quinta-feira, setembro 18, 2008

Que primor



., upload feito originalmente por wild goose chase.
Do poeta ficou apenas uma pena
Encravada na ruína do tempo
de uma casa velha

Mil coisas saíram de cena
Mas uma entrou-lhe a vida
Seu coração atento
Como quem acena
até o último momento
(da partida
de um ente querido)
Acenou para sua busca
findada nos bateres
de um peito feito marido:

          Numa única musa
          Encontrou todas as cores
          Numa única musa
          Pôde morrer de amores
          No plural


Afinal,
Numa única musa
os olhos do poeta
enxergaram o que viam em "entrelinhas" de ilusão e esquecimento

Linhas femininas tocáveis
de verdade: o contentamento

Traçando a realização dos sonhos seus
Ao viajar como o vento nos planos de Deus

Com a felicidade dos adoráveis quando juntos
Com a felicidade dos intermináveis assuntos

Com a felicidade dos que moram agora na casa certa
Jardinam flores, deixam a porta aberta

o bairro é o amor
o poeta é sem dor
sua musa calor

que primor... que primor

6 comentários:

Caio Reis disse...

Muito bom o poema, gostoso de ler e de entender... e a foto combinou bastante (apesar de eu perceber que vc se basiou na foto pra escrever, neh?) =P
Comeh que eu faço pra assinar o feed do seu blog??

Tine disse...

Respondendo o Caio:
Feed Blog
http://cab.blogspot.com/atom.xml

*******

Quanto ao poema eu gosto de escrever baseado em imagens, porque na verdade nossos sentimentos vem de imagens... só que muitas das imagens não estão no flickr ou no google e sim em nossa imaginação!

O poema ficou lindo, inteligênte e profundo!

Adoro a exaltação do amor!

Beijos

Daniel disse...

Como é bom ler um poema e saber exatamente do que o autor está falando!

Muito bonito essa sua poesia, Vitão! Só reparei três coisinhas, sem querer ser chato: no segundo verso da segunda estrofe, acho que seria "entrou em sua vida"; no primeiro verso da terceira estrofe, acho que há um erro de digitação (não seria atenTo?); finalmente, no quarto verso da quinta estrofe, acho que "entrelinhas" não precisa estar entre aspas (a licença poética te permite usar todo tipo de metáforas injustificáveis hehehe).

Linda obra, Vitão!

grande abraço

Felipe Silva disse...

O poema traduz na perspectiva que lhe é própria o Vitor atual, o você, autor que escreve, atual! A foto da pena na ruína da casa é uma imagem de você... É um retrato seu! Você percebeu isso?

Grande abraço amigo!

Carlos Eduardo Xavier disse...

Caraca... vc conseguiu tirar tudo isso da imagem? Parabéns!!! Isso sim é que um poeta de verdade faz: extrai de qualquer coisa palavras que viram sentimentos...

Abraço...

Aprovado!

Agostinho Reis disse...

Os sonhos que batem forte no peito de marido acentam tijolos, argamassas, reboques para construir sonhos que o tempo corroe. A musa é leve como a pena, a musa aplaca o tempo e a sua velocidade irreal.
Faz viajar o poeta no plano de Deus. Feliz.

Ao terminar de ler A Natureza da Mordida

Foi a mesma sensação de parar com o marcador página na mão após acabar um livro. Eu não sabia onde colocar meu sentimento após aquele final....