4encontros

Poxa, que semana braba! Mesmo que tendo um dia de feriado. Aulas à tarde para fechar a apostila, o começo da revisão, inscrições para o vestibular correndo, palestras à noite, indo e vindo de Guará de bicicleta (duas vezes por dia), sempre em cima da hora, nenhuma folga. Hoje ainda tenho que ir ao banco, em dois, e depois ir para Lorena. Fazer o caminho que farei para a prova de domingo (melhor treinar para não ter a chance de me perder bem no dia). Deveria ir um pouco na igreja também. Amanhã acho que vai ter um post bem grande aqui. Abracetas!

Eu tinha escrito isso para postar hoje antes de ir a Lorena, mas a internet falhou. Saindo do micro fui aos bancos. Primeiro na CAIXA, para pagar um boleto da CAIXA que eu imprimi aqui, mas com um cheque não meu e de outro banco, não pude pagar. Tinha que ir no banco do cheque. Tinha entendido tudo errado, não era para eu ir aos bancos dos boletos, mas sim ao banco dos cheques que eu tinha. Aconteceu uma coisa tão gostosa na CAIXA depois de ter esperando aquele tempo lá dentro. Estava na fila e moça do caixa, que deveria ter uns 25 anos, era linda, na flor da idade, foi quem me chamou para ser atendido; falei o que queria e ela me informou que eu não poderia pagar o boleto por o cheque não estar no meu nome e completou exatamente assim para a minha surpresa: "Vitor, vai na Nossa-Caixa que os seus cheques são de lá e lá você pode pagar os dois boletos". Uma graça essa caixa, me achei tão bem atendido, sorrisos, que quase disse isso na frente de todos que reclamavam a demora na fila, mas proferi somente um obrigado, curto e também sorridente. Ela tinha visto no boleto o meu nome e me chamou por ele. Fez com que eu me sentisse ótimo!

Boletos pagos no outro banco, fui para a rodoviária e, antes que pudesse dar por mim, já estava esperando o ônibus para Lorena. Um ônibus que vinha de Taubaté (confuso por causa disso, quase peguei um outro que estava indo para Taubaté e não Vindo) um ônibus que vinha de Taubaté, passaria por Aparecida (aqui), Guaratinguetá e chegando em Lorena finalmente. Essas últimas três cidades são conurbadas nessa ordem (procure por conurbação). Tive uma surpresa loira de um metro e sessenta, rosto limpo, simpatia encantadora e um corpo lindo que dessa vez eu não reparei e nem observei por um mínimo segundo sequer, mas sei que ela tem. No post "Hormônios" que eu vou postar aqui, vocês irão entender porque estou dizendo isso. É, eu não reparei no corpo dela, como sempre com quaisquer outras garotas; conversamos, matamos a saudade dos tempos do terceiro ano, dos tempos em que vínhamos juntos de escolar para as nossas casas, dos tempos de contato diário. Ê, Bruninha! ...Ela vinha de Taubaté mesmo, desceu do ônibus que era o que eu estava esperando. Está cursando enfermagem e até me lembrou que eu a ajudara a escolher esse curso (não lembrava MESMO). Lembro até que eu falei que ela, loira, olhos claros, naquela roupinha branca, vestida de enfermeira... e não concluí a frase fazendo apenas um “Hummm” e ela me deu um tapinha no braço falando alguma coisa mais o meu nome. A mocinha já está fazendo estágio nesse primeiro ano de faculdade e decidiu que quer ser médica. Se ela terminar o curso de enfermagem antes de entrar em medicina, vai eliminar uma pê de matérias desse próximo que são as mesmas desse de agora. Fóra que as aulas seriam exatamente iguais, seria na mesma faculdade e com os mesmo professores. A conversa foi bem curta pois eu tinha que zarpar, o motorista me olhou com aquela cara: "Vai ficar falando com amiga linda ou vai entrar logo no ônibus!?". Entrei no ônibus. (tá bom, Felipe Primô; sei que você ficaria falando com a amiga linda e nem tchum para motorista, ônibus...)

Perguntei para o motorista se ele sabia onde era a UNISAL, a faculdade; ele não fazia a mínima idéia. Como eu já tinha ido lá duas vezes, uma no mês passado e outra no ano passado, sabia mais ou menos onde era, se fosse olhando dava para saber se estava perto, se viesse o prédio antigão então!, estaria completada a missão de aprender a chegar com o agente (eu) sorrindo. Faltaria a de aprender a voltar, apenas. Para a minha terceira alegria do dia, havia uma menina com muita pinta de universitária que entrou no ônibus no meio do caminho entre Aparecida-Lorena, acreditei que ela estivesse indo para o mesmo destino que eu. Mais tarde descobri que sim. Voltando, ela passou por mim e se sentou mais atrás. Já em Lorena, eu procurando o prédio da faculdade com olhos em estado de alerta; a universitária vai até a frente (eu estava na primeira cadeira, de onde se tem uma visão mais ampla), e pede para o motorista parar no próximo ponto, um tanto antes de chegar à rodoviária, destino final, acredito eu. Pergunto se ela estava indo para a UNISAL, ela estava. Expliquei que eu era caipira e estava meio perdido. Ela me guiou até a porta do prédio e andou um pouco mais virar num corredor que a levaria até a sua sala de aula de Espanhol, enquanto eu ficava na recepção. No caminho ela me contou que no primeiro dia de aula, ela também não sabia como chegar na faculdade e que fez a mesma coisa que eu, só que com o contrário de sorte. Imaginem, ela perguntou para um grupo de veteranos como faria para chegar a facul; isso no Primeiro dia de aula! Foi tomando trote do ponto até a entrada da instituição. Ô meu Deus! Ela cursa direito à noite, está no terceiro ano já, faz também esse cursinho de espanhol e se chama Patrícia. Eu me chamo Vitor. Na verdade ela estava voltando hoje para as aulas de Espanhol, tinha uns dois meses que não ia. Voltou para me guiar.

