Muito dentro de um mundo meu

“Estou no metrô Trianon Masp, Av.
Paulista, em São Paulo. Espero meu
pai; nos encontraremos aqui”


Depois do pingo no i, no final do aqui, vibrou o meu celular. Meu pai perguntava onde eu estava. Respondi: -Aqui. Aqui na saída da estação Trianon Masp.

Mas o primeiro aqui da minha resposta remetia a um planeta mágico dentro de mim, depois me situei para a indicação correta.

Vivo nesse mundo que bloqueia, ou chega muito perto disso, a minha comunicação com o mundo da cidade. É um mundo maravilhoso, no qual vive o meu melhor ponto de vista da realidade – crescente na capacidade de bem-enxergar as coisas, pois a minha maturidade o faz evoluir. Contudo, uma ponte que liga esse planeta ao da cidade, ainda não foi gerada pelo poder de meus olhos da alma.

Duas vezes fui desligar-me do meu mundo maravilhoso quando tarde demais. Duas vezes usando mal o lixo e sendo reprovado pelos olhares de quem habita a cidade.

A primeira foi no shopping Eldorado. Encontrava-me bem no centro do mundo meu. Alimentava-me na praça de alimentação. Na hora de jogar as coisas no lixo, joguei a latinha de refrigerante vazia, alumínio, junto com tudo, junto ao que estava na bandeja. Quando, bem do lado, existia um lixo apropriado para ela e, ainda, o dinheiro adquirido com a reciclagem das latas ia para uma instituição de caridade. Achei-me burro, lerdo e tudo mais por um tempo, mas depois me entendi e perdoei-me. Foi uma das vezes em que fui reprovado pelos olhares de quem habita a cidade.

Outra vez que praticamente o mesmo aconteceu foi a que me fez parar para isso escrever. Cheguei um pouco antes do horário combinado na estação de metrô combinada; peguei um folheto que foi estendido a mim, algo desinteressante; sentei-me. Comecei a pensar e caí nos travesseiros do meu mundo ponto de vista maravilhoso de tudo. Instantes depois, avistei um lixo, e, levando o meu planeta envolta de mim, joguei ali o folheto. Quando me sentei novamente, vi o lixo e li a placa. Somente cigarro era a mensagem que trazia. Os olhares que me reprovaram pelo ato, dessa vez, eram bem mais sólidos e frios, pois não havia nenhuma pessoa com o foco em mim. Mas aquela estação me olhava, me julgava; o prédio ao lado também e os dois contavam à mãe, Av. Paulista, o que eu havia cometido. Mas, no fim de tudo, o espírito materno dela conseguia enxergar os meus porquês, a minha caipiragem... E ela me abraçou, não sem antes me fazer falar que aquilo não se repetiria, e me disse que estava tudo bem. Mandou-me ir ao encontro do meu pai que me esperava. Levei um sorriso comigo.

Comentários

*eg er scintilla disse…
eu entendo perfeitamente o que vc passou, nesas entelinhas de curvas de pensamentos. os nervinhos da cabeça....é bacana.

:)*
Niara disse…
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Niara disse…
É legal descobrir coisas novas tb, haha, como o bilhete único, por exemplo, hehehe!!
Bjss

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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