ser pacífico é preciso agir na construção da paz. Agimos! Ninguém suportará mais tanto desamor. Negamos a repressão, tacamos pedra na tropa de choque que ataca covardemente e fere nossa manifestação sob o motivo de manter a máquina exploratória dos transportes, que a alimenta. É um cão feroz e nós mexemos no seu prato. Ela abocanha nossos companheiros para o estômago de suas delegacias ilegalmente, com medo da fome... Reagimos para dizer, não só com as ideias, mas com o corpo (quase esquecido na civilização mental/virtual, mas presente na manifestação) que grita para quem está além do choque:

"Eu descobri que eu existo, porra! Quero usufruir dessa cidade. Solta ele! Pára de atirar! Não é você quem vai determinar como as coisas são, pois isso está errado por A + B e você se fudeu porque é óbvio, todos poderão ver! Seu medo em ser revelado na sua força egoísta faz com que você aja com troculência e, assim, se auto-revele. Mas esse tipo de revelação precisa sempre de um palco. Estamos nele! Em nosso caso, isso aconteceu! Montado para a sociedade do espetáculo. Um palco o mais cheio possível de iOlhos. O palco artéria! A Avenida Paulista! AHHHHHH... AHHHHHH... BOOOOOMMMM... BOOOOOMMMM ... Filho da Puta!".

A depredação de alguns símbolos foi importante para trazer energia para o movimento. Quebrar estação de metrô na Av. Paulista – símbolo dentro do símbolo – mostra que a coisa é séria, que há disposição em enfrentar os poderosos maquiadores da verdade. Ninguém ousa tanto por simples vandalismo, nesse dia teve mais autodefesa dos manifestantes colocando coisas na rua para atrasar o choque em sua caça do que depredação avulsa a isso. Porém a depredação foi positiva nesse início dos protestos! Foi ato político, com intensão ou não. Valeu! Lembre-se e entenda: foi ação dominó da truculência do choque, mas que nos beneficiou. Eu estava ao lado do cara que atirou uma mesma pedra no vidro da estação alto design da linha verde várias vezes até quebrar. Não senti a mínima vontade de reprimí-lo, não naquele momento, algumas pessoas tentaram apenas falando para parar. Hoje, eu ajudo e incentivo a reprimir a depredação, porque a ideia é outra.

Cheio de gás na face e finalmente acordado o suficiente para enxergar como a manipulação pela força acontece socialmente. A criminalização de algo bom. Você percebe que não é totalmente contra depredações. O que interessa é a arma política. Quebrar inicialmente chamou a atenção, disse que é sério: arma política. Não quebrar chamou mais a atenção, mostrou que viemos em paz: arma política. Não importa tanto quando são símbolos que podem ser refeitos (nunca vou apoiar depredar, por exemplo, o teatro municipal – mas estações de metrô? Mas ônibus? Porta de agência bancária? Que quebrem quando for necessário, quando isso for político), a mudança precisa dessas armas sendo usadas.

Ao invés das depredações serem postas a margem de tudo, quase com nojo, elas devem ser integradas como ações eficientes. Tanto a sua execução, quanto a sua não execução. Pois, planejadas ou não, são as fúrias que não dá para segurar, são as ações que a inteligência pode controlar.

Então, não se trata de uma ONG das boas ações politicamente corretas que se esparramou ajudando nisso, que estamos vendo agora. Elas vão ao ritmo da carroça que é o Brasil. Não foram maximizadas suas ações. Criou-se algo novo, que estava faltando e rompe o sistema estabelecido na exploração dos transportes. Com as portas abertas e as boas ideias plantadas na mente, o corpo do povo veio às ruas. Como declarou o MPL após a conquista da revogação da tarifa:

“O povo constrói e faz a cidade funcionar a cada dia. Mas não tem direito de usufruir dela, porque o transporte custa caro. A derrubada do aumento é um passo importante para a retomada e a transformação dessa cidade pelos de baixo.

A caminhada do Movimento Passe Livre, que não começa nem termina hoje, continua rumo a um transporte público sem tarifa, onde as decisões são tomadas pelos usuários e não pelos políticos e pelos empresários. Se antes eles diziam que baixar a passagem era impossível, a revolta do povo provou que não é. Se agora eles dizem que a tarifa zero é impossível, nossa luta provará que eles estão errados”

Um ladrão já foi bem atacado. A marcha, que continuará, fará os outros 39 ladrões se atacarem, se auto-revelarem e se auto-destruirem, pois não sobrevivem ao palco dos acontecimentos. A luta é por bastidores a serviço do povo, não a serviço da exploração do mesmo. Mas para isso as manifestações que não se auto-destruam antes, perdidas em ingenuidades. Os vampiros não suportam luz do sol que está nascendo e estão sendo trazidos para a rua. O Brasil está brilhando o ouro que nasce de suas próprias terras. Minha gratidão imensurável ao movimento que mudou o Brasil: Movimento Passe Livre, um professor do povo, que quer aprender e espero que realmente aprenda.

Vitor Bustamante, ex-povo-merda.
Nascido em 11.06.2013 como cidadão brasileiro ouro!

domingo, maio 12, 2013

Dia das mães

Uma vez eu discutia um problema complicado na terapia. Algumas relações sociais estavam difíceis e queria saber o que fazer. Falei com alguns amigos terapeutas muito evoluídos, atrás de bons conselhos e perspectivas adequadas para melhorarcomo eu via a situação. Para encontrar soluções. Mas foi numa conversa que tive com a minha Mãe sobre o problema que eu alcancei a simplicidade que precisava. A palavra mais calma, direta e resoluta veio dela. Que não fez curso de psicanálise, faculdade na área da ajuda ao próximo ou pós-graduação em amar. Mãe já vem sabendo o que o filho precisa, Deus soprá-lhe ao ouvido inevitavelmente. Perante a grandeza do descomunal que é o amor de mãe Ele não pode evitar ser cúmplice... Quando sua mãe te ama igual a minha me ama, Deus reconhece a Si próprio nesse amor e diz: "Aqui, minha missão está cumprida! Sempre que eles se relacionarem em Amor, o Céu será ali!". Te amo, mãe Áurea! Feliz dia das mães!

sexta-feira, março 29, 2013

Instagram ou instangram?

Sempre falei instangram... Ontem quando fui ler o texto anterior no sarau no apartamento da Ana, minha namorada, percebi que lia errado e o certo é Instagram.
Eu pensava que instangram era a grama de um instante. As fotos de momentos leves pesando 1g.
Sei que alguns momentos pesam 1kg ou até uma tonelada. Torcemos que eles passem rápido. E nos deixem em paz. Mas os momentos que queremos viver, fotografar e postar no Instagram são instantes leves... E por serem leves instantes davam o nome a ferramenta de Instagram, o instante de uma grama.

quinta-feira, março 28, 2013

Instagram hoje não

Desde que estou com o celular novo tenho registrado algumas cenas no Instagram. Essas cenas têm um ar específico delas. É um ar ao contrário, que ao invés de eu inspirar, ele é que me inspira.

Com alguma sensação literária percorrendo a pele, fotografo e posto no Instagram. Acredito que a foto ficou ótima sempre.

Ontem eu estava entrando no metrô clínicas e havia um sanfoneiro tocando lindas músicas. Cena muito poética. Inclusive a aparência do músico me levava para as memórias do filme O Carteiro e o Poeta. Dei-lhe umas moedas. Andava devagar para ouvir por mais tempo aquela cena e não resisti: parei para ouvir. Era som de Cinema Paradiso. No fim de tudo, quando já ia embora e me virava para cumprimenta-lo antes de ir, pensei: Instagram! Mas não. Era a típica coisa que eu fotografaria porém eu estava tão inteiro ali que não me ligava a esse novo universo do compartilhamento que se instaurou no comportamento das pessoas. Essa ideia só veio no final. Aquele momento foi só meu e do músico, que ficou meu cúmplice depois da troca de moeda por arte. Gostei assim.

quarta-feira, março 27, 2013

Fim do dia

No fim do dia, paira uma aura de pedra pelos espaços do apartamento... Há dias em que essa aura é de uma ametista azul celeste. Há dias em que é a alma cinza de pedregulhos fragmentados. Pedras farelo granudo. Mas fique com a imagem da ametista azul celeste. A aura pauta o seu caminho para a cama, a maneira dos seus gestos. Modula as suas sensações pessoais antes de ultrapassar o portal para o sonho. Você, que tem o chão nos pés, a acessa por baixo. As mãos estão levando para cozinha o prato sujo de janta, que ficará na pia até o dia seguinte, e o papel plástico do chocolate, que vai para o lixo reciclável e, por isso, diminui a sua culpa insustentável indicando uma possível sustentabilidade. É a ação semi-depressiva, que fugiu para uma ilusão. No automático domínio do cotidiano, você dá a aura de pedra o poder de basear seus pensamentos. Mas no domínio de si, você a reforma. Cada pensamento é uma sinápse relampiando vontades nos ocos do mundo. Quando deita na cama, o prazer vem da antítese. Pedra vs. Colchão. As molas conversam com os músculos cansados, como esposas de maridos que chegaram, abandoram a fadiga e agora se estiram em braços femininos. Despidos de mundo. Limitados, livres e protegidos no íntimo. Dentro da letra "o" da palavra expressão "que bom!". Você adormece e a aura desaparece.

terça-feira, março 26, 2013

Oi

Olá, querida leitora! Vi que você veio falar comigo no gtalk mais de uma vez... E eu não respondi... Comprei um celular novo e me mostra online sem que eu esteja dedicado ao bate papo. Me desculpe.

Se aproxima a data do retiro espiritual para o qual você me convidou. Não poderei ir. Infelizmente.

Gostaríamos de estar em todos os eventos legais com as pessoas que gostamos.

Mesmo sendo poucas e simples, as nossas escolhas exigem de nós dedicação para bancá-las. Com o andar do tempo vamos refinando essa habilidade. Que o tempo sempre seja tempo e sempre ande.

segunda-feira, março 25, 2013

terça-feira, janeiro 15, 2013

Sonho

Hoje sonhei que estava num exercito medieval. Esperando reforços chegarem para enfrentarmos futuramente um inimigo em comum que se aproximava. Estava num galpão que era minha responsabilidade cuidar. Eu tinha um fiel escudeiro gordinho meio ruivo. Uma das nossas missões era matar baratas mutantes assassinas daninhas. E tinha uma caixa de acrílico onde estava uma barata que iria eclodir em breve e dei-a ao meu fiel escudeiro para que matasse quando ela nascesse e eu fiquei vigiando o galpão. Quando a barata começou a eclodir Roni estava atento para matá-lá. Mas ele deixou-se seduzir por ela, porque ela tinha orelinhas rosas de coelheira da playboy e corpo de joaninha, redondo, e ele ficou falando: é tão bonita... Deitou no chão hipnotizado e a barata com corpo de joaninha e orelinhas de coelhinha da playboy tentava se esconder na nuca dele. Eu vi aquilo falei para ele não se deixar seduzir e eu saquei a minha espada super grande e pesada, e eu também era grande e pesado cheio de músculos, e matei a barata e salvei a vida do meu amigo.

Mantenha aberto o seu piano

Ontem abri o seu piano para as visitas... Elas entraram pela sala que havia arrumado. Coloquei as caixas das roupas pra doar escondidas no ateliê. Abri o seu piano.

No outro dia, depois das visitas terem ido, pensei no seu piano fechado e gostei dele aberto. A vida pode ser tão cheia a ponto de nunca fecharmos o piano? Não pode, eu sei... Guardar beleza pode ter a sua função, como é apagar a luz para dormir. Mas abra sempre o seu piano, meu amor. É um prazer olhá-lo e... Faz mais sentido ele aberto! Sorrindo os dentes das suas teclas, respirando no pulmão das suas cordas e tem penteado o cabelo da sua tampa, um formoso topete. Mantenha aberto o piano.

sábado, janeiro 12, 2013

Não sei flutuar nas nuvens como você

Estou no seu apartamento sem conseguir sair. Primeiro culpei a preguiça, depois culpei a chuva e a seguir a combinação das duas coisas. Depois me vi a respirar. Coloquei música para tocar. Músicas com letras, as mais bonitas da cidade, que a gente canta junto e que nos mergulha, sem opção, nas emoções de quando somos. Aí me dei conta do porquê de não conseguir daqui sair. Não mudou muita coisa. É medo da saudade. Daqui a três dias você viaja para a Índia e eu, que ainda não sei flutuar nas nuvens como você, fico. Estou apegado ao seu apartamento como se pudesse me guardar dentro de ti. Coisa de homem, coisa de mulher, coisa do amor.

Disparo como pífano pelos cômodos. Regos com as lágrimas escondidas e inúteis do meu fundo as suas plantas. Arrumo sua cozinha como quem arruma idéias. Lavo os panos de prato na máquina, omo multiação, e ponho pra secar a quente na secadora. A tentativa de girar calor nesse pequeno frio verdinho do sábado. Me perco dentro do amor e tenho a certeza que me encontro dentro dele. O que é do um sem o outro? Do um sem o outro é só saudade sob medida para 15 dias hospedando a eternidade. Nem foi e já quero pra ontem a sua volta!

Amo. Ana. A vida me concede amar. Amo mesmo! Quando voltar direi que carolinei pelos dias que passaram...