Fui à secretaria, peguei uma prova do ano passado (Resolvi a de português agora, só acertei metade - música tema para o vestibular do Vitor: Segura na mão de Deus, Segura na mão de Deus e vai...). Feito só isso e tinha que voltar para a casa agora. Fui indicado por quem me atendeu na secretaria a pegar o ônibus para Guaratinguetá no mesmo ponto em que eu descera ali em Lorena, para depois em Guará pegar um para Aparecida . Não foi bem o que eu fiz.

Fui lá ao ponto. Uma cidade nova para mim, uma cidade do interior e pouco desenvolvida. Tinha a clássica praça na minha frente, observei aquele espaço público com prazer. Toda cidade do interior tem a sua praça. Não que as outras não tenham, mas essas outras, essas grandes cidades, tem sempre mais de uma praça e se, por exemplo, você for visitar um amigo em São Paulo, se perder e ligar para ele dizendo: "Eu tô na praça, Pablo", que seria, no caso, o mesmo de dizer: "Estou no MacDolnads, Pablo", é muito diferente de, se amigo vier te visitar no interior, dizer: "Eu tô na praça, Vitor". Responderia rapidamente: "Espera aí que eu tô indo te pegar, Cumpadi!". E falaria em casa para todos, como em toda casa do mundo: "O Pablo chegou! Vamos pegar ele! Ele está na praça. Vamos!"

Cheguei em Guaratinguetá e passei pelo ponto de Aparecida, mas não era para eu ir já para casa. Fui tomar um caldo de cana: "Vê um de 1 real pra mim, fais favor". Como isso é bom, né? Gaitorade caipira! Já tinha decidido visitar a Mariana antes de passar pelo ponto de Aparecida e, logo, antes de dizer obrigado ao homem do carrinho de garapa (caldo de cana). Lá fui eu. A Má está terminando o primeiro ano de direito, diferente da Patrícia (do ônibus) que está no terceiro, e está de manhã, diferente da Patrícia (do ônibus) que está à noite. Eu queria matar a saudade, somos ótimos amigos, não tinha ainda falado que ia prestar na faculdade dela. Queria ficar conversando e ouvido a mãe dela insistido para eu comer um pão porque “eu tô muito magrinho” e aceitando o alimento, lógico. Pão com manteiga e copo d'água (nem vem, é bom!) porque eu não gosto de leite.

Mas a Má não estava em casa. Tinha ido ao dentista, de carro (eu e meus amigos já dirigimos, viva!) e, poxa, o dentista dela é do ladinho da UNISAL em Lorena. Eu podia ter ido com ela? Na verdade não, tinha que ir de ônibus para aprender o caminho, tinha que ter encontrado a Bruna, loira enfermeira uma gracinha linda e amigona! Ainda após ter encontrado a primeira moça do dia que foi a caixa 25 anos da CAIXA. Fiquei lá um pouco de 5 minutos conversando com a mãe da Má. Muito legal a mãe da Má. Quando estava me despedindo dela, para minha quarta surpresa feminina do dia, aparece quem? Quem aparece de carro? Parando bem pertinho de nós para me dar carona? Quem? A minha prima lindíssima de 23 anos que está na UNESP (não lembro que curso faz), mas todos sabem que ela é tão maravilhosa quando a moça do caixa da CAIXA, quanto a Bruna! A Patrícia, moça do ônibus, minha guia, também era bonita, mas meio desanimada, o que não tirava a sua simpatia, mas ela não tinha a tal magnitude estética das três já ditas. Eu falei que a Mariana é loira, alta, dos olhos azuis?

Foi uma delícia ter vindo embora de carro para casa. Fechou os encontros com beldades com chave de ouro. Eu só queria que um dia a Cecília, minha prima, parasse assim para me pegar de carro, na porta da minha escola. Só para me gabar com os meus amigos e fazer um certo “ciuminho” na Valéria, que nem ela teve ontem à noite quando eu estava conversando com a Noeli, matando essa saudade da minha amiga morena dos olhos azuis. A Vá estava com uma cara que me fez pensar que estava com ciúmes. Sabe aquela indiferença forçada? Talvez tenha sido só impressão.

Conversas de irmã mais velha com irmão mais novo são as que eu tenho com a minha prima. Ela é a irmã mais velha que eu nunca tive. Lembro que quando numa brincadeira com o meu irmão, mais novo, tirei três dentes de leite dele que ficaram junto com um pouco de sangue no tapete da sala e ainda entortei o seu nariz; minha mãe tinha ido leva-lo desesperada ao hospital, não fui junto pois ia tomar tempo fechar a casa e a minha prima veio dar-me apoio em meio aos prantos em que eu me encontrava por ter sido o causador daquilo. Além de desesperado como a minha mãe, puto comigo tamanha a burrice que havia cometido como o meu irmão estava, ainda tinha o rasgante sentimento de culpa. Tinha uns 14 e a Cecília com uns 19 me amparou num momento onde isso não poderia ter sido mais importante.

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Bustamante

Texto que escrevi e li como orador dos formandos de 2008 do curso de Comunicação e MultiMeios da PUC/SP

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