L.

O seu pai? Bem... Eu conheci o seu pai no colégio. Estudamos juntos. Não éramos lá muito próximos nem nada ou coisa que o valha. Ele até tinha uma namorada. Em 2004 eu fui para São Paulo, fazer a usp, e em 2005 ele foi para lá também, fazer a puc. Tínhamos um contato, nada demais, éramos amigos. Um dia voltamos juntos para Aparecida, nós dois éramos de lá, você sabe. Chegando, fui para casa da sua avó e ele para a casa da mãe dele que ainda era viva na época, você ia adorar ela, ela era professora de primeira série assim como a sua noiva. Chegamos na sexta-feira e no sábado ele me ligou marcando um almoço no domingo. Bem... Eu aceitei. Estava lendo o blog dele e gostava de algumas coisas que eram realmente muito boas. Não é à toa que os livros dele venderam um bocado, você sabe. Ele tinha levado uma pá de textos antigos do cab para o almoço, pode? Alguns hilários, como de quando ele confessou que fazia xixi sentado, que certa vez pintou de vermelho os pêlos do saco, outro que fez um teste para ver se meninas davam em cima de rapazes que usavam aliança mais do que davam em cima de garotos de mãos livres. Um monte de coisas. Nos divertíamos. Eu derretia por certas linhas, tinha uns outros textos, uns poéticos, lindos de morrer. Eu fui bem louca até ter você e sua irmã, depois disso sosseguei um pouco, mas naqueles tempos... Meu filho... Você não conseguiria imaginar se tentasse. Os versos misturados nas prosas dele me animaram, comecei a declarar aquele poema do Carlos Drummond que eu adoro. Sei até hoje, de cabo a rabo. Ah, nós bebíamos um pouco. As pessoas já estavam olhando para a gente enquanto o seu pai lia os textos para mim, quando eu comecei meu show então... Foi uma delícia. Ele não resistiu, enfiou a mão pelos meus cabelos e nos beijamos como nunca ninguém jamais beijou e jamais beijará nesse e no outro mundo. Foi maravilhoso. Transamos uma hora depois disso tudo. O almoço tinha sido a mais adorável desculpa, quase não tocamos na comida. Tocamos um no outro, isso sim. E eis você aqui agora ouvindo tudo isso de mim. Olha a campainha! Ela chegou, vai lá abrir a porta para minha futura nora. Seu pai já fechou o chuveiro, já estamos indo. Esperem na sala. Não fiquem tão à vontade que eu conheço o fogo de vocês. Salpicado de saudade então...

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

Tema da redação: Heróis reais