terça-feira, janeiro 18, 2005

L. V.


Nos conhecemos no colégio. Estudamos dois anos na mesma sala. Eu tinha namorada na época. Ela, não a minha namorada, era linda. Um corpo perfeito. Deve ter recebido homenagens de cada um dos sexualmente solitários estudantes. Em mim, era bom quando a homenagem era para ela. Devia transar como um furacão, se imaginava. Aqueles cabelos compridos, ondulados, soltos. Os seios gostosos, muito sexy se cobertos por uma camisa bem solta no corpo; irresistíveis se desnudos. Perna e bunda, duas peças, carnes fortes com contornos suaves de mulher. Ela era deliciosamente atraente. Carnuda. Seu temperamento não nos permitia classifica-la como gostosa. Ela não era essa palavra. Era tentadora. Sexualmente tentadora. Queria-se abraça-la, mas, na amizade por ela permitida, isso não cabia.

Terminado o terceiro ano do colegial, o próximo ano veio. Ela já na usp fazia letras, eu, ainda no interior, cursinho. Esse ano se passou com poucos encontros da turma. Cheguei a dar carona para ela, tinha permissão para dirigir. Ela e mais duas amigas. Nunca, pelo menos penso, demonstrei a atração fatal que sempre sentia. Conseguia esconder essa pulsante com uma pedra enorme dentro de mim, bloqueava bem.

Já tinha ido para São Paulo fazia dois meses. O cursinho acabou, passei na puc, me mudei. Estando nós na mesma cidade, começamos a nos ver. Não sozinhos, sempre com mais gente. Conversávamos bastante. Certa vez, viemos juntos para o interior, num final de semana. Pegamos o mesmo ônibus. Ao chegar, cada um seguiu para a casa dos pais. Sábado à noite liguei para ela. Perguntei se gostaria de ir almoçar comigo num hotel que abria para não hóspedes o seu restaurante. Som ao-vivo. Grande espaço entre cada mesa. Algumas pessoas com roupas de banho por causa da piscina, biquínis. Fazia um sol escaldante naquele domingo. Parecia que estávamos na praia. Levei uns textos antigos meus, do blog, para mostrar para ela. Há pouco tempo que ela o estava lendo. Queria mostrar as coisas boas do passado. Ríamos muito! Cada coisa que fora escrita. Ela parava tudo e recitava alto Carlos Drummont de Andrade. As pessoas olhavam, ríamos, bebíamos mais um gole cada um. Quando ela acabou o longo poema, finalmente, a olhei, a olhei fortemente, a amava, mesmo que fosse só aquele dia. Paramos. Observamo-nos. Cada um lia no rosto do outro a alma totalmente à mostra. Nos beijamos. Olharam. Isso tornava tudo ainda mais agradável. Enfiei os quatro dedos da direita, com o pulso roçando sua nuca, por baixo nos cabelos, puxando-os sem medir força. A palma da mão dela abraçou a parte de trás da minha cabeça. Voltamos aos encostos das cadeiras, bebíamos e nos olhávamos, deslizávamos. Pernas. Começamos a olhar as coisas ao redor. As pessoas, mesas, garçons, paisagens, verde, chão muito limpo, sacadas. Abelhas em restos de refrigerantes, beijando-os, sugando-os.

Perguntamos para o garçom se alugavam um chalé daqueles com vista para a serra por uma tarde. Tínhamos que falar com outra pessoa responsável. Entramos no quarto. Ela estava linda, sorria. Eu felicíssimo, alegre, de bem com o mundo. Nos abraçamos, as mãos começaram a explorar. Firmei o seio em uma, a outra na bunda queria mais. Ela tirou a minha camiseta. Fingiu um presente ao descer para baixar minha bermuda, mas subiu sem mais nada fazer. Tirei-lhe a blusa, da saia ela deu conta. Calcinha e sutiã. Cueca. Um segundo. Só calcinha, cueca nos joelhos. Meio segundo. Cueca jogada, a calcinha na minha mão. Suávamos. Nos queríamos. Viramos animais. Me jogou na cama e fazia de mim o seu boi de rodeio. Tremíamos em êxtases aleatórios. Beijávamo-nos. Ela pressionava com as mãos o meu tórax, me colava na cama. Rebolava. Eu delirava. Nos viramos. Suas pernas me envolveram. Agora, um pouco mais lentos, eu descansava sobre os seios dela, ela respirava tudo o que não pôde. O ritmo foi crescendo novamente. Íamos nos fundir. Pressionou-me, aggarrou-me com as pernas o mais forte que pode. Enlaçou-me. Entrei-me o mais que pude. Colamos os troncos. Amarramo-nos com os braços. Duas orelhas se esfregando. Os longos cabelos dela. O grito. O caldo. O prazer. O gozo. As respirações. Nunca tinha sido tão prolongado esse momento. Ligamos o chuveiro no frio.

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Ao terminar de ler A Natureza da Mordida

Foi a mesma sensação de parar com o marcador página na mão após acabar um livro. Eu não sabia onde colocar meu sentimento após aquele final....