O escritor de sonhos
continuação... -[guia ocupada]-

Entro no ônibus e tomo um susto. Uma mulher com cara de Regina tem o buso sob seu poder. É muito estranho o modo como ela se impõe dentro do ônibus. Não carrega arma. Parece haver nela a mesma força-poder que habita as mães na hora da bronca. Ela manda e você obedece sem pensar. Mandou-me andar logo e me sentar normalmente. De pronto, obedeci. Passo pela catraca e me sento no quarto banco à esquerda, na janela. Fico em choque. Regina vigia tudo atentamente de entre o cobrador e o motorista. Não sei porque mantinha o ônibus na normalidade. Talvez quisesse mais passageiros, pois só tinha mais sete além de mim.

Chegando ao ponto final, onde havia muita gente esperando ônibus, o “carro” começa a frear e penso em fazer alguma coisa. Tinha que sair de lá. Estava com muito medo, mas a vontade de sair daquela situação era maior. Quando o ônibus começa a diminuir sua velocidade o motorista muito sensato abre a porta traseira. De impulso me levanto e corro. Salto para a rua com ônibus ainda em movimento, quase caio. Bato a mão no chão para me equilibrar e fujo a toda velocidade sem olhar para trás.

Na hora que passei pela porta de saída vi a formiga na janela que me deixou a frase: “Depois, é a gente que precisa de tratamento. Olhe para vocês”.

Entro na primeira loja à esquerda e me escondo no provador. Estava apavorado. Tento ficar lá de modo que pareça estar experimentando alguma roupa. Escuto Regina na loja fula da vida, morrendo de raiva, à minha caça. Estremeço. Encosto-me na parede do provador de onde não se via meus pés e se a cortina fosse aberta e olhassem apenas de fora não poderiam me ver. A caçadora vê o provador fechado aparentemente sem gente dentro e desconfia. De um tapa abre a cortina revelando seu interior. Por sorte estava com muita ânsia de me achar e faz tudo às pressas e mal feito. Não olha para dentro para verificar se havia gente no canto.

Procura-me por toda loja. Proferindo ameaças. Usando seu poder de mãe na hora da bronca para com os funcionários e não me acha. Olha novamente no provador e da mesma forma, escapo pelo segundo tris. Desiste e sai da loja. E eu acabei ficando imóvel aqui nesse provador desde então, matutando o reencontro com a formiga.

ouvindo Caê - Irene

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Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